Uma viagem no tempo do brincar, onde gerações mais jovens podem conhecer e interagir com brinquedos que marcaram a infância dos pais e avós, por exemplo. Essa é a temática da nova exposição gratuita do Farol Santander, em Porto Alegre.
“Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos” traz 1.500 itens, como bonecas, jogos, carrinhos, figurinhas, ferrorama, vindos de uma diversa coleção das décadas de 1940 a 1980, da colecionadora e pesquisadora Ana Caldatto, e espaços interativos para o público brincar, incluindo bebês. A curadoria é de Gandhy Piorski.
A visitação é gratuita e acontece desde a terça-feira (14) e segue até 13 de dezembro. A mostra é apresentada pelo Ministério da Cultura e Santander Brasil, com organização da Brazimage.
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Foto: Anderson Astor/Divulgação Farol Santander
A ideia central dessa proposta é resgatar a memória da infância das gerações mais velhas, reforçando para as mais novas a importância da experimentação corporal das brincadeiras. A exposição propõe uma viagem pela história, começando em 1940 até 1980, com a coleção de brinquedos icônicos brasileiros, e ganha uma área de brincar com jogos construídos especialmente para a exposição, que relembram o brincar antigo de diversos povos.
“Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos” passou pelo Farol Santander São Paulo em novembro de 2025. Em Porto Alegre, a coleção de Ana Caldatto será expandida, está mais diversa e rica. “Como o espaço é maior, aproveitamos para apresentar outros aspectos do brinquedo e do brincar. Conseguimos evidenciar a interatividade das brincadeiras com jogos de mesa, por exemplo. Foi uma ótima oportunidade para trazermos esses elementos não só como memória, mas sim como interação direta das crianças”, conta o curador.
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Organizada em três núcleos, a mostra apresenta brinquedos produzidos em um período de expansão da indústria brasileira e de grandes mudanças sociais, econômicas e comportamentais. Para potencializar essa viagem no tempo, a exposição tem ainda ambientações com mobiliário e objetos de época, recriando contextos familiares e urbanos.
Entre as raridades estão a coleção de bonecas Susi, lançadas em 1966 e transformadas em modelos exclusivos brasileiros a partir de 1969.
Os visitantes vão encontrar o Forte Apache Casablanca/Gulliver, brinquedo clássico de Velho Oeste e que foi muito popular no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, com figuras de índios e caubóis, cavalos, cabanas e o forte em si, simulando o conflito histórico entre o Exército Americano e os Apaches.
Outro destaque é a casinha Metalma, produzida na década de 1950. Ela foi reproduzida em tamanho maior. Assim, a arquitetura foi re criada, transpondo os ambientes internos do brinquedo para as crianças explorarem o espaço.
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A coleção Playmobil foi ampliada, além de Fazendinhas e outros itens que remetem às brincadeiras de rua, como bafo, bolinha de gude e outros brinquedos, como planadores, aviões, carrinho de rolimã e trens.
Conheça os núcleos da exposição:
O nascimento da indústria e os primeiros imaginários
O período revela brinquedos associados ao cuidado da casa e às convenções de gênero, além de influências da corrida espacial, da Guerra Fria e dos primeiros filmes de espionagem. São eles: bonecas de pano, borracha, baquelite e plástico, brinquedos de lata litografada, jogos de madeira e soldadinhos de chumbo.
Entre os destaques está uma das primeiras bonecas Emília, inspirada na personagem do Sítio do Pica Pau-Amarelo, confeccionada em feltro e que foi vendida exclusivamente nas lojas Mesbla. As famosas casas de lata também estão entre os objetos principais, além de miniaturas de utensílios domésticos, como panelas.
Brincar como invenção e descoberta
Espaço dedicado aos brinquedos de microscópios, kits de química, máquinas de costura, jogos elétricos e conjuntos de engenharia que aproximam a tecnologia e a imaginação.
A evolução das bonecas também se faz presente, com destaque para a primeira boneca fashion doll do Brasil, a “Susi”, que foi produzida com roupas, chapéus, maquiagens e acessórios.
Os robôs produzidos no Brasil também ganham espaço na popularidade entre os preferidos da época. O núcleo ainda exibe uma rara miniatura do “Postinho Esso”, produzido em madeira.
Popularização do plástico, cultura pop e vida nas ruas
Com a produção em larga escala e o surgimento de novos materiais, os brinquedos passaram a circular por todo o país. Bicicletas, skates, autoramas, figurinhas, jogos de botão, bonecas de papel e eletrônicos convivem com o início dos videogames. O brincar ganha as ruas, reforçando as relações comunitárias e a troca entre crianças.
Neste ambiente, entre os destaques, estão os primeiros videogames produzidos e comercializados no Brasil, como o Telejogo Philco e o Atari, além dos famosos walk talk.
As bonecas e bonecos com articulações e automatizações, como botões e pilhas, também são referências neste período, bem como os carrinhos com sistema de locomoção automáticos. Em 1982, chega a primeira Barbie produzida em solo nacional, outro destaque deste núcleo.
Espaços interativos
Foram instalados no Grande Hall 10 jogos de mesa, alguns deles com capacidade para mais de duas crianças brincarem, apresentando uma mistura de tradições de povos e brincadeiras populares de rua, como o boliche. .
“Os jogos são intergeracionais e escolhemos essa característica porque muitas pessoas de gerações passadas conhecem. Esses jogos também exigem concentração, atenção, ou seja, que imergem a criança no processo”, explica Gandhy.
Além disso, haverá binóculos para o público observar do chão quais brinquedos estão dentro de grandes balões instalados no teto.
A instalação para os bebês (de zero a três anos) terá grandes bolas e almofadas espalhadas para se sentirem livres em explorar o ambiente. “Aqui também pensamos nas mães, como um apoio na visitação”, completa o curador.
Já o terceiro espaço, localizado à esquerda do hall, é mais expansivo com uma proposta de experimentação livre. Voltado para toda a família, terá uma grande quantidade de peças de madeira para montagem de brinquedos, como torres, cidades, estruturas, entre outros.
O acervo de Ana Caldatto
Com mais de quatro décadas dedicadas à coleção, Ana Caldatto é hoje uma referência nacional no estudo e preservação dos brinquedos brasileiros. “Me sinto uma colecionadora de emoções”, resume, ao explicar que cada peça carrega marcas de uso, memória do brincar e tem o poder de nos transportar a uma viagem ao tempo.
Seu acervo abrange itens desde os anos 1920 até os dias atuais, com foco nos brinquedos das décadas de 60, 70 e 80 – período em que o plástico democratizou o acesso ao brincar.
Serviço da exposição
Exposição Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos
Período: 14 de julho a 13 de dezembro de 2026
Local: Farol Santander Porto Alegre
Endereço: Rua Sete de Setembro, 1028 – Centro Histórico
Funcionamento: Terça a sábado, das 10h às 19h. Domingos e feriados, das 11h às 18h. Entrada permitida até 1 hora antes do fechamento.
Visitação gratuita.