Acredite: o caos que o Rio Grande do Sul viveu um ano atrás poderia ter sido pior. E justamente para evitar uma apreensão ainda maior na sociedade, essa história é contada somente agora por seus protagonistas. Uma força-tarefa sigilosa garantiu o abastecimento de energia elétrica na Região Metropolitana de Porto Alegre apesar de uma série de problemas nas linhas de transmissão.

Foto: Sulgás/Divulgação
Após atingir pela terceira vez em menos de um ano a região dos vales do Rio Pardo, Taquari e Caí, naquele 2 de maio de 2024 a enchente começou a tomar conta também de áreas mais baixas da Região Metropolitana. Nas 48 horas seguintes, além de alagar bairros inteiros de cidades como São Leopoldo, Canoas, Porto Alegre e Eldorado do Sul, a água colapsou pontos do sistema de transmissão de energia, colocando em risco o abastecimento.
O plano B, que era acionar os motores a diesel da Usina Termelétrica de Canoas – localizada junto à Refinaria Alberto Paqualini (Refap) – também não funcionou e a solução foi o gás natural. Durante as duas piores semanas da tragédia, uma parcela importante da Grande Porto Alegre foi abastecida com energia elétrica gerada em Canoas a partir do gás natural.
Força-tarefa nacional
A operação coordenada pelo Ministério de Minas e Energia contou com uma força-tarefa que reuniu a Sulgás e representantes dos governos estadual e federal, das companhias de distribuição de energia, de agências reguladoras e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Foi muito além que um simples acionamento de motores: primeiro porque gerar energia elétrica a partir do gás natural não é uma prática rotineira no Estado e, segundo, porque foi preciso gerenciar a disponibilidade de gás que chegava ao RS e era distribuído pela Sulgás aos demais clientes, incluindo hospitais e abrigos de atingidos pela enchente.
O Estado está na ponta do gasoduto que abastece o País e, por isso, recebe uma quantidade limitada de gás natural. “Foi uma atividade crítica, com reuniões e monitoramentos diários, mas que garantiu o abastecimento da termelétrica e dos clientes da Sulgás no Estado. Atendemos de forma ininterrupta todos nossos clientes industriais, comerciais e mais de 20 hospitais, 30 clínicas além de quase 30 pontos que serviram como abrigo naquele momento”, conta o diretor de operações da Sulgás, Charles de Souza Netto.

Foto: Roberto Furtado/Sulgás
Gás de outros Estados
Ao todo, cerca de 9 milhões de metros cúbicos de gás natural foram utilizados para a geração de energia elétrica durante a enchente. Esse volume inclui, por exemplo, os cerca de 200 mil metros cúbicos diários que, a partir de manobras técnicas, a SCGás (companhia de Santa Catarina) conseguiu destinar para o Estado.
“O sistema elétrico foi estressado ao máximo [na enchente]. Percebemos que esse evento causaria pânico por falta de energia e acabaria impactando outras infraestruturas que se apoiam neste serviço”, disse o diretor de energia da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do RS, Rodrigo Martins Huguenin. “A Sulgás teve papel fundamental para que o sistema [elétrico] não fosse impactado”, acrescenta.

Foto: Roberto Furtado/Sulgás
Trabalho de mergulhadores
A operação para abastecer a usina termelétrica e garantir o fornecimento de energia elétrica no Estado não foi o único desafio da Sulgás na enchente de 2024. Muitas Redes de gás natural foram afetadas pelos deslizamentos de terra na região serrana.
E na região da Grande Porto Alegre foram realizadas manutenções e manobras nos gasodutos submersos, inclusive com o trabalho de mergulhadores especializados acompanhados do Time da Sulgás.
“A segurança da comunidade é sempre nossa prioridade, ainda mais em um momento como aquele. Fizemos um trabalho preventivo muito forte, mesmo em áreas alagadas, e isso exigiu ações até então inéditas”, destaca o diretor de operações Charles. Segundo ele, após a enchente a Sulgás auxiliou condomínios residenciais atingidos, com a substituição de equipamentos e investiu mais de R$ 2 milhões na recuperação de estradas junto a seus gasodutos.
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