Depois de encarar temperaturas negativas, geada e até episódios de neve no final de maio, o Rio Grande do Sul se prepara para mais uma mudança drástica no tempo. Com a memória ainda viva das enchentes que devastaram o Estado em 2024, cidades gaúchas devem se manter em alerta nos próximos dias diante da previsão de um novo período de chuvas frequentes e volumosas.

Foto: Paulo Pires/GES
Sem indicativo
Segundo a MetSul Meteorologia, o tempo firme deve predominar até a sexta-feira (13), mas já no final do dia não está descartada a ocorrência de chuva em pontos da metade Oeste do Rio Grande do Sul. É no fim de semana que o quadro se intensifica, com previsão de chuva nos três Estados do Sul, sendo os maiores volumes previstos para o território gaúcho.
A partir de segunda-feira (16), novas áreas de instabilidade devem se formar e trazer chuva para diversas regiões, especialmente no Oeste. Na terça (17), os acumulados podem ultrapassar 50 mm em 24 horas em vários municípios, com potencial para chuvas de intensidade moderada a forte. O cenário se repete na quarta-feira (18), quando a precipitação deve seguir concentrada no Estado.
“Não há um acordo entre os modelos sobre quais regiões do Rio Grande do Sul devem ter mais chuva, mas a grande maioria das simulações indica que partes do Estado podem registrar entre 100 e 200 mm com acumulados isoladamente superiores”, informa a Metsul.
A chuva começa a perder força no final da próxima semana, entre os dias 20 e 21, com chance de sol, mas por pouco tempo. Isso porque os modelos projetam que a chuva volta entre os dias 22 e 24, sobretudo na metade Norte, com acumulados expressivos, o que pode fazer com que as águas dos rios avancem para a região.
Embora ainda não haja consenso sobre quais bacias hidrográficas podem ser mais impactadas, os especialistas alertam que os volumes previstos já são suficientes para provocar alagamentos, elevação do nível dos rios e transtornos em áreas vulneráveis. O risco aumenta em caso de chuvas intensas concentradas em curto espaço de tempo.
Período de atenção
De acordo com o Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual, o Rio Grande do Sul entra em um período de atenção hidrometeorológica entre os dias 14 e 15 de junho, com chuvas moderadas a fortes, rajadas de vento intensas e possibilidade de temporais isolados. A situação atinge especialmente as regiões Norte, Vales e litoral.
O cenário é provocado pela combinação do sistema de baixa pressão no oceano com o fluxo de umidade vindo do norte do País, o que deve gerar instabilidades já na madrugada deste sábado, atingindo inicialmente as regiões Oeste, Campanha, Missões, Noroeste, Norte, Centro, Vales e Sul, e avançando para o restante do Estado.

Foto: Dário Gonçalves/Arquivo GES-Especial
CONFIRA AINDA: Grupo encerra atividades de bandeira nacional de supermercados com liquidações e promoções; saiba detalhes
As rajadas de vento podem alcançar entre 70 e 80 km/h, chegando a ultrapassar 90 km/h em pontos da metade Norte e do litoral. Os volumes de chuva previstos variam entre 50 e 70 mm/dia nas regiões Oeste, Missões e Centro, e entre 15 e 40 mm/dia nas demais áreas. Com a formação de um ciclone extratropical na madrugada deste domingo, ainda pode haver chuvas fracas a moderadas e rajadas de vento em várias regiões.
O mapa de risco divulgado pela Defesa Civil classifica a maior parte do território gaúcho sob nível de “alerta” e “atenção”, com possibilidade de instabilidades localizadas. Apenas a faixa Sul e fronteira com o Uruguai aparecem em nível normal, sem indicativo de risco relevante no período.
Até o momento, Vale do Sinos segue sem alarde
Em Novo Hamburgo, conforme o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, diante dos avisos emitidos até o momento, não há risco de cheia. Às 17 horas de quinta-feira (12), o nível do Rio dos Sinos estava em 3,32 metros. Sobre as áreas de risco para deslizamento, que se concentram no loteamento Kephas e no bairro Boa Saúde, os terrenos estão estáveis. Caso surjam situações diferentes das previstas, o Plano Municipal de Contingência de Defesa Civil está pronto para atender a população.
