A chuva intensa num curto período de tempo registrada na terça-feira (28) evidenciou o quanto áreas de São Leopoldo e Novo Hamburgo estão vulneráveis após a enchente de maio do ano passado, quando tubulações e bueiros foram obstruídos.
Em São Leopoldo, ainda na noite da terça-feira (28), acompanhado do diretor-geral do Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae), Gabriel Dias, o prefeito Heliomar Franco fez uma vistoria por algumas ruas que sofreram alagamentos.

Foto: Divulgação/Semae
Nesta quarta-feira (29), por meio de sua assessoria, Heliomar ponderou que os alagamentos registrados na terça são resultado da falta de limpeza e desobstrução dos bueiros. “Chegamos há 29 dias no governo e já retiramos 450 toneladas de lixo das ruas, mas, mesmo assim, é insuficiente em alguns locais. Temos o mapeamento de todos os pontos de alagamentos e estamos, desde que chegamos, fazendo a limpeza da sujeira deixada pela gestão anterior, com micro e macrodrenagem. Graças à união de todas as forças da Prefeitura, coordenada pela nossa Defesa Civil, ontem (terça) conseguimos minimizar os danos das chuvas”, afirmou.
“Pedimos que a população nos ajude, não largando lixos nas ruas, que nós seguiremos fazendo nossa parte”, acrescentou o prefeito.
Em Novo Hamburgo, a Prefeitura também já iniciou ações para enfrentar alagamentos que afetam bairros durante as chuvas. O prefeito Gustavo Finck determinou que as secretarias de Obras Públicas e Infraestrutura e a de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano agilizem a contratação de serviços de hidrojateamento. O objetivo é desobstruir as tubulações nos bairros Canudos e Santo Afonso.
Para viabilizar essa operação, a Administração Municipal destaca a necessidade de recursos federais e estaduais. A Prefeitura ainda está avaliando o valor necessário para a execução dessas obras emergenciais, mas ressalta que se trata de uma “megaoperação de hidrojateamento” para solucionar o problema.
A Prefeitura explica que em razão do alto volume de resíduos ainda presentes na rede, remanescente da enchente de maio do ano passado, há baixa vazão de água. Por conta disso, o excesso de chuva num curto período de tempo causa alagamentos, como o registrado na tarde de terça-feira no bairro Santo Afonso.
Semae prevê mutirões e projeta obras estruturantes para lidar com problema
O diretor-geral do Semae pondera que antes da chuva da terça-feira, ações já estavam sendo estudadas em São Leopoldo. “A gente já estava planejando um mapeamento e fazer um mutirão pra que houvesse um hidrojateamento de todas as redes da cidade. Com a chuva de terça a gente conseguiu identificar, pelos pedidos e pelos vídeos e fotos, quais são os locais mais urgentes”, destaca Dias.
“Estamos fazendo um mapa dos locais prioritários e vamos fazer mutirões. Essa será a primeira ação preventiva daqui pra frente, para conter os alagamentos”, confirmou, citando ainda que obras estruturantes também estão previstas. “Alguns locais como na rua da Escola Brinco de Princesa (no bairro Vicentina), nós precisamos fazer uma rede nova. Essa obra estruturante já está alinhada pra gente fazer”.
Dias salienta que ainda há redes entupidas pelas cheias. “Tem redes que estão mais de 50% entupidas com lodo e entulho da enchente. Então, é um trabalho de longo prazo, mas que já tínhamos iniciado e agora vamos dar mais ênfase.”
Novo Hamburgo na busca por recursos
A Prefeitura de Novo Hamburgo informa que, em decorrência dos alagamentos registrados nesta semana, a Defesa Civil está elaborando um novo relatório. Este documento servirá para fortalecer a argumentação do Município na busca por verbas que viabilizem a execução dos trabalhos necessários.
Ainda na tarde de terça-feira, o prefeito Finck conversou por telefone com o secretário de Estado da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi. Segundo a Prefeitura, o Estado sinalizou que irá auxiliar o Município. Este não é o primeiro diálogo entre os dois sobre o tema. Em 17 de janeiro, Finck já havia se reunido com Capeluppi em Porto Alegre para discutir suporte financeiro.

Foto: Susi Mello/GES-Especial
“Acho que os canos estão todos entupidos”
Moradores do bairro Santo Afonso ressaltam a urgência para realizar a limpeza ou a troca dos encanamentos nas ruas, a fim de prevenir novos alagamentos. O comerciante Luis Oscar da Rosa Barbosa, 57 anos, é um dos que pedem por alguma ação. Na manhã de quarta-feira, um dia após a água invadir a calçada de seu estabelecimento, localizado na esquina das ruas La Paz e Honduras, ele se dedicava à limpeza do local.
“Acho que os canos estão todos entupidos. Essa água teria que descer. Tem que passar um ‘mangueirão’, incluindo as boca de lobo, até chegar mais para baixo da rua”, opina.
Também na Rua La Paz, a dona de casa Jovilde Soares da Silva, 55, e seu marido, o aposentado Vitoldo Hossa, 80, também avaliam o que pode ser feito. “Os canos estão trancados, não dão conta”, observa Jovilde.
“Após a enchente de maio, cada chuva forte que dá, a água fica perto de entrar em casa. Acho que os canos são muito finos, eles não têm caimento ali na Rua Costa Rica e alaga a nossa”, conta. Alcides Bastos, 65, que mora na Rua Caracas.
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