Um subsídio conquistado pelos estudantes do ensino superior e técnico há mais de uma década sofrerá com mudanças em 2026 em Gramado. O transporte universitário, até então gratuito aos usuários e pago 100% com recursos encaminhados pela prefeitura à União Gramadense de Estudantes (UGE), responsável por organizar as rotas, não será mais totalmente custeado pelo Executivo municipal.
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Foto: Reprodução/Divulgação
A medida foi anunciada em um grupo de WhatsApp dos universitários, pela própria entidade, através de comunicado oficial. “Após tratativas mantidas entre esta entidade e o Município de Gramado, foi informado pela administração municipal que, em razão de queda na arrecadação pública verificada neste início de exercício financeiro, tornou-se necessária a adoção de medidas de adequação orçamentária, visando o equilíbrio das contas municipais”, afirma a nota.
Com a novidade, os alunos precisarão pagar R$ 150 por mês. “Assim, com o intuito de viabilizar a manutenção dos serviços e atividades prestadas pela UGE, e de modo a atender às condições orçamentárias apresentadas pelo poder público municipal, ficará estabelecida, em caráter provisório, a cobrança de um valor fixo correspondente a R$ 150 (cento e cinquenta reais) mensais por aluno”, coloca a entidade.
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O comunicado, ainda, ressalta que tal medida possui natureza transitória e excepcional, “vigorando até a estabilização da arrecadação municipal, ocasião em que os valores serão reavaliados, conforme as condições financeiras então existentes”.
A medida foi anunciada na quinta-feira (22), em conjunto com a reabertura do cadastro dos estudantes para o primeiro semestre de 2026, que iniciou nesta segunda-feira (26).
Estudantes demonstram descontentamento com medida
Alunos que utilizam o transporte universitário não aprovaram ter que fazer o pagamento mensal. A medida, conforme os estudantes, eleva os custos e pode, inclusive, fazer com que diversos gramadenses deixem de frequentar as faculdades, devido à falta de recurso.
Nycolle de Carvalho Barros estuda na Feevale e utiliza o transporte há dois anos. “Meu posicionamento é de profundo lamento diante desse retrocesso no investimento em educação. Utilizo esse transporte desde 2024 e posso afirmar que o serviço tem sido fundamental para minha trajetória acadêmica, pois, sem ele, não há outro meio viável de comparecer às aulas”, pontua.
Ela recorda que os alunos já pagavam taxas fixas. “Em 2024, a taxa cobrada era única, no valor de R$ 60; em 2025, houve um aumento para R$ 100; e, agora, observa-se um salto expressivo para uma mensalidade de R$ 150, o que totaliza aproximadamente R$ 900 por semestre. É inegável que um universitário que já enfrenta os altos custos da mensalidade da própria instituição ter de arcar com esse novo encargo financeiro coloca em risco a continuidade de seus estudos”, coloca.
Para os estudantes, a alteração, mesmo que apresentada como provisória, pode legitimar sua permanência caso não realizem ações contrárias ao ato. Como forma de manifestação, solicitaram o uso da Tribuna do Povo, na Câmara de Vereadores. Entretanto, o Legislativo está em recesso e a participação poderá ocorrer apenas após o carnaval – período que coincide com o início das aulas em diversas universidades.
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Os usuários ainda afirmam que, “caso até o retorno das atividades legislativas não haja uma solução para esta situação, convocaremos toda a comunidade acadêmica a fim de expressar coletivamente nossa indignação e solicitar apoio”.
Um abaixo-assinado também será realizado pelos alunos. “Nossa insatisfação é com a prefeitura, não a UGE. Entendemos que eles estão se adaptando a falta de verba e por isso estão tendo que manter o transporte por meio da mensalidade”, completa.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Gramado e aguarda retorno do posicionamento.
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Entenda
Gramado oferece transporte universitário gratuito custeado pela prefeitura para estudantes de ensino superior em outras cidades, por meio da Lei Municipal 3.338/2014.
Para custear o transporte universitário em 2026, o investimento necessário será de R$ 2,7 milhões. O município quer reduzir o subsídio, cobrando R$ 150 de cada aluno.