Um mês após a eclosão da maior catástrofe climática já registrada no Rio Grande do Sul, o poder público segue contabilizando os prejuízos. O lento recuo das águas em algumas cidades, contudo, dificulta a avaliação do tamanho do estrago e o quanto os municípios terão que despejar de recursos públicos para recolocar as cidades de pé. Entretanto, essa condição não impede um levantamento estatístico de instituições públicas afetadas.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Somente nos vales do Sinos, Caí e Paranhana, conforme levantamento realizado pelo Grupo Sinos junto às prefeituras, 105 escolas foram atingidas pela água. O maior número foi em Canoas, com 41 escolas. Em São Leopoldo, foram 18, e em Novo Hamburgo outras 11. Os danos variam de instituição para instituição, mas a maioria segue fechada para o processo de limpeza e reforma.
PREVISÃO DO TEMPO: Formação de ciclone e alertas de chuva intensa marcam o início da semana no RS
Na Escola de Educação Infantil Olavo Bilac, uma das 11 atingidas em Novo Hamburgo, os funcionários conseguiram iniciar o mutirão de limpeza no dia 22. Atingida com mais de um metro de água, pouca coisa poderá ser reaproveitada pela escola que atende mais de 200 crianças, conforme a diretora Janaína Cardoso Ramos. Todos os brinquedos, móveis do setor administrativo e das salas de aula, a biblioteca, classes e cadeiras, nada disso sobrou.
“Dá pra dizer que perdemos 90% das coisas. Estamos falando de uma escola recente, que tem cerca de três anos, então, tudo que a água destruiu era praticamente novo. É muito triste”, lamenta a diretora. Janaína tem a convicção de que a escola voltará a funcionar, entretanto, o trauma deve custar a passar. “Nesses últimos dias, ouvir qualquer nível de barulho de chuva já causa um pavor”, explica.
Em Igrejinha, no Vale do Paranhana, oito escolas municipais sofreram sérios danos estruturais e perda de 100% dos móveis, equipamentos e utensílios. O prejuízo foi estimado em R$ 880 mil.
Posto de saúde fica submerso apenas sete dias após ser inaugurado
O número de postos de saúde e hospitais afetados pela enchente também é alarmante: Na região, foram 55 em 15 municípios diferentes. No caso mais grave, o Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) precisou ser totalmente evacuado após o bairro Mathias Velho começar a ser tomado pela água.
Mas também há o caso de um posto de saúde que ficou submerso apenas sete dias após a sua inauguração. Foi na Vila Paim, bairro São Miguel, em São Leopoldo. Numa parceria da Unisinos com a prefeitura, a antiga Unidade Básica de Saúde (UBS) Paim foi revitalizada e ganhou novo prédio, entregue no dia 27 de abril. No sábado seguinte, porém, o posto acabou sendo um dos atingidos pela enchente – somente no município, foram 16 afetados no total.
Somente na última sexta-feira (31), depois que a água baixou completamente, é que as equipes da Fundação Municipal de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsad) puderam entrar na unidade e dar início à limpeza da estrutura.
O valor final ainda deve aumentar, mas se estima que o prejuízo na UBS Paim ultrapasse R$ 1 milhão, entre reforma e equipamentos.
Outros postos atingidos, nas UBSs Rio dos Sinos, Brás e Padre Orestes, equipes também já começaram o processo de limpeza neste fim de semana. Todas as perdas contabilizadas estão sendo lançadas no sistema do Ministério da Saúde (MS), solicitando verba para reformas e equipamentos.
Muitas pontes terão que ser reconstruídas
A quantidade de ruas e passeios públicos deteriorados pela força da água ainda é incalculável. Entretanto, o número de pontes, pontilhões e passarelas que precisam ser reconstruídas ou reparadas já foi contabilizado pelas prefeituras. São 67. Rolante, Três Coroas e Taquara, todos municípios do Vale do Paranhana, são mais impactados neste sentido, com 29, 14 e nove pontes ou passarelas levadas pela água, respectivamente.

Foto: Weslei Fillmann/Prefeitura de Taquara
Taquara, por exemplo, aguarda o envio de R$ 2,1 milhões do governo federal, que será utilizado para a construção de uma nova ponte na localidade de Padilha, que foi danificada significativamente pelas águas. O recurso também servirá para o custeio da limpeza urbana, desobstrução de vias atingidas por deslizamentos de terra e ajuda humanitária.
Há também a solicitação de R$ 1,7 milhão para a reconstrução de bueiros na localidade de Pega Fogo e de duas pontes nas localidade de Padilha e Rio da Ilha, recurso que deve chegar nos próximos dias, possibilitando que o processo de reconstrução seja iniciado.
Já Igrejinha, outro município do Paranhana duramente atingido pela enchente, prevê a necessidade de um investimento de R$ 3,6 milhões para reconstruir a ponte Edmundo Kichler, no Centro. Um pilar e uma viga de sustentação da estrutura foram levados pela água e a erosão do solo em uma das cabeceiras forçou sua interdição pelo risco iminente de queda.
*Colaborou: Priscila Carvalho
LEIA TAMBÉM