O Rio Grande do Sul vive um cenário que preocupa autoridades da área da saúde. Isso porque, em 2025, o Estado já registra o maior número de hospitalizações e mortes por gripe (influenza) desde a pandemia de H1N1, em 2009. Conforme dados Secretaria Estadual da Saúde (SES), foram registradas, até esta terça-feira (15), 2.693 hospitalizações pelo vírus da influenza e 431 óbitos confirmados. Mesmo com o inverno ainda em andamento, os números já superam todos os anos anteriores.

Foto: Laura Rolim/GES-Especial
De acordo com a SES, a situação tem se agravado pela baixa adesão à vacinação neste ano. Em números, a pasta afirma que 82% das pessoas hospitalizadas e 78% das que morreram por gripe não estavam vacinadas. Deste dado, o cenário é ainda pior quando se fala no grupo de idosos, que são os mais afetados pela doença em 2025, representando 58% das internações e 77% dos óbitos.
Nas três maiores cidades do Vale do Sinos, o cenário não é diferente do restante do Estado. Em Canoas, o município registrou 20 hospitalizações e 5 óbitos em 2025. Já Novo Hamburgo, conforme dados da SES, registrou 34 hospitalizações e 5 óbitos em decorrência da influenza. Entre as três cidades, São Leopoldo lidera em números de hospitalizações com 54 e 20 óbitos. No ranking estadual, a cidade aparece na 5ª posição no painel de dados, atrás de Caxias do Sul (1º), Porto Alegre (2º), Bento Gonçalves (3º) e Passo Fundo (4º).
Para o médico geriatra e professor de geriatria da Universidade Feevale, Leandro Minozzo, os números refletem um comportamento que começou ainda na pandemia de Covid-19, em que as pessoas pararam de buscar a vacinação influenciadas por desinformação.
“Vivemos uma época de desinformação em relação às vacinas nas redes sociais. Apesar da ciência ter comprovado os benefícios da vacina, voltou a crescer em grupos de redes sociais pessoas espalhando fake news sobre a vacina da Covid, o que impacta também em outras formas de vacinação”, observa Minozzo.
Esse compartilhamento de desinformação impacta diretamente alguns grupos prioritários, como o de idosos, que atingiu somente 53,2% de cobertura vacinal, sendo que a meta é 90%. “Hoje em dia, quem fala mal da vacina parece que é mais inteligente do que quem defende. Infelizmente, as redes sociais criam na população uma arrogância muito forte. Então, temos esse impacto comprovado da desinformação na saúde”, analisa Minozzo.
Além disso, houve também uma falsa percepção da população em relação aos impactos que a gripe pode ter na saúde. “Como nos últimos anos a situação tinha sido mais tranquila, criou-se uma expectativa de que não se precisa da vacina. A vacinação não protege 100%, mas reduz muito o impacto e a necessidade da pessoa buscar uma emergência. Outro fator importante é que quando o idoso tem uma saúde debilitada, por exemplo, a gripe pode se expandir para uma pneumonia”, explica o médico.
Apesar do cenário preocupante, Minozzo ressalta que ainda é possível reduzir o impacto da contaminação por H1N1, e procurar a vacinação está entre as principais medidas. “Nós já vimos que as pessoas hospitalizadas por influenza, a maioria não se vacinou. Vida e saúde são coisas muito preciosas. A vacina é muito importante para melhorar esse quadro. Ela reduz as hospitalizações e reduz o risco de morte”, defende o geriatra.
Além da vacinação, o médico recomenda ainda algumas dicas para se prevenir do vírus, como higienização das mãos e uso de máscaras quando estiver circulando. “Qualquer sinal de adoecimento, procure um médico o quanto antes. Evite se automedicar”, orienta Minozzo.
Vacina está disponível para todos os grupos através do SUS
Segundo a SES, a vacina contra a gripe protege contra as cepas mais recentes dos vírus influenza A (H1N1 e H3N2) e B, e a proteção começa cerca de 15 dias após a aplicação.
A dose da vacina, que é segura e gratuita, está disponível para toda a população acima de seis meses de idade desde maio. No entanto, a cobertura entre os grupos prioritários segue muito abaixo da meta de 90%. Até o momento, apenas 49,4% dos públicos prioritários (idosos, crianças pequenas e gestantes) receberam a dose anual. As pessoas podem procurar os postos de saúde para se vacinarem e se protegerem.
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