O mesmo cenário se apresenta em São Leopoldo, onde a Defesa Civil também acompanha os dados de previsão, mas reforça que, no momento, não há indicativos de chuva em volume que possa causar enchentes na cidade. Além disso, conforme o chefe da Defesa Civil, Márcio Uberti Moreira, a cidade não possui áreas de risco conhecidas para deslizamentos.
Canoas está monitorando em tempo real os níveis dos rios, as estações de bombeamento e os principais pontos de risco da cidade. “Apesar das chuvas previstas, até o momento não há indicação de risco de uma nova enchente”, afirma o secretário da Defesa Civil, Vanderlei Marcos. Em relação a áreas com risco de deslizamento, o secretário aponta que Canoas não apresenta regiões com histórico crítico de encostas. A Defesa Civil também mantém canais ativos para atendimento à população e publicação de boletins preventivos, com orientações de segurança por meio dos telefones (51) 3476-3400 e (51) 98255-0805.
Já em Sapiranga, o coordenador da Defesa Civil, Sírio Baum, aponta previsão de cerca de 110 mm de chuva até o fim da próxima semana, mas reforça que o município está preparado. “Este volume é o acumulado para sete dias, não é significativo para enchentes e, a princípio, Sapiranga não tem risco de deslizamentos. Se houver necessidade, ativamos nosso plano de contingência, que prevê desde abrigos até logística de alimentação”, detalha.
Paranhana não percebe risco na região
Em Igrejinha, a coordenadora da Defesa Civil, Alessandra Azambuja, afirma que o volume previsto de 78 mm, em cinco dias, não oferece risco à cidade. “Esse volume, se caísse todo em um dia, seria tranquilo para nós”, destaca. Ela acrescenta que o Rio Paranhana permanece em níveis normais. O alerta só é acionado acima dos 4 metros. “Não há risco que águas possam descer para o Paranhana porque as cidades da região vão ficar em torno disso também”, acrescenta.
Já em Três Coroas, o coordenador da Defesa Civil, Augusto Dreher, afirma que o cenário é de monitoramento contínuo, embora os dados mais recentes tenham reduzido a previsão para apenas 30 mm na cidade. “Aqui, a gente suporta tranquilamente, mas estamos sempre em alerta, com os bombeiros de sobreaviso, monitorando áreas de risco de deslizamento como a Vila Dreher e a rua Sapiranga, como sempre fazemos. Mas não há risco iminente”, esclarece
Em Taquara, a prefeitura informa que ainda não recebeu alertas dos órgãos estaduais, mas mantém ativa a estrutura do Grupo de Ação Emergencial, que reúne a Defesa Civil, forças de segurança e o Observatório Heller & Jung para monitoramento das condições climáticas. “A prefeitura, através da Secretaria de Meio Ambiente, Defesa Civil e Causa Animal, está atenta às condições climáticas para as próximas semanas”.
Caí também está tranquilo
Em Montenegro, o coordenador Clóvis Pereira afirma que o Rio Caí está em seu leito normal e não há motivo para acionamento de medidas imediatas. “A cota de alerta é 6,40 metros. A partir disso é que começamos a tomar providências”, afirma.
E MAIS: POSTO INTERDITADO: Saiba o que está sendo feito em local com bombas lacradas às margens da BR-116
A prefeitura de São Sebastião do Caí informa que, até o momento, não há alertas de risco emitidos pela Defesa Civil estadual. “Caso recebamos algum aviso ou verifiquemos que o rio está subindo, iniciamos o monitoramento. Se atingir a cota de alerta, que é de 7 metros, intensificamos a vigilância. E se se aproximar dos 10,5 metros, começamos o processo de remoção das famílias ribeirinhas”, informou o Executivo.
A administração municiapal ainda destaca que mantém a população informada por meio das redes sociais sempre que há alteração no nível do rio, além de manter a Defesa Civil local à disposição para atendimentos.
LEIA TAMBÉM