Escorpiões gigantes já caminharam pela Terra. Com mais de 1 metro de comprimento e pinças de 16 centímetros, o Praearcturus gigas foi o maior escorpião do mundo a caminhar e possivelmente nadar pelo planeta há 415 milhões de anos.

Foto: Franz Anthony/Museu de História Natural
Os fósseis de Praearcturus gigas já são conhecidos há décadas, mas a identidade era discutível, afirma o Museu de História Natural do Reino Unido. Um novo estudo confirmou que se trata do maior escorpião da pré-história.
O fóssil já foi visto como um isópode (pequenos crustáceos) e diferentes tipos de artrópodes (como as aranhas e alguns insetos) até ser descrito oficialmente como um escorpião nos anos 1980.
Para entender melhor, quatro pesquisadores fizeram uma revisão sobre o P. gigas comparando-o a outras espécies pré-históricas reconhecidas como escorpiões, como o Eramoscorpius brucensis, com o qual ele divide características importantes.
O estudo também sugere que, além de ser um escorpião gigante, ele poderia ter sido aquático ou até um anfíbio. A pesquisa foi publicada em junho deste ano, na revista científica Paleontology, da Associação Paleontológica.
CONFIRA: Conheça o lagarto piá: A nova espécie de 240 milhões de anos descoberta no interior do RS
Maior que cachorro de porte grande
Somente as pinças do P. gigas possuíam mais de 16 centímetros. Isso que é mais que o dobro das dos escorpiões que caminham pela Terra atualmente, que medem entre 5 e 7 cm.
Já o corpo dele media mais de 1 metro de comprimento, aproximadamente do tamanho de um Pterodátilo e até maior que um cachorro considerado de grande porte.
Alimentação terrestre e aquática
O P. gigas existiu durante o Período Devoniano, que aconteceu durante a Era Paleozóica. Foi durante essa época que as florestas começaram a surgir, assim como as sementes.
O escorpião gigante provavelmente se alimentava de pequenos artrópodes pela terra, enquanto comia peixes e outros animais maiores na água, explica o Museu de História Natural.
SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!
Vida terrestre antes até mesmo de pássaros e mamíferos
“O Praearcturus viveu quando a vida terrestre estava apenas começando e os ancestrais dos répteis, mamíferos e pássaros ainda não haviam deixado a água”, explicou o doutor Richie Howard, autor principal do estudo.
“Isso sugere que essas espécies podem ter crescido tanto por não terem outros predadores naturais, deixando que eles dominassem o ambiente”, conclui.
O que P. gigas tem a ver com início de vida complexa na Terra
A identificação do escorpião gigante garante novos insights sobre o momento em que vida complexa começou a existir no planeta.
Os dados sugerem que o P. gigas, por exemplo, possuía ancestrais terrestres, já que têm características mais ligadas aos aracnídeos. No entanto, esse escorpião gigante se locomovia como curstáceos, por exemplo caranguejos e lagostas. “Se esse for o caso, o Praearcturus é exemplo de um animal que, provavelmente, voltou para a água depois que os ancestrais já tinham evoluído para a terra.”
Nos milhões de anos depois, a vida na Terra se tornou mais complexa. Segundo o museu britânico, não se sabe até quando exatamente o P. gigas sobreviveu. Até então, os fragmentos de fósseis encontrados sugerem que ele tenha vivido ainda por mais 40 milhões anos.
No entanto, são necessários novas pesquisas e que outros fósseis sejam encontrados.