Está presa a mulher investigada pela prática do crime de maus-tratos a animais, em Porto Alegre. A Mulher teria matadao um cachorro com golpes de picareta. A prisão foi decretada após a constatação de fatos novos e de extrema gravidade no decorrer da investigação.
A mulher foi detida na noite desta quarta-feira (13).
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Foto: Reprodução
A prisão foi decretada pela Juíza Vanessa Assis Baruffi, em atuação na 1ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre, após novo pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público com base em novos fatos identificados durante a apuração do caso.
Na decisão, a magistrada ressalta a gravidade concreta dos fatos, ao destacar que o episódio inicialmente investigado não foi isolado, mas parte de um padrão de violência e negligência sistemática contra animais.
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O rastro de violência e a descoberta do depósito de animais
O caso ganhou repercussão a partir de um crime registrado no dia 9 de novembro de 2025, quando a mulher teria atacado o cão Branquinho com uma picareta. As agressões foram fatais. No entanto, o avanço do inquérito levou os investigadores até a residência da suspeita no início deste mês.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em 4 de maio, a Polícia Civil e médicos veterinários do Gabinete da Causa Animal encontraram um cenário desolador: cerca de 35 animais, incluindo cães, gatos, cavalos e aves, viviam em condições degradantes.
Laudos descrevem uma negligência severa. Os animais não tinham acesso a água potável ou alimentação adequada, vivendo em um ambiente insalubre e em estado avançado de desnutrição.
Entre as situações mais críticas, um cão foi resgatado em estado de caquexia — uma perda extrema de peso e massa muscular — apresentando problemas de saúde gravíssimo.
Embora a mulher tenha chegado a receber liberdade provisória após a autuação em flagrante no dia 4, o agravamento das provas e a análise do comportamento reiterado levaram o Ministério Público a insistir na custódia preventiva.
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O valor da vida animal
Ao decretar a prisão, a juíza Vanessa Assis Baruffi enfatizou que a medida é necessária para a garantia da ordem pública. Para a magistrada, os registros audiovisuais, laudos veterinários e autos de apreensão comprovam que a morte de “Branquinho” a golpes de picareta não foi um surto isolado, mas parte de um comportamento patológico de violência e omissão prolongada que submetia dezenas de seres vivos ao sofrimento contínuo.
Em sua fundamentação, a juíza destacou que o Judiciário deve refletir os valores de uma sociedade que não tolera a crueldade.
“A proteção dos animais contra a crueldade e a negligência não é apenas uma questão de tutela individual de cada animal vítima: é uma questão de ordem pública, que diz respeito aos valores fundamentais da sociedade e à preservação de um ambiente em que a crueldade não seja tolerada ou naturalizada”, afirmou.