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UM ANO DAS ENCHENTES

São Sebastião do Caí busca se reerguer, mas ainda carece de sistema de proteção

Cidade foi uma das mais afetadas pela catástrofe climática de maio do ano passado

Publicado em: 05/05/2025 às 03h:00 Última atualização: 05/05/2025 às 08h:36
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Quinta cidade gaúcha que teve o maior percentual da população afetada pela enchente histórica de 2024, São Sebastião do Caí ainda carrega resquícios da catástrofe climática. Com 150 anos de emancipação completados no último dia 1º, a cidade nunca havia enfrentado algo parecido, apesar das cheias serem frequentes no município.

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UM ANO APÓS DA ENCHENTE SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ:   A casa de Bianca Camargo de Souza, 29, onde vive com o marido, o pedreiro Peterson Nogueira Kenapp, 30 anos, e dois filhos, está bem diferente de maio de 2024. A parede de alvenaria da entrada principal foi substituída por toras de madeira e um muro mais alto do que antes foi erguido com tijolos que sobraram da antiga casa. | abc+



UM ANO APÓS DA ENCHENTE SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ: A casa de Bianca Camargo de Souza, 29, onde vive com o marido, o pedreiro Peterson Nogueira Kenapp, 30 anos, e dois filhos, está bem diferente de maio de 2024. A parede de alvenaria da entrada principal foi substituída por toras de madeira e um muro mais alto do que antes foi erguido com tijolos que sobraram da antiga casa.

Foto: Susi Mello/GES-Especial

Em 2 de maio de 2024, o nível do Rio Caí atingiu 17,60 metros, a maior marca até então. O Rio Cadeia também atingiu sua maior marca, chegando aos 11,88 metros na mesma noite, inclusive cobrindo parte da Avenida Dr. Bruno Cassel, próximo ao pórtico Sul, e também a RS-122, na altura do quilômetro 11.

Após a tragédia, a cidade se mobilizou em diversas frentes. Houve a união de esforços de moradores, empresários, administração municipal, auxílios de programas estaduais e federais. Neste contexto, o espírito de solidariedade e o voluntariado foram importantes para a retomada da vida.

Na Rua Aquidaban, um ano após a cheia que deixou móveis pendurados na rede elétrica e derrubou paredes de casas, o cenário agora demonstra uma nova realidade. Os fios de energia estão no lugar e obras de construção dão uma nova cara ao lugar, embora alguns imóveis estejam desabitados porque os moradores precisaram deixá-las para viver de aluguel social.

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Solidariedade

A casa de Bianca Camargo de Souza, 29 anos, onde vive no lugar com o marido, o pedreiro Peterson Nogueira Kenapp, 30, e dois filhos. A parede de alvenaria da entrada principal foi substituída por toras de madeira e um muro mais alto do que antes foi erguido com tijolos que sobraram da antiga casa. Com os R$ 2,5 mil do programa Volta Por Cima, do governo do Estado, Bianca comprou móveis. Porém, é o voluntariado que merece destaque em sua fala.

“A gente vê as coisas que demoramos para conquistar, mas perdemos em tão pouco tempo, e dá um desânimo. Porém, somos um povo guerreiro e tivemos muita ajuda de fora. Os voluntários ajudavam com sabão em pó, a limpar a casa, davam sanduíche porque não tinha nem fogão. Vieram de outras cidades para o mutirão”, relembra Bianca. “Todo mundo foi atingido pela enchente. Quando andamos pela cidade há ainda algumas lembranças, como as marcas, as casas fechadas, porque muitos perderam suas casas.”

Prefeito espera sistema de proteção

Prefeito de São Sebastião do Caí, João Marcos Duarte Guará afirma que a prefeitura busca auxílio junto aos governos federal e estadual. Um dos focos é dar garantia para que as famílias possam sair da zona de risco. Outro é atuar na prevenção, por meio do desassoreamento de rios e arroios, além de plano de contingência. No entanto, o prefeito admite que a cidade não está preparada para algo como o que aconteceu em maio de 2024.

