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SAÚDE EM XEQUE

"A situação da saúde em Canoas é a mais grave de todos os municípios do Estado", aponta presidente do Simers sobre pagamentos em atraso

Cenário de incertezas na área é classificado como multifacetado

Taís Forgearini
Publicado em: 09/09/2025 às 12h:41 Última atualização: 09/09/2025 às 13h:26
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“A situação da saúde em Canoas é a mais grave de todos os municípios do Estado”, aponta o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias.

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O cenário de incertezas na área é classificado como multifacetado, com profissionais com salários e pagamentos em atraso, equipamentos defasados ou inoperantes para procedimentos cirúrgicos, falta de insumos básicos e medicamentos resultam em risco de desassistência à população.

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Marcelo Matias | abc+



Marcelo Matias

Foto: Paulo Pires/GES

Segundo Matias, a crise é profunda e requer atenção dos governos estadual e federal. O presidente defende intervenção na gestão plena dos hospitais.

“Comunicamos todos da Prefeitura, eles estão cientes da situação crítica. Já mandamos inúmeros ofícios sobre os honorários atrasados e as condições de trabalho insuficientes. Falta infraestrutura e insumos para os médicos exercerem suas funções. Não existe profissional que trabalhe sem receber, mas infelizmente, temos relatos de médicos [PJ] que ainda não tiveram o mês de fevereiro quitado”, destaca.

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Em junho, o Simers solicitou intervenção do governo do Estado na gestão do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC). No entanto, o pedido foi recusado pelo governador Eduardo Leite (PSD).

“Ainda temos profissionais que foram demitidos do HPSC e não receberam. O prédio segue fechado. Falta diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde. O problema da falta de pagamento dos médicos é histórico em Canoas. Seguimos em busca de retorno e diálogo para diversas questões.”

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UPAs

Para o presidente, o risco de paralisação parcial nos atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) é acompanhado com preocupação. Em Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 2 de setembro, os médicos das UPAs deliberaram pela restrição dos atendimentos a partir do dia 18 de setembro, caso a situação não seja regularizada até a data.

“Já comunicamos oficialmente a medida ao Conselho Regional de Medicina (Cremers), ao Ministério Público, à Prefeitura de Canoas e a outros órgãos competentes. Até lá, permanecemos empenhados em buscar uma solução que evite a paralisação Seguimos em busca de agenda com a Secretaria Municipal de Saúde.”

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Conforme o Simers, uma mediação foi agendada para o dia 17 de setembro no Tribunal Regional do Trabalho, com o objetivo de garantir os pagamentos devidos e assegurar a continuidade dos serviços médicos prestados à população.

Há risco de paralisação parcial nas UPAs | abc+



Há risco de paralisação parcial nas UPAs

Foto: Paulo pires/GES

Clínica da Criança

Sem pediatra, a Clínica da Criança, no Hospital Universitário (HU), segue fechada após a reabertura, ocorrida no dia 21 de julho, mediante ao repasse de R$ 1,2 milhão do governo federal. O local, com 18 leitos pediátricos, dez de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e oito de suporte respiratório, permanece sem funcionamento desde a noite do dia 23 de julho.

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“Na prática é impossível contratar. Os atrasos nos pagamentos são históricos. A desconfiança é muito grande. Veio recursos do governo federal e do Estado e nada foi feito. Piorou a situação. Eles fecharam para abrir e depois fechar de novo”, lamenta o presidente do Simers.

Espaço ficou em operação durante três dias | abc+



Espaço ficou em operação durante três dias

Foto: Vinícius Medeiros

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HU e HNSG

No início de setembro, mais de 300 médicos contratados como Pessoa Jurídica (PJ) no Hospital Universitário, em Assembleia Geral Extraordinária, votaram pela paralisação dos atendimentos eletivos a partir do dia 17 de setembro devido aos recorrentes atrasos nos pagamentos.

“O montante de valores em atraso é alto. São muitos contratos. É difícil precisar valores. Seguimos acompanhando a situação.”

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No Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Matias destaca a falta de equipamentos e insumos.

“São muitos relatos em todos os hospitais de Canoas, o HNSG também está em situação difícil a tempos. Não tem solução a curto prazo. Seguimos acionando os órgãos responsáveis para que sejam tomadas providências”, finaliza.

O que diz a Prefeitura

Procurada pela reportagem sobre quais medidas estão sendo adotadas para sanar as demandas na área da saúde, a Prefeitura de Canoas ainda não retornou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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