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CANOAS

28ª Semana da Pessoa com Deficiência tem piso tátil danificado do entorno de prédios públicos e pedido por mais inclusão na educação

Evento descentralizado expõe a necessidade de avanços, as lutas e os desafios de uma parcela da população que busca visibilidade e soluções para diferentes demandas

Taís Forgearini
Publicado em: 27/08/2025 às 18h:11 Última atualização: 27/08/2025 às 18h:13
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As barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência ultrapassam limitações físicas ou intelectuais, elas estão impostas no dia a dia, na carência de acessibilidade e inclusão em diferentes níveis e lugares. Canoas está na 28ª edição da Semana Municipal da Pessoa com Deficiência. O evento descentralizado, que ocorre até quinta-feira (28), expõe a necessidade de avanços, as lutas e os desafios de uma parcela da população que busca visibilidade e soluções para as demandas que abrangem desde o direito de ir e vir até serviços públicos básicos.

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Piso tátil danificado no entorno do prédio da Prefeitura de Canoas | abc+



Piso tátil danificado no entorno do prédio da Prefeitura de Canoas

Foto: Taís Forgearini/GES-Especial

Escolhida como palco da abertura oficial da Semana da Pessoa, a Praça Emancipação fica a poucos metros de calçadas com pisos táteis danificados e até com falta de blocos. A ausência de manutenção ocorre no entorno de prédios públicos, como a Prefeitura, a Câmara de Vereadores e a Biblioteca Pública João Palma da Silva. No fim de julho, a situação já havia sido reportada para a administração municipal, que, à época, informou, por meio de nota, que os reparos começariam no dia 23 de julho. Entretanto, os locais não receberam nenhuma intervenção.

“O poder público ainda está ‘engatinhando’. O retorno das demandas ainda é muito lento. Estamos trabalhando para que as pautas das pessoas com deficiência sejam levadas adiante. É uma luta constante em busca de soluções para várias coisas. É complicado. É calçada quebrada, ônibus quebrado que a rampa não funciona, por exemplo. Temos recebido constantemente denúncias sobre problemas que envolvem a acessibilidade na cidade”, destaca o presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Comdip),Dirceu Souza Malaquias.

A reportagem entrou novamente em contato com o Município, que, por meio de nota, respondeu não ter estoque de pisos táteis para reparos e reposição.

“A Prefeitura de Canoas, por meio da Subprefeitura Centro e São Luís, informa que, até o momento, não foi possível avançar com o reparo na pavimentação no local em decorrência da falta de estoque de pisos táteis. A subprefeitura já encaminhou o pedido de compra à secretaria responsável e efetuará a troca das 14 peças identificadas como faltantes nos locais citados assim que o material estiver disponível”, diz o comunicado.

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Conforme previsto em lei, a manutenção do passeio público com piso tátil, diante dos imóveis municipais, é uma atribuição do Executivo municipal.

Malaquias reforça a importância do debate coletivo sobre as demandas e desafios da causa. Ele enfatiza a importância de mais uma edição da Semana da Pessoa com Deficiência.

“É sempre uma felicidade celebrar mais um evento, mas não podemos esquecer do principal propósito, que é chamar a sociedade e o poder público para o debate na busca por mais acessibilidade e inclusão. Estima-se que 8% da população canoense [cerca de 30 mil] possua algum tipo de deficiência. O discurso precisa ser colocado em prática. Ainda há muito a fazer.”

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“Menos burocracia, mais inclusão”

Ananda da Silva, 38 anos, é uma mãe atípica. A moradora do bairro Olaria revela a luta diária por mais inclusão.

Ananda da Silva e o filho David pedem mais inclusão | abc+



Ananda da Silva e o filho David pedem mais inclusão

Foto: Taís Forgearini/GES-Especial

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“Meu filho [David, 14] é bolsista pela Prefeitura, ele é estudante da [Associação] Pestalozzi, ou seja, é um aluno do município. Porém, os atendidos da Pestalozzi e de outras instituições especiais não são chamados para atividades escolares municipais. Recentemente, tivemos a Feira de Ciências entre as escolas, mas ninguém da associação foi convidado nem para fazer visitação. A inclusão deveria ser total e ampla. Hoje, todas as instituições especiais não são consideradas escolas e sim, como assistência social. A inclusão é bonita no papel, mas, muitas vezes, ela não é colocada em prática”, desabafa a mãe.

Segundo Ananda, o problema é antigo, tendo sido repassado para a Secretaria Municipal de Educação (SME).

“Não é uma situação de governo A ou B. É de todos. Já procurei a administração municipal, mas não obtive resposta. É uma luta que segue há anos, mas infelizmente sem solução.”

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Por meio de nota, a SME afirma que o caráter inclusivo está presente de forma marcante.

“A Prefeitura de Canoas, através da Secretaria de Educação, informa que como a Feira de Ciências trata-se de um evento organizado exclusivamente para escolas municipais, não houve convite às escolas comunitárias nem às credenciadas, por se tratar de uma proposta dentro do Projeto Pedagógico da rede municipal de educação. No entanto, o caráter inclusivo está presente de forma marcante: tivemos a participação ativa de crianças atípicas, tanto na condição de visitantes, circulando e interagindo com os espaços, quanto como protagonistas, apresentando trabalhos. Essa presença reforça o compromisso com a inclusão e com a valorização da diversidade no ambiente escolar”, diz a nota.

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