A Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul confirmou na noite desta quinta-feira (11) que investiga um caso suspeito de ebola em Novo Hamburgo. O paciente é um homem de 64 anos que esteve em Uganda. Ele já testou positivo para malária e está passando por tratamento. O Brasil nunca teve caso confirmado de ebola.

Foto: Dilara Irem Sancar/Anadolu/AFP
O homem é atendido no sistema de saúde e, segundo o Estado, será transferido para unidade do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) em Porto Alegre. As pessoas com as quais ele teve contato nos últimos dias já estão sendo rastreadas e monitoradas por uma força-tarefa que envolve equipes da Prefeitura e do Estado. O Ministério da Saúde já foi notificado.
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Emergência internacional
Em 16 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) devido a um surto da variante Bundibugyo na República Democrática do Congo e em Uganda. Esse mesmo tipo de alerta havia sido dado em 2019 e em 2014 por conta de outros surtos de ebola.
Nesta terça-feira (9), o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, esteve em Uganda para supervisionar as operações de saúde e reunir-se com governantes, pacientes e equipes médicas de primeira linha. A meta é blindar a região e evitar o alastramento do vírus a outros países vizinhos, como o Quênia. Balanço aponta para 19 casos confirmados em Uganda, incluindo duas mortes, e um caso provável que também resultou em óbito. Não existem evidências de transmissão comunitária em território ugandês.
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O que é ebola?
A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) é uma zoonose, cujo morcego é o reservatório mais provável. Quatro dos cinco subtipos ocorrem em hospedeiro animal nativo da África. Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinho.
A doença pelo vírus ebola é uma das mais importantes na África subsaariana, ocasionando surtos esporádicos, afetando diversos países. O agente da doença é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus, descoberto em 1976, a partir de surtos ocorridos ao sul do Sudão e norte da República Democrática do Congo (anteriormente Zaire), próximo ao Rio Ebola, mesmo nome dado ao vírus.
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Existe algum tipo mais letal da doença?
Até o momento, foram descritas cinco subespécies de vírus Ebola, sendo que quatro delas afetam humanos: vírus Ebola (Zaire Ebolavirus); Vírus Sudão (Sudão Ebolavirus); Vírus Taï Forest (Tai Forest Ebolavirus), e vírus Bundibugyo (Bundibugyo Ebolavirus). O Zaire Ebolavirus é o que apresenta a maior letalidade. A doença do vírus Ebola, conhecida anteriormente como Febre Hemorrágica Ebola, é uma doença grave, muitas vezes fatal e com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%.
Quando um caso é considerado suspeito?
Segundo o Ministério da Saúde, é quando uma pessoa vinda de país com transmissão ativa da doença nos últimos 21 dias começa a apresentar febre, podendo esta ser acompanhada de diarreia, vômitos ou sinais de hemorragia. É preciso submeter o paciente a um exame laboratorial de PCR que, no Brasil, é feito pela Fiocruz. Para que a suspeita seja descartada, são necessários dois resultados negativos com intervalo mínimo de 48 horas.
Contatos
Passam a ser monitoradas pelas autoridades de saúde pública pessoas que dormiram na mesma casa de alguém com suspeita ou com a presença do vírus confirmada; que tiveram contato físico com o infectado, mesmo que no velório; tenha tocado o sangue ou fluidos corporais de um caso durante a doença; tocado nas roupas ou lençóis de um caso; um bebê que foi amamentado pelo paciente ou então pessoa que teve relações sexuais com o paciente.
Detecção, notificação e registro
O ebola é uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, a notificação deve ser realizada pelo profissional de saúde ou pelo serviço que prestar o primeiro atendimento. O Ministério da Saúde preconiza que todo caso suspeito deve ser notificado em até 24 horas às autoridades de saúde da cidade ou do Estado.
Os principais sintomas
A infecção pelo vírus ebola ocasiona os seguintes sintomas: febre; doe de cabeça; fraqueza; diarreia; vômitos; dor abdominal; inapetência; e manifestações hemorrágicas. O período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias. No entanto, o período mediano é de 5 a 10 dias para a maior parte dos casos. Os anticorpos podem aparecer com dois dias após o início dos sintomas e desaparecer entre 30 e 168 dias após a infecção. Os pacientes tornam-se contagiosos apenas quando começam a apresentar os sintomas.

