
Foto: PAULO PIRES/GES
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A batizada retomada Caingangue hoje está encaminhada, com 40 indígenas vivendo no endereço na altura do número 3.000 da Avenida Santos Ferreira.
Os Caingangues se adaptaram rapidamente no local, onde garantiram água, luz e até banheiros químicos. Agora, a luta é pela posse, além da melhoria do endereço.
O processo está sob responsabilidade do Ministério Público Federal (MPF), acompanhado de perto pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Segundo o cacique Dorvalino Rejef Cardoso, integrantes do Governo Federal que estiveram no local chegaram a oferecer um novo espaço para os indígenas, mas o grupo recusou.
“Chegamos aqui com o objetivo de retomar esta área e permaneceremos por aqui”, defende. “A comunidade nos acolheu muito bem e não há motivo para ir embora.”
Conforme o líder, dos 40 indígenas no endereço, há dez crianças. Todas estão matriculadas regularmente e recebendo cuidados e atenção.
“Não tenho reclamações do pessoal do Governo que está prestando assistência”, observa. “A própria Prefeitura tem colaborado desde que chegamos.”
Semeando
Outra meta traçada pelos Caingangues é o cultivo da terra na área, considerada fértil. Eles já começaram a semear, mas o trabalho deve se intensificar.
“Há muito terreno para trabalhar, queremos ver as abóboras crescendo em uns 90 dias”, avisa. “Não tem por que um espaço tão bom servir só para acumular lixo.”
Aldeia urbana
Ao tratar do espaço indígena, em geral, vem à mente uma área de mata nativa, porém o conceito de aldeia urbana está enraizado no Brasil há, pelo menos, uma década.
É esta a proposta dos Caingangues reunidos em Canoas desde o começo de maio, quando tentaram entrar no terreno pela primeira vez.
Segundo o IBGE, grande parte da população indígena do Brasil vive nas periferias e sofre desafios ligados a desigualdades, quase sem acesso a bens e serviços.
A invisibilidade dos indígenas entrou em pauta nas últimas duas décadas, quando passaram a ser criadas as aldeias urbanas.
“A Funai supervisiona 74 pequenas aldeias somente entre o Vale dos Sinos e o Litoral Gaúcho”, explica o cacique Dorvalino. “Estamos criando mais uma.”
Funai emitirá parecer
Quem acompanha a “retomada” em Canoas é Moisés Lompa, conhecido na Funai do Rio Grande do Sul por atuar como interlocutor entre os direitos dos povos indígenas e as autoridades do Governo.
Ele confirmou à reportagem que, por se tratar de um antigo prédio do Governo Federal em situação de abandono, o processo de retomada é avaliado como seguro para garantir aos indígenas seu espaço na cidade.
“A Funai já fez um levantamento fotográfico e fundiário, observando as questões geográficas no endereço”, explica. “A partir disso, será emitido um parecer sobre o terreno.”
Sem retorno
A reportagem tentou contatar o Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Sul para saber como andam as tratativas sobre o assunto, porém, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.