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Investigação

Policial civil é acusado de traficar drogas, desviar cocaína apreendida e torturar filho de colega no Vale do Sinos

Escrivão de 30 anos já trabalhou no setor de investigação de três delegacias da região

Publicado em: 20/07/2026 às 19h:52 Última atualização: 20/07/2026 às 19h:56
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De família de classe média alta de São Leopoldo, ele ingressou na Polícia Civil em 2020, aos 24 anos, no cargo de escrivão. Logo começou a se destacar em investigações contra o crime organizado, que resultaram em expressivas apreensões de drogas. Ganhou notoriedade na instituição. No início do mês, já com passagens por três delegacias do Vale do Sinos, foi preso sob acusação de envolvimento no narcotráfico.

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Conforme investigações, agente é suspeito de desviar droga apreendida | abc+



Conforme investigações, agente é suspeito de desviar droga apreendida

Foto: Polícia Civil

De investigador a investigado, o escrivão tem pelo menos cinco inquéritos contra ele, que tratam de crimes que vão da participação direta na venda de drogas, tortura e até desvios de cocaína e maconha apreendidas em operações na região. Dois colegas são investigados como comparsas.

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“Era um guri muito bom no trabalho de rua. Levantava informações que acabavam em importantes prisões e apreensões. Chegou a ser considerado um dos melhores policiais da região, indicável para qualquer delegacia de ponta do estado”, comenta um colega que pede para não ser identificado.

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Informante virou amigo

A dúvida é se o preso entrou na Polícia já vinculado à droga ou se foi se envolvendo em decorrência do trabalho. “Um dos informantes que ele tinha no submundo passou a frequentar a casa dele como amigo”, exemplifica o mesmo colega. O informante estaria ajudando o policial a prejudicar negócios de um grupo rival. Daí vinham operações em benefício próprio.

Prestes a completar 31 anos e com seis de carreira, o escrivão segue em uma cela do Grupamento de Operações Especiais (GOE), em Porto Alegre. A prisão preventiva veio de uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil (Cogepol). O agente trocou de advogados. A atual defesa não foi localizada.

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“Não estava se adequando às diretrizes”

O escrivão começou na 1ª Delegacia de Polícia e depois passou a atuar na 2ª DP de São Leopoldo. Foi transferido da terra natal para Estância Velha, onde ficou menos de dois meses, porque o delegado da cidade, Rafael Sauthier, decidiu dispensar o agente.

“Não estava se adequando às diretrizes da delegacia”, resume Sauthier.

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No dia seguinte, 2 de julho, ao se apresentar na delegacia regional do Vale do Sinos, em São Leopoldo, por volta das 10 horas, o escrivão acabou sendo preso. Mandados de busca foram cumpridos na casa dele e também na DP de Estância, por ter sido o último local de trabalho.

A primeira investigação contra o escrivão começou há poucos meses, quando ele ainda desfrutava de prestígio. O nome do agente leopoldense teria aparecido quase que por acaso em apuração sobre tráfico. O caso foi para a Cogepol, que mantém o procedimento sob sigilo.

Até a prisão, a maioria dos colegas do Vale do Sinos não imaginava um possível envolvimento do escrivão com o crime organizado. As outras investigações transcorrem na 2ª DP de São Leopoldo e nas delegacias de Estância Velha e Charqueadas.

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Crimes de facção

A suspeita de desvios de aproximadamente 10 quilos de droga apreendida, principalmente cocaína, estaria no contexto do envolvimento com facção. A forma como conseguiu se apoderar do material e os locais são mantidos sob sigilo. Colegas passaram a suspeitar, recentemente, e quase houve briga com o escrivão em uma delegacia da região.

O crime de tortura é contra o filho de um policial civil. A vítima passou um dia sob espancamento em um mato porque teria furtado dinheiro do escrivão na casa dele, em São Leopoldo. O mesmo imóvel onde o agente costumava reunir colegas e amigos para churrascos. O nome não é publicado porque há investigações em fase inicial.

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