O inverno começou oficialmente no domingo (21) com mínimas geladas e a expectativa de uma semana marcada por uma massa de ar polar com mínimas abaixo de zero. Contudo, essa temperatura congelante contrasta com o que seria esperado sob a influência do El Niño.
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Foto: Paulo Pires/GES
Junho e o inverno
Embora junho ainda seja considerado outono astronômico em parte do calendário, ele costuma ser um dos meses mais frios do ano no Estado. O meteorologista Luiz Nachtigall, da MetSul, explica que isso acontece porque a circulação atmosférica típica do inverno no Cone Sul se consolida nesse período, com maior frequência de massas de ar polar e noites mais longas, o que favorece o resfriamento da superfície.
Neste ano, no entanto, o cenário chama atenção. Desde a primeira semana de maio, o Rio Grande do Sul vem registrando temperaturas persistentemente abaixo da média, com uma sequência de dias frios que reforça o comportamento atípico do começo do inverno.
El Niño influencia, mas não decide sozinho
Em teoria, a atuação do El Niño deveria reduzir a intensidade do frio no Sul do Brasil. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica por meio de teleconexões e, em muitos casos, está associado a mais chuva, maior nebulosidade e temperaturas médias de inverno mais elevadas.
Mesmo assim, o fenômeno não determina sozinho o clima. A resposta atmosférica também depende da interação com outros modos de variabilidade oceânica e atmosférica, além da variabilidade natural de cada estação. Por isso, o meteorologista salienta que nenhum episódio de El Niño é igual ao outro.
Comparação com outros eventos fortes
O comportamento observado neste início de inverno contrasta com outros episódios marcantes. Em alguns anos de El Niño forte, como 2015 e 2023, o Rio Grande do Sul teve temperaturas acima da média. Já em 1997, o padrão foi diferente e junho terminou próximo da média, enquanto 1982 também apresentou comportamento menos rigoroso.
No caso atual, maio teve 13 dias com temperaturas negativas no Rio Grande do Sul, número elevado para o mês. Junho também caminha para encerrar com frio abaixo da média, impulsionado por uma onda de frio recente e por novas incursões de ar polar.
O que explica o frio de 2026?
A principal conclusão é que o El Niño aumenta a probabilidade de certos padrões de temperatura e chuva, mas não garante que eles se confirmem. O clima do Sul da América do Sul resulta da combinação de vários fatores, e o frio persistente neste ano mostra justamente a força dessa interação.
Assim, mesmo com um El Niño em atuação, o começo do inverno no Rio Grande do Sul tem sido mais gelado do que o esperado, reforçando que a atmosfera pode seguir caminhos diferentes das médias históricas.