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CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

Senai de Estância Velha completa 60 anos de formação e qualificação de profissionais

Local se tornou referência na formação de profissionais de curtimento

Publicado em: 27/05/2025 às 06h:36 Última atualização: 27/05/2025 às 06h:36
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Há 60 anos, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Estância Velha acompanha, forma e transforma a realidade da indústria local. Inaugurado em 5 de maio de 1965 como Escola de Curtimento e Centro Tecnológico do Couro, a instituição ajudou a consolidar o município como referência nacional em processos coureiros. Hoje, além de manter viva essa tradição, o Senai atua em novas frentes e forma profissionais para os desafios da indústria moderna.

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Estudantes participam de atividades teóricas e práticas | abc+



Estudantes participam de atividades teóricas e práticas

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial

A unidade abriga o Instituto Senai de Tecnologia em Couro e Meio Ambiente, um centro que alia inovação, pesquisa e consultoria técnica para empresas do setor. No mesmo espaço, jovens aprendizes, técnicos e trabalhadores se capacitam com o que há de mais moderno nas áreas de atuação. A formação alia teoria e prática com foco em sustentabilidade, segurança e produtividade.

Com o passar dos anos, a atuação do Senai também se diversificou. A formação em curtimento, tradicional na cidade, passou a conviver com cursos técnicos em Química, programas de aprendizagem industrial e capacitações rápidas voltadas para diferentes perfis. A estrutura curricular foi reformulada para dar conta da chamada Indústria 4.0, integrando conhecimentos em automação, tecnologia da informação e gestão de processos.

“Não somente em Estância Velha, houve uma descentralização desses curtumes. Eles foram para outras regiões do País, alguns até para fora. Com isso, a gente teve que buscar outras modalidades de curso, inclusive para essas pessoas poderem vir se capacitar. Mesmo no calçado, houve essa descentralização. As empresas começaram a buscar outros estados, outras regiões. Isso fez com que a gente precisasse se adaptar às novas realidades, com outras modalidades de curso, para poder atender esse mercado”, disse Alexandre Costa, gerente de operações do Senai.



Para ele, a principal diretriz da instituição é manter uma escuta ativa da indústria. Ele conta que a instituição mantém um time de profissionais responsável por mapear demandas das empresas, o que garante que os cursos estejam sempre atualizados.

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“A gente vai até o empresário, entende a necessidade e monta o conteúdo. Isso vale para grandes grupos e também para empresas menores. O curso pode ser presencial, online ou híbrido, tudo adaptado à realidade da indústria”, explicou.

Prata da casa

A conexão com o setor produtivo se reflete nas histórias de quem passou pelo Senai. Leonardo Schneider, de 24 anos, começou como aluno do curso de aprendizagem em curtimento. Após trabalhar em empresas do setor, voltou à escola como professor. Atualmente, forma novos profissionais e vê nos alunos de hoje o mesmo entusiasmo que sentia no início.

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“Quando comecei, não imaginava que voltaria como instrutor, justamente no curso que formei. É desafiador, mas também muito gratificante. Alguns alunos que ajudei a formar já estão empregados. Um deles, inclusive, assumiu meu lugar na empresa que eu trabalhava antes daqui”, contou.

O curso técnico de curtimento ainda é um dos mais procurados, junto com o de Química. Eles compartilham disciplinas iniciais, o que permite que os alunos escolham a área mais adequada ao seu perfil ao longo do caminho. As aulas incluem visitas a empresas, testes em laboratório e desenvolvimento de soluções que podem ser aplicadas diretamente na indústria.

Leonardo destaca que muitos alunos chegam ao curso com uma visão distorcida sobre o setor coureiro. Segundo ele, ainda há uma ideia de que os curtumes são lugares poluídos e ultrapassados, mas a realidade vem mudando rapidamente.

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“Hoje temos empresas com reuso de água, tratamento completo de efluentes, controle de emissões. É um setor que se modernizou muito, e a maioria dos alunos se surpreende com isso”, afirmou.

Leonardo Schneider, professor do Senai de Estância Velha | abc+



Leonardo Schneider, professor do Senai de Estância Velha

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial

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Mudando vidas

Os programas de aprendizagem cumprem um papel social importante, ao oferecer formação gratuita para jovens de 14 a 24 anos, através da Lei do Aprendiz. Segundo Alexandre Costa, muitos desses alunos vêm de contextos vulneráveis e encontram no Senai a primeira chance real de acesso ao mercado formal.

“Não é só ensinar uma técnica. A gente trabalha postura, responsabilidade, trabalho em equipe. Isso muda a vida das pessoas. Alguns alunos, às vezes, querem desistir por alguns motivos, mas a gente precisa ter em mente que aquilo que a gente começou, tem que ser feito bem feito até o final. Isso não quer dizer que tu vai seguir naquela carreira para o resto da tua vida, mas que assumiu um compromisso e vai terminar”, ressaltou.

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“O empresário, o gerente, o diretor industrial, ele não está onde está porque começou nessa função. Ele está ali porque construiu uma trajetória, inclusive passando pela escola para aprender. Ele passou por todas as etapas. Tem muita coisa bacana que o jovem pode fazer. Mas ele precisa enxergar as coisas como uma oportunidade, e não só como uma obrigação”, acrescentou.

Parceria com o pode público

Ao longo dos anos, a escola também atuou em parceria com prefeituras e entidades sociais. Projetos como o Programa Trilhas, que oferecia cursos em contraturno escolar, ajudaram a levar conhecimento a jovens que talvez nunca tivessem passado pela porta de uma indústria. Para Costa, esse tipo de ação é fundamental para democratizar o acesso à formação profissional.

A presença do Senai também é reconhecida pelo poder público. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo de Estância Velha, Gabriel Boll Berlitz, destaca que a cidade ainda tem no setor coureiro-calçadista um dos pilares da economia local, mas passou por uma transição nos últimos anos.

Segundo ele, o município atraiu novos segmentos — como móveis, estofados, vestuário e autopeças — e muitos desses empreendimentos se beneficiaram da infraestrutura técnica e do conhecimento oferecido pelo Senai.

“A gente sabe que inovação depende de pessoas qualificadas. E o Senai tem sido um grande parceiro nessa formação”, afirmou o secretário.

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