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“Se hoje tivesse de novo o volume de água que choveu, aconteceria tudo de novo. Talvez a gente esteja um pouco mais preparado para a forma de agir em relação à enchente. No entanto, não temos nenhum sistema de defesa, o município não tem diques, não tem nada que evitaria que essas águas pudessem chegar onde elas chegaram”, pontua.

Diante dessa fragilidade, Guará espera que recursos dos governos do Estado e federal cheguem para ter soluções viáveis para amenizar o impacto.

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“Aqui não dá mais”, diz moradora

Uma das consequências da enchente foram casas destruídas que até hoje estão fechadas. Moradora da Rua São Lourenço, no bairro Navegantes, a dona de casa Márcia Jaqueline Santos Souza, 54, deparase com vizinhos que não voltam mais e vivem de aluguel social. Ela ficou e sua luta ainda é conseguir recursos para arrumar o forro de madeira, a rachadura da parede da sala e o telhado de uma pequena área da entrada de casa. “Só tenho que comemorar a vida, porque a reconstrução está lenta para o nosso bairro”, comenta.

Ana Teresinha pretende deixar casa onde mora | abc+



Ana Teresinha pretende deixar casa onde mora

Foto: Susi Mello/GES-Especial

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Ana Teresinha Fernandes, 54 anos, mora na Rua Oderich, no Navegantes. Na área do segundo piso de sua casa é possível visualizar os estragos de casas de vizinhos e familiares, todas elas fechadas. “Estão
ajudando com aluguel social e outras casas que serão doadas”, comenta. Ela também está disposta a deixar o lugar. “Aqui não dá mais nada. O primeiro piso foi 100% tomado pelas águas e no segundo piso foi até acima da janela.”

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A enchente em números em S. S. do Caí

Atingidos: 12 mil pessoas

Desabrigados: 228 famílias, somando 715 pessoas, em quatro abrigos

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Desalojados: 5 mil pessoas

Casas alagadas: 6,5 mil

Perda das casas: 95

Bairros mais afetados: Navegantes, Quilombo e Vila Rica

Infraestrutura: Secretaria de Saúde e o INSS saíram dos antigos prédios e se fixaram na Av. Bruno Cassel Além de muitas residências, todas as farmácias, os principais supermercados, indústrias, escolas, Biblioteca Pública, Secretarias de Assistência Social e de Obras, postos de saúde e grande parte do comércio caiense foram atingidos pela enchente.

Recuperação também na cidade vizinha

Outra cidade do Vale do Caí que também está em processo de recuperação é Montenegro. O prefeito Gustavo Zanatta salienta que durante e depois das enchentes que destruíram parte da cidade, o atendimento às vítimas, em diferentes frentes, e a recuperação da infraestrutura se tornaram o grande desafio. “Com o apoio da sociedade, suas entidades e lideranças, a vida vai voltando ao normal. Há muito por fazer ainda, mas a vontade é maior”, declara Zanatta.

O município estima que o prejuízo seja superior a R$100 milhões, com 11.263 montenegrinos impactados de alguma forma pela catástrofe. Cerca de 5,3 mil casas foram atingidas pela água, resultando em perdas materiais significativas. Os bairros mais impactados foram o Industrial, Ferroviário, Olaria, Centro, Municipal, Tanac, Aeroclube e Timbaúva. Além disso, as comunidades rurais de Porto Garibaldi e Pesqueiro também sofreram com os alagamentos.

Duas escolas municipais sofreram danos estruturais significativos. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos bairros Industrial e Santo Antônio foram afetadas, com recuperação avaliada em R$ 750 mil. Ambas já foram reabertas. Também foram inundadas a 1ª Delegacia de Polícia (o prédio ainda não foi recuperado e os serviços foram remanejados) e a Escola de Formação de Soldados da Brigada, que já voltou a operar normalmente. Pelo menos 56 ruas ficaram parcial ou totalmente submersas, dificultando o acesso e a mobilidade na cidade.

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