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Trabalho análogo à escravidão: Justiça impõe mudanças à JBS em caso de exploração

Processo movido pelo MPT-RS cobra regularização de jornadas, alojamentos e registro em carteira

Publicado em: 02/10/2025 às 15h:58 Última atualização: 02/10/2025 às 15h:58
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A Vara do Trabalho de Soledade concedeu liminar contra a JBS Aves após denúncias de condições análogas à escravidão em atividades de apanha de aves. A decisão busca impedir que trabalhadores enfrentem situações de exploração.

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Justiça do Trabalho concede liminar em ação do MPT contra JBS por exploração de trabalhadores na apanha de aves  | abc+



Justiça do Trabalho concede liminar em ação do MPT contra JBS por exploração de trabalhadores na apanha de aves

Foto: Ministério Público do Trabalho

De acordo com o Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS), a ação foi ajuizada no último dia 25 de setembro, após fiscalização realizada em dezembro de 2024 com apoio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Irregularidades constatadas

Entre as violações identificadas estavam jornadas exaustivas, alojamentos precários, ausência de registro em carteira, servidão por dívidas e aliciamento de pessoas. A empresa terceirizada MRJ Prestadora de Serviços, contratada pela JBS, foi apontada como responsável pelas condições.

O juiz José Renato Stangler, da Vara do Trabalho de Soledade, determinou 17 medidas urgentes para a JBS. Entre elas, o fim da contratação de empresas irregulares e a garantia de direitos básicos como carteira assinada, pagamento em dia e alimentação adequada.

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Medidas impostas

A liminar também exige alojamentos em condições adequadas, acesso a água potável, instalações sanitárias e dimensionamento correto das equipes para evitar sobrecarga. Inspeções periódicas e fornecimento de equipamentos de proteção também passam a ser obrigatórios.

O descumprimento das determinações pode gerar multas entre R$ 10 mil e R$ 300 mil por ocorrência, com valores adicionais por trabalhador prejudicado.

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Trabalhadores resgatados

Na operação realizada no município gaúcho de Arvorezinha, 10 trabalhadores com idades entre 21 e 33 anos foram resgatados. Eles enfrentavam jornadas de até 16 horas.

Ainda conforme o MPT, os trabalhares tinham alimentação insuficiente e alojamentos sem água por semanas. Para higiene e preparo de alimentos, os funcionários precisavam coletar água de um valão ou poço próximo. 

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Responsabilização

Segundo o MPT, a JBS exercia controle total  dos cronogramas de trabalho, mas não fiscalizava as condições da apanha de aves. A empresa contratante assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), enquanto a JBS recusou acordo, levando à judicialização do caso.

Além das medidas liminares, o MPT pede a condenação da JBS ao pagamento de indenização de R$ 20 milhões por dano moral coletivo. O mérito da ação ainda será analisado pela Justiça do Trabalho.

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