O alto número de internações e mortes causadas pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) preocupam antes mesmo da chegada do inverno no Rio Grande do Sul. Conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), 313 pessoas morreram por complicações causadas pela SRAG.
Hospitais gaúchos registaram até segunda-feira (19) 4.171 internações. Destas, 1.196 utilizaram leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os casos levaram o Estado a decretar emergência em saúde pública.

Foto: Freepik
O decreto assinado pelo governador Eduardo Leite (PSD) será publicado nesta terça-feira (20) e visa fortalecer a rede hospitalar. Os espaços que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem priorizar medidas emergenciais para ofertas de leitos clínicos e de UTI voltados ao atendimento de casos de síndrome respiratória.
A validade do decreto é de 120 dias, a contar da data de publicação no Diário Oficial. A SES divulgou o investimento de R$ 20,8 milhões na Operação Inverno Gaúcho. Os valores serão aplicados na Atenção Primária e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
GRIPE AVIÁRIA: Dois animais são sacrificados durante fiscalização em propriedade de Montenegro
Os municípios interessados em receber repasses precisaram se inscrever, como adiantou a secretária da Saúde de Novo Hamburgo, Betina Espindula. Ela confirmou a inscrição de Novo Hamburgo, que se prepara para o inverno que deverá ser rigoroso.
Demanda alta
Os valores serão pagos aos municípios credenciados a partir do dia 30 de maio, se estendendo até 30 de junho. Em Novo Hamburgo, uma das demandas é a ampliação dos horários de atendimento em algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
“Estamos estudando a utilização de novos espaços nas UPAs, especialmente durante o inverno, evitando que os pacientes permaneçam por longos períodos em contato com os vírus”, reforça Betina.
A demanda na cidade é considerada alta desde já. Segundo a Fundação da Saúde de Novo Hamburgo (FSNH), dos 215 leitos no Hospital Municipal (HMNH), todos estavam ocupados até a noite desta segunda-feira. Além disso, outras 20 pessoas aguardavam em macas na emergência do hospital.
O movimento nas UPAs Canudos e Centro, também é alto. Nas segundas e terças-feiras o atendimento é reforçado em ambas as unidades. São dois médicos acolhidos por contratos emergenciais. O objetivo é agilizar casos considerados de menor gravidade.
As doenças respiratórias já causaram três mortes no município em 2025. Segundo a FSNH, as vítimas tinham 53,65 e 67 anos. Todas sofriam de comorbidades relacionadas, ainda assim o quadro demanda um olhar atento das autoridades.
Em São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Esteio a situação é parecida. O cenário mais preocupante nesta segunda-feira era a do Hospital Getúlio Vargas, de Sapucaia do Sul. A Emergência da casa de saúde estava 188% ocupada, com 56 pacientes em atendimento para 30 vagas. Por lá, dor aguda e problemas respiratórios eram os sintomas mais relatados por quem procurava atendimento.
Depois de passar por ameaça de fechamento no início do mês, por falta de pagamento à empresa que atuava na emergência do hospital sapucaiense, uma nova empresa para serviços de atendimento médico foi contratada e começou a atuar no local ontem. A assessoria da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV) informou que a troca não gerou “nenhum prejuízo aos pacientes”.
No Hospital São Camilo, em Esteio, a lotação da Emergência Adulto ultrapassava 169%, com 13 leitos, mas 22 pacientes em atendimento. Os diagnósticos mais comuns na área eram de síndrome respiratória em crianças e idosos, casos de traumatologia (acidentes e quedas, entre outros) e suspeita de dengue.
Já no Hospital Centenário, em São Leopoldo, a ocupação da Emergência Adulto estava em 115% ontem, com 46 leitos ocupados onde havia 40 vagas. As maiores causas da procura por atendimento no local eram a SRAG e traumas diversos.
Canoas deve decretar emergência
Na esteira da decisão do governo estadual, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Canoas também deve editar um decreto a respeito do assunto. O texto será publicado no Diário Oficial do município nos próximos dias.
Na última semana, Canoas contabilizou mais um óbito e três novas hospitalizações por SRAG, sendo que uma delas teve a necessidade de utilizar a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). No acumulado desde o início do ano, já são 14 mortes e 57 hospitalizações.
Crianças de até quatro anos e idosos concentram as internações no município, tornando-se assim o público mais vulnerável à doença. Até o momento, todos os óbitos registrados são de pessoas com mais de 40 anos. O cenário é diferente em comparação com 2024. Neste mesmo período, no ano passado, na Semana Epidemiológica 20 Canoas somava 140 hospitalizações e 46 óbitos.
Outros municípios da região
A administração de Campo Bom está atenta para o número de internações, que costumam crescer no período mais frio do ano. Em 2025 foram mais de 80 registros de pessoas internadas no Hospital Lauro Reus.
A preocupação é maior pela baixa cobertura vacinal na cidade.
Se em 2024 53,47% do grupo prioritário (gestante, crianças e idosos) havia se vacinado até maio, em 2025 o percentual é de apenas 24,15%.
“O aumento de internações no inverno ocorre todos os anos, principalmente por doenças respiratórias, por isso alertamos a todos: façam a vacina contra a influenza, fundamental para proteger a saúde individual e coletiva, reduzindo as hospitalizações”, destaca a secretária municipal de Saúde, Luana Schnorr.
Em Estância Velha os atendimentos também estão acima da média, com muita procura no Hospital Getúlio Vargas. A média, segundo a prefeitura, é de 200 atendimentos diários.
Já em Sapiranga, o número de pessoas atendidas está dentro do previsto para a época do outono. Atualmente, as unidades básicas operam, em média, até as 19 horas. Já a UPA 24 hora recebe adulto e crianças com sintomas gerais, mas em sua maioria, a internação não é necessária.
*Colaboraram: Priscila Carvalho e Nicole Goulart
LEIA TAMBÉM