Uma gestão com foco em impulsionar a competitividade da indústria gaúcha. Em resumo, é com essa missão que a nova executiva da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Susana Kakuta, assume a direção-geral do Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS), a partir deste sábado (1º).
Citando o novo desafio na carreira profissional como uma honra, Susana, que já esteve a frente do Parque Tecnológico São Leopoldo (Tecnosinos) e é especialista em Gestão da Inovação, já possui experiência na indústria e larga bagagem como gestora de diversas instituições e pastas importantes do Rio Grande do Sul.
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Em entrevista ao Grupo Sinos, ela fala sobre a importância de valorizar a educação, o trabalho com startups e os pilares que deve buscar nesta nova função.

Foto: Divulgação/Sistema FIERGS
Formações e experiências
Nascida em Lomba Grande, Novo Hamburgo, e morando atualmente em São Leopoldo, Susana conhece bem a região por onde muito já atuou. Ela conta que sua formação começou na escola pública e, mais tarde, foi a primeira mulher a se formar em Mecânica na Fundação Escola Técnica Liberato. Após fez bacharelado em Sociologia na Unisinos e, mais recentemente, doutorado em Gestão e Negócios.
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Susana começou a carreira profissional justamente na indústria, para onde retorna agora. Trabalhou em duas empresas na região, antes de migrar para a Unisinos, onde teve três passagens: uma primeira na área internacional, depois duas vezes na gestão do Tecnosinos.
“Em meio a tudo isso, fui executiva da Confederação Nacional da Indústria, onde por 9 anos estive a frente da unidade chamada Competitividade Industrial”, comenta.
“Estive a frente do Sebrae RS, na área de operações, onde muitas vezes também interagi com a indústria. Estive a frente duas vezes do Badesul, e também fui secretária de governo do Rio Grande do Sul, de 3 pastas: Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia”, listou.
Os pilares para a gestão
“Isso tudo obviamente me deu uma bagagem de retornar e aceitar esse convite que foi formulado pelo presidente (da Fiergs) Claudio Bier, especialmente nesse grande desafio: de colocar em pé bases estratégicas da gestão dele”, iniciou Susana, trazendo os pilares que devem permear essa nova fase.
“O presidente quer ter uma gestão que esteja impulsionando a competitividade, que produza efeitos concretos sobre a competitividade das empresas, das indústrias do nosso Estado. Esse é o primeiro pilar”, explica.
“O segundo é que a inovação permeie a indústria de forma forte, tornando ela mais competitiva e mais global. O terceiro pilar é de talentos: ou seja, temos um papel fundamental na formação de talentos para a indústria, atendendo de forma direta esse grande desafio do apagão de mão de obra que vive o Estado, mas também essa oportunidade que existe de reformulação de carreiras, pra pessoas que estão hoje fora do mercado de trabalho e que possam vir a trabalhar na indústria. E o quarto pilar é o da reconstrução da indústria do Estado, que passa por dois vieses: o das indústrias que foram impactadas tanto pela Covid, quanto pela enchente; e também da reconstrução no sentido de ampliar e voltar a crescer em número de indústrias no estado”, detalhou.
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Integração das casas
Susana destaca que o foco de tudo é efetivamente uma gestão voltada também para a pequena e a média indústria, que são mais de 90% da indústria instalada no Estado.
“E as casas que eu passo a gerir também fazem parte desse plano de gestão do presidente, que é de integração dessas três casas, Sesi, Senai e IEL, objetivando dar mais eficiência e mais eficácia pra essas casas, a fim de atender esse plano estratégico de melhoria da competitividade da indústria gaúcha”.
“É um grande desafio”
“Me sinto bastante honrada. É um grande desafio”, afirmou a diretora-geral. “São casas com muita competência instalada: o Senai fazendo esse trabalho de educação profissional do trabalhador, tratando do tema da inovação de forma transversal dentro da indústria; o Sesi trabalhando na educação, que é um dos pilares da competitividade de um país – através de suas escolas de referência, nós temos dentro do Sesi o instituto e formação de professores, por entender que a gente está num momento em que a educação precisa ser revista como um pilar estratégico e o professor tem papel fundamental dentro de tudo isso, e cuidando também da saúde e da segurança deste trabalhador; e o IEL tendo um papel estratégico de formação dos líderes da indústria do Estado, não só dessa indústria que já trouxe a matriz econômica até aqui com setores tradicionais, mas também dessa nova indústria que começa a nascer no Rio Grande do Sul, formada predominantemente por startups, por big techs, que nós queremos também aproximar de uma forma muito significativa do sistema Fiergs”, continou.
Susana colocou ainda que a Federação tem um importante projeto interno de otimização das áreas compartilhadas das três casas. “Visando maior eficiência do sistema Fiergs como um todo, mas também como escopo de atuação, essa questão da inovação vai ganhar bastante força”, disse, mencionando, por exemplo, o ensino profissionalizante.
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Valorização da educação
Susana também pondera que ainda está no início da gestão e, portanto, se apropriando dos projetos que já existem.
“Obviamente com o passar do tempo vou também dar o meu toque. Sou uma pessoa que tem um perfil de valorização da educação como um pilar pra geração de PIB e quero fazer isso de forma significativa dentro do sistema. Acredito muito que um país forte, um estado forte, se faz com uma educação de qualidade, no nosso caso, com educação especialmente voltada ao setor industrial, para que isso gere PIB e, a partir dele, seja a forma a da gente levar bem-estar para todos os gaúchos envolvidos”.
Intenção é trabalhar startups dentro do sistema
Sócia de duas startups, a gestora entende que sua experiência na área possibilitará trabalhar o tema dento do sistema Fiergs.
“Como empresas nascentes, muitas das startups são da indústria e, portanto, são empresas que tem um papel fundamental no futuro da indústria do Estado. É como se elas fossem a base da ampliação da indústria, que, a partir disso, se compõe de setores tradicionais que tem um papel fundamental na empregabilidade, na exportação, mas que agora também são complementadas a partir de startups que entram buscando esse espaço dentro da indústria. E aí, traz um tema novo: os jovens que são líderes e também precisam vir pra dentro do nosso sistema”, ponderou.