Parte da investigação sobre o acidente aéreo que matou 11 pessoas em Gramado será executada nos Estados Unidos. Isso porque os motores da aeronave, que caiu no dia 22 de dezembro de 2024, passarão por uma análise com o apoio técnico da empresa fabricante.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
A responsabilidade pela condução da investigação continua sendo da Força Aérea Brasileira, por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Porém, existe uma cooperação com órgãos e fabricantes estrangeiros.
Esse tipo de recurso é utilizado, principalmente, quando são esgotadas as possibilidades de análises no Brasil de peças ou componentes – devido ao grau de destruição ocasionado pelo acidente. Então, os investigadores do Cenipa vão até as instalações da empresa fabricante.
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“Essa atividade visa possibilitar uma análise mais completa, com o uso de equipamentos e também técnicas especializadas, exclusivos do fabricante responsável pela peça ou componente”, explica o Cenipa, ressaltando que, mesmo com esse suporte, o grau de destruição pode limitar a recuperação completa das informações.
No caso específico do acidente em Gramado, a aeronave envolvida era do modelo Piper Cheyenne 400, turboélice bimotor fabricada pela Piper Aircraft, sediada nos Estados Unidos. Contudo, apenas os motores, também de fabricação norte-americana pela empresa Honeywell, passarão por análises mais aprofundadas conduzidas pelos investigadores do Cenipa, mas na sede do fabricante.
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Após a extração e validação das informações possíveis, a investigação prosseguirá até a elaboração e publicação do relatório final.
Todas as investigações de acidentes e incidentes aeronáuticos no Brasil são conduzidas pelo Cenipa. Entretanto, não possuem finalidade de atribuir culpa ou responsabilidade civil, administrativa ou penal por uma ocorrência aeronáutica.
Em paralelo, a Polícia Civil de Gramado também investiga as circunstâncias do acidente para apurar se há alguma responsabilidade do ponto de vista penal. A delegada Fernanda Aranha reforça que aguarda os laudos dos órgãos nacionais para dar andamento ao inquérito.
Relatório preliminar já divulgado

Foto: Aeroflap/ Reprodução
Em janeiro, o Cenipa divulgou o relatório preliminar das causas do acidente e apontou dois fatores principais: voo controlado contra o terreno (Cfit) e uma perda de controle em voo (LOC-I).
De acordo com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira, o termo Cfit – do inglês controlled flight into terrain – caracteriza que o acidente aconteceu mesmo quando a aeronave está funcionando perfeitamente. Ainda, que o “principal fator contribuinte é o incorreto conhecimento, por parte do piloto, da real situação de sua aeronave em relação ao solo ou a obstáculos no terreno”.
A sigla LOC-I – do inglês loss of control in-flight – é informada quando acontece o desvio da trajetória pretendida.
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O avião turboélice decolou do aeroporto de Canela com destino à cidade de Jundiaí, em São Paulo. No momento do acidente, por volta das 9 horas, havia chuva e presença intensa de neblina na Região das Hortênsias.
Conforme averiguado pelos órgãos competentes, após a decolagem, a aeronave efetuou uma curva à direita e se chocou contra a chaminé de um prédio. Depois, ocorreu a perda de controle em voo e o avião colidiu contra outras edificações até a parada total.
A aeronave era pilotada pelo empresário paulista Luiz Claudio Galeazzi, de 61 anos. Ele e outros nove familiares morreram na hora.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Devido à explosão, duas pessoas que estavam no solo se feriram gravemente e foram internadas. Ambas trabalhavam em uma pousada próxima ao local.
Lizabel de Moura Pereira, 56 anos, que era camareira, morreu no dia 18 de março. Ela teve 43% do corpo queimado. As queimaduras, de segundo e terceiro graus, atingiram os braços, tórax, costas e glúteos.
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Já a gerente da pousada, Valdete Maristela Santos da Silva, de 51 anos, teve alta hospitalar no dia 12 de fevereiro.
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