As internações causadas por Covid-19 voltaram a subir no Rio Grande do Sul após um longo período de queda e estabilização. Dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES) mostram que a partir da 27ª semana epidemiológica, mais hospitalizações foram registradas no Estado, especialmente em Porto Alegre.
Os números, atualizados nesta quarta-feira (3), apontam 430 internações em 2025 no RS, com 77 óbitos confirmados. Recentemente, o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Porto Alegre, confirmou um novo surto da doença.

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
As contaminações tiveram o primeiro caso identificado no dia 16 de agosto, com a Vigilância em Saúde notificada quatro dias depois. No total, foram confirmados 65 casos relacionados ao surto, com 14 pacientes internados e cinco trabalhadores afastados após testarem positivo.
Um idoso, que não teve a identidade divulgada, morreu no dia 28 de agosto na instituição. Ele não havia se vacinado contra a Covid-19. O segundo óbito foi confirmado na noite de segunda-feira (1º).
Visando evitar a contaminação de outros pacientes e funcionários, o HNSC restringiu temporariamente as visitas para pessoas internadas, que podem receber apenas um familiar por dia. Os visitantes devem utilizar máscaras, fornecidas pelo próprio hospital. Já parentes com sintomas de doenças respiratórias não devem comparecer ao local.
Nova cepa
Conforme o virologista e pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da Universidade Feevale, Fernando Spilki, uma nova cepa do vírus circula desde junho no Brasil. “Ela é chamada de XFG. Ainda assim, precisamos olhar isso com uma certa ressalva. Os números de internações podem estar sendo impulsionados justamente por surtos dentro de hospitais”, explica.
Spilki diz que isso acontece quando alguém contaminado é hospitalizado. “Há uma queda de barreira e outras pessoas acabam contaminadas. Isso ficou comprovado nesse caso de Porto Alegre”, reforça.
Na região, Novo Hamburgo contabilizou cinco hospitalizações pela doença em 2025, conforme dados da SES, com um óbito confirmado. Em São Leopoldo, apenas uma pessoa precisou ser hospitalizada, enquanto em Canoas foram quatro internações e dois óbitos.
Atenção
O uso de máscaras nos hospitais foi um hábito perdido ao longo do tempo. “A população não aprendeu [com a pandemia]. Um exemplo é o desuso de máscara quando está com uma doença de cunho respiratório, mesmo sabendo como o vírus se espalha”, lembra o especialista.
Spilk relata que apenas ambientes mais privilegiados, como universidades e escolas, costumam se preocupar com os cuidados para conter doenças respiratórias. “O pessoal tem esquecido até aquela higiene básica de lavar as mãos.”
Segundo o professor, avisos são necessários para retomar a conscientização de anos atrás. “Na medida que o período da pandemia vai se distanciando, ao contrário do que nós imaginamos, as ações vão diminuindo, ao contrário do que havíamos imaginado.”
Vacina continua sendo fundamental
Com cinco doses disponíveis para se imunizar, a procura segue sendo baixa nos postos de saúde.
“Precisamos estar atentos ao calendário de vacinação. Não é porque me vacinei, mas a última vacina foi há um ano, que posso me considerar imunizado. Especialmente os idosos”, completa Spilk.
No Rio Grande do Sul, 28,7 milhões de doses da vacina monovalente contra a Covid-19 foram aplicadas. Destas, 10,03 milhões são referentes a Dose 1 (D1), mas apenas 96 mil foram aplicadas na D3. Já a Bivalente teve aplicação de 1,9 milhão de doses no Estado.

Foto: Arquivo/GES
Desde 2024, a vacinação contra a Covid-19 faz parte do calendário nacional de gestantes, idosos e crianças no Brasil. Além disso, determinados grupos prioritários continuam a ter indicação de reforço periódico. Para os demais, não há mais orientação para novas doses.
Uma dose é recomendada para gestantes a cada gravidez e uma dose a cada seis meses para idosos com 60 anos ou mais. Já para crianças, o esquema primário deve ser feito entre 6 meses e 5 anos.
O ciclo pode envolver duas doses, com quatro semanas de intervalo entre elas, no caso da vacina da Moderna, ou três doses, com a segunda aplicada quatro meses depois da primeira, e a terceira oito meses após a segunda, no caso da Pfizer. Não há indicação de reforços na faixa etária.
Por fim, os grupos chamados de prioritários, que não têm calendários de rotina específicos no Programa Nacional de Imunização (PNI), os reforços continuam a ser ofertados no Brasil no esquema de “vacinação especial”. No caso dos imunocomprometidos, é indicada uma dose a cada seis meses. Para os demais, o reforço é anual.
São eles: pessoas vivendo em instituições de longa permanência; indígenas; ribeirinhos; quilombolas; puérperas; trabalhadores da saúde; pessoas com deficiência permanente; pessoas com comorbidades; pessoas privadas de liberdade; funcionários do sistema de privação de liberdade; adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas; e pessoas em situação de rua.
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