Futuros projetos de empreendimentos em Gramado passarão a contar com regras no estilo arquitetônico predominante. A lei, que já havia sido aprovada e sancionada pela prefeitura, passa a vigorar em 19 de fevereiro. A novidade foi divulgada no lançamento da cartilha, na segunda-feira, dia 9, em evento realizado pela Planta – entidade que trabalha o desenvolvimento sustentável da região.
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Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
De caráter orientativo, a cartilha traz referências visuais claras e didáticas, sendo uma ferramenta para profissionais da área e para a população em geral compreenderem os elementos que compõem a linguagem arquitetônica que tornou Gramado única.
“A cartilha representa ilustrativamente o que são os elementos que diferenciam Gramado das demais cidades. Ela é fruto de muito trabalho, tivemos desafios grandes, de como transformar em algo palpável, de forma que qualquer leigo enxergasse. De maneira alguma queremos limitar ou podar a criatividade. O intuito é valorizar os elementos e que a gente não perca nossa essência”, coloca o presidente da Planta, Bernardo Tomazelli.
Regulamentação
Essa padronização já estava prevista no plano diretor. Com isso, o intuito é esclarecer e determinar quais são os elementos que caracterizam a região. Os telhados, por exemplo, precisarão ser projetados de forma que seus elementos estruturais e de cobertura sejam visíveis e integrados à fachada da edificação.
Outras regras incluem beirais largos, terças aparentes, oitões triangulares, floreiras, gaiutas, mansardas e o uso de revestimentos naturais, além de uma paleta de cores especial.
Todos os projetos deverão atingir uma pontuação mínima baseada na aplicação desses elementos. A exigência varia conforme as macrozonas definidas pelo Plano Diretor — áreas turísticas e centrais terão regras mais rigorosas, enquanto bairros residenciais terão critérios mais simplificados.
O projeto também prevê incentivos: construções que ultrapassarem a pontuação máxima poderão receber acréscimo no índice construtivo. Alguns tipos de empreendimentos, como galpões industriais, depósitos e postos de combustível, terão regras específicas.
Meses de estudos
O projeto foi realizado a partir de diversos estudos, desde a construção que formou Gramado nos primórdios, até as obras mais modernas.
Para se chegar no que foi proposto no projeto de lei, um levantamento histórico das edificações da cidade e as estruturas que evidenciam essa arquitetura local foram levantados, bem como os itens que mais representam esse estilo arquitetônico, de forma a enaltecer e torná-los elementos que de fato caracterizem esse estilo.
Arquitetura da Europa? “Não, de Gramado”
O secretário de Planejamento, Rafael Bazzan, lembrou que, em pesquisas, já foi revelado que 50% dos turistas vem em busca da paisagem – tanto natural, quanto arquitetônica.
“Chegamos num momento de maturidade, de entendimento do que é nossa arquitetura. Gramado não é Itália, França, não é Alemanha, não é a Disney e a Flórida brasileira. É uma pequena cidade, na Serra gaúcha, que tem um trabalho de décadas e décadas da sua população para criar esse produto desejado e formar uma arquitetura. E hoje entendemos quais são os elementos que a formam e que fazem de Gramado uma cidade tão desejada e única”, frisa.

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial