A temporada do pinhão tem início nesta quarta-feira (1º) no Rio Grande do Sul.
Na Serra, principal região produtora, a Emater/RS-Ascar projeta uma safra menor do que a do ano passado e um preço um pouco superior.
Produto ligado à cultura e tradição da região, o pinhão tem um papel importante na composição da renda ou até mesmo no sustento das famílias que se dedicam ao seu extrativismo.

Foto: Rejane Paludo/EmaterRS-Ascar
A Serra Gaúcha, a região das Hortênsias e especialmente os Campos de Cima da Serra se caracterizam como os maiores produtores de pinhão do Estado.
Na safra 2025, foram colhidas em torno de 600 toneladas de pinhão. A previsão para este ano, porém, é de que a haja uma redução na colheita na maioria dos municípios da região.
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“As estimativas, baseadas nos estudos realizados pelos extensionistas em campo, com os extrativistas e entidades relacionadas à atividade, apresentam variações significativas entre os municípios. Portanto, é essencial aferir a informação com o avanço na colheita”, esclarece a engenheira florestal da Emater/RS-Ascar Regional de Caxias do Sul, Adelaide Juvena Kegler Ramos.
A expectativa é de uma diminuição na colheita, em percentuais que variam de 12,5% a 60%. Em contrapartida, em alguns municípios, como Caxias do Sul, prevê-se a manutenção dos índices da colheita anterior e, em Canela, um crescimento na produção de até 100% em relação à safra anterior.
“A redução na safra se deve principalmente às condições climáticas durante o período de reprodução e crescimento do pinhão: secas recorrentes nos últimos anos e chuvas abundantes no final do inverno, juntamente com a alternância de produção, que é uma característica da espécie”, afirma a engenheira florestal.
As oscilações de produção da Araucária angustifólia são cíclicas. Como planta nativa, a espécie apresenta variações de produtividade, em média, a cada três anos.
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Previsões em municípios produtores
Normalmente, em anos de colheitas regulares, um dos maiores produtores é São Francisco de Paula, com uma produção anual estimada em 120 toneladas em safra normal.
Para este ano, a produção prevista é de cerca de 40 toneladas, ou seja, uma redução de mais de 60% em relação à safra anterior. O município conta com cerca de 160 famílias da agricultura familiar envolvidas na atividade de coleta e extração do pinhão.
Em Cambará do Sul, com cem famílias envolvidas na atividade, apresenta uma estimativa aproximada de produção de 36 toneladas, 40% inferior à safra do ano passado;
Os municípios de Muitos Capões, Jaquirana, Bom Jesus, São José dos Ausentes, Monte Alegre dos Campos, Pinhal da Serra, Esmeralda e Vacaria, também têm atuação significativa na atividade e preveem diminuição na safra.
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O pinhão tem destaque ainda nos municípios de Gramado, Canela e Nova Petrópolis, onde faz parte da cadeia do turismo. Devido à natureza predominantemente informal da atividade, não é possível estimar com precisão o número de famílias envolvidas e a quantidade produzida.
Na região de Passo Fundo, a safra está iniciando com normalidade de produção, com pinhas e pinhões bem formados. A colheita estimada a partir desta quarta-feira é de 130 toneladas. Os municípios que se destacam na produção de pinhão são Barracão, Caseiros, Capão Bonito do Sul, Mato Castelhano, Água Santa e Lagoa Vermelha.
Preços do pinhão em 2026
As estimativas de preços, segundo a Emater, variam conforme o município e a modalidade de comercialização, feita praticamente toda de forma informal e “in natura”.
Na Serra, o valor parte de R$ 5 ao quilo, no caso de produto entregue aos intermediários, até R$ 16 em supermercados, feiras e outros.
O beneficiamento da semente na forma de pinhão moído ou de paçoca agrega valor ao produto, que chega a R$ 20 ou R$ 30 o quilo.
O preço mínimo pago para o extrativista de pinhão neste ano, conforme a Portaria do Mapa (nº 868, de 01/12/25), é de R$ 4,63 por quilo.