
Mesmo com o enfraquecimento da massa de ar frio que atua sobre o Sul do Brasil, a sequência de dias com temperaturas abaixo de zero ainda será longa na região, alerta a MetSul Meteorologia. Esta quinta-feira (3) foi o quarto dia seguido com registros de marcas negativas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
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No território gaúcho, Pinheiro Machado, no Sul do Estado, teve a menor mínima registrada hoje: -6,1 °C. Outras dezenas de cidades, contudo, também tiveram marcas negativas.
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Nos próximos dias, a situação não deve ser diferente. A previsão da MetSul indica persistência do frio à noite, embora sem marcas tão extremas como as observadas na terça (1º) e na quarta-feira (2) desta semana. Além disso, as tardes, a partir de agora, devem ter temperaturas mais amenas.
“Apesar de sem ar gelado como na primeira metade da semana pelo enfraquecimento da massa de ar polar, a atmosfera nos próximos dias estará bastante seca no Sul do país. O perfil atmosférico seco favorece resfriamento noturno maior com vento calmo e escassa nebulosidade”, explicam os especialistas.
A consequência será que, até o começo da semana que vem — e talvez até o meio da semana seguinte —, quase todos — ou todos — os dias devem ter temperaturas negativas em pontos de maior altitude do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
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No território gaúcho, as menores marcas ocorrerão em estações de baixadas na Serra do Sudeste (Pinheiro Machado e Pedras Alta), no Alto da Serra do Botucaraí (Soledade), e nos Campos de Cima da Serra (São José dos Ausentes). No estado catarinense, as menores mínimas seguirão ocorrendo em baixadas do Planalto Sul, como em Bom Jardim da Serra, São Joaquim e Urupema.
Por que vai esfriar mais nas baixadas?
A MetSul destaca que as menores temperaturas tendem a ocorrer em baixadas e fundos de vales quando o céu está claro, o ar está seco e os ventos estão calmos. “Durante o dia, o solo acumula calor proveniente da radiação solar. À noite, sem a presença de nuvens, esse calor é rapidamente perdido para a atmosfera. O ar seco contribui para esse resfriamento, já que há menos vapor d’água na atmosfera para reter o calor próximo à superfície”, ressaltam os especialistas.
Assim, com o vento calmo, não há mistura entre as camadas de ar mais frio junto ao solo e as camadas mais quentes acima. Isso faz com que o ar frio, mais denso e pesado, se acumule nas partes mais baixas do relevo. “Em locais como baixadas, encostas ou fundos de vales, esse ar frio escorre e se concentra, formando uma espécie de ‘poço de frio’ ou uma ‘poça térmica’.”
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Essas áreas de baixadas tendem, então, a registrar temperaturas menores ou muito menores do que regiões mais elevadas próximas. “Numa cidade com grandes variações de relevo, é possível que a temperatura numa baixada esteja até 5°C ou 10°C menor do que sobre um morro logo ao lado, a dezenas ou centenas de metros de distância”, exemplificam os meteorologistas.
Além disso, como vai esfriar mais em superfície que em camadas superiores, o que se caracteriza como inversão térmica, bancos de nevoeiro serão frequentes durante os próximos dias em diferentes localidades do Sul e do Sudeste do Brasil.
Ainda, a mesma atmosfera seca que favorece maior resfriamento à noite, vai proporcionar também maior aquecimento diurno. Logo, as tardes serão mais amenas neste final da semana e também no começo da próxima semana, com máximas ao redor e acima de 20°C em muitas cidades.