Foto: ONU/Divulgação
Situações de risco
O Ministério da Saúde diz que para a maioria das pessoas no Brasil o risco de contrair de ebola é baixo. No entanto, as chances aumentam nas seguintes hipóteses, que são os principais fatores de risco: visitar áreas nas quais há surto de ebola; realizar pesquisas em animais, principalmente primatas originários da África ou Filipinas; fornecer assistência médica ou pessoal para pessoas infectadas; preparar pessoas infectadas para o enterro, uma vez que os corpos ainda podem transmitir a doença.
Diagnóstico
O exame a ser realizado é o de PCR para o diagnóstico confirmatório de ebola. São realizadas duas coletas, sendo a segunda após 48 horas da primeira. As amostras são encaminhadas para a Fiocruz. A DVE é uma síndrome febril hemorrágica aguda cujos diagnósticos diferenciais principais são: malária, febre amarela, sarampo, desinteria bacteriana, doença de lyme, febre tifoide, shiguelose, cólera, leptospirose, peste, ricketsiose, febre recorrente, doença meningocócica, hepatite, dengue grave e outras febres hemorrágicas.
Isolamento
Pessoas diagnosticadas com ebola devem ser isoladas do público imediatamente para ajudar a prevenir a propagação do vírus. Profissionais de saúde e outras pessoas que entrarem em contato com o doente devem obrigatoriamente usar equipamento de proteção individual.
Complicações
Após a primeira semana de infecção, alguns pacientes com ebola podem se recuperar, mas habitualmente a doença evolui para formas graves. A viremia aumenta drasticamente acompanhando o agravamento do quadro clínico. Os pacientes podem desenvolver um rash cutâneo (exantema) difuso, seguido de descamação da pele. Na evolução, podem ocorrer diarreia grave, náuseas e vômitos acompanhados de dor abdominal, comprometimento das funções hepáticas e renais e, frequentemente, coagulação intravascular disseminada levando a hemorragias internas e externas variadas.
Como o vírus ebola é transmitido
A transmissão se dá por meio do contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de animais e indivíduos infectados (incluindo cadáveres), ou a partir do contato com superfícies e objetos contaminados. Destaca-se que não há registro na literatura de isolamento do vírus no suor e pelo ar, informa o Ministério da Saúde.
Não há transmissão durante o período de incubação. A transmissão só ocorre após o aparecimento dos sintomas. Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinho.
Na África, os surtos provavelmente originam-se quando pessoas têm contato ou manuseiam a carne crua de chimpanzés, gorilas infectados, morcegos, macacos, antílopes florestais e porcos-espinhos encontrados doentes ou mortos ou na floresta. Depois que uma pessoa entra em contato com um animal que tem ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outras pessoas.
O vírus ebola é transmitido pelo ar?
Não. A infecção ocorre por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais ou secreções como, por exemplo, fezes, urina, saliva, leite materno e sêmen de pessoas infectadas.
Ebola tem tratamento?
Os cuidados são de suporte precoce com hidratação e tratamento sintomático. Ainda não há tratamento licenciado comprovado para neutralizar o vírus, mas uma gama de tratamentos potenciais incluindo produtos sanguíneos, terapias imunológicas e medicamentosas estão em desenvolvimento. O tratamento, a princípio, se restringe ao controle dos sintomas e medidas de suporte/estabilização do paciente. É importante iniciar o tratamento de maneira oportuna, para aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes.
Prevenção
Segundo o Ministério da Saúde, diversas vacinas estão sendo testadas, mas nenhuma delas está disponível para uso clínico. Ainda não há tratamento licenciado comprovado para neutralizar o vírus, mas uma gama de tratamentos potenciais incluindo produtos sanguíneos, terapias imunológicas e medicamentosas estão em desenvolvimento.
O tratamento, a princípio, se restringe ao controle dos sintomas e medidas de suporte/estabilização do paciente. É importante iniciar o tratamento de maneira oportuna, para aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes, reforça o Ministério da Saúde.
Nos países onde há transmissão do ebola, a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas doentes, ou com o corpo de pessoas falecidas em decorrência dessa doença, durante rituais de velório.
As principais medidas de prevenção do ebola são: evite áreas de surto; lave as mãos com frequência; evite contato com pessoas infectadas; não manuseie corpos de pessoas infectadas.