Uma oportunidade muito boa que vai agregar na vida profissional. É dessa forma que os jovens aprendizes Laura Santos Pereira, 16 anos, Maria Eduarda Drago da Silva e William Lopes, ambos de 18 anos, definem o Partiu Futuro Reconstrução seis meses após o início do programa estadual. Ao todo, são 250 canoenses trabalhando em repartições públicas desde dezembro do ano passado e que seguem em atividade até novembro.
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Foto: Paulo Pires/GES
Na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI), quem busca pelo setor responsável pelos Microempreendedores (MEIs) no período da manhã pode ser atendido pela Laura, estudante do 1º ano da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Affonso Charlier. “É muito legal. Eu achei que ia ser um negócio mais sério, que eu não iria poder conversar muito, mas eu posso falar, eu converso com cliente, atendo. É um ambiente muito leve. E eu sou muito grata ao projeto”, comenta.
O começou não foi fácil, mas a jovem aprendiz já está ambientada com os colegas e o serviço. “Nós tivemos um momento de curso e foi um pouco apavorante porque eles alertavam sobre muitas coisas, mas foi um aprendizado muito grande. Ao entrar aqui, na primeira semana, foi um pouco difícil, porque nunca tive contato com nenhum tipo de emprego. Mas fui me acostumando ao atendimento ao cliente. E eu gosto muito daqui”, destaca a moradora do bairro Harmonia.
Quem também está contente com o trabalho é o William, estudante do 3º ano na EEEM Bento Gonçalves, lotado na Secretaria Municipal de Segurança Pública. “Ali no pessoal da Manutenção, eu ajudo eles na parte administrativa. É uma coisa bem tranquila. Às vezes, eles precisam pegar algum relatório, fazer alguma separação, filtrar, eu consigo ajudar nessa questão. É uma força, é um braço para ajudar”, define com um sorriso no rosto.
A rotina junto de profissionais funciona como uma segunda sala de aula para os jovens antes de ingressar em definitivo no mercado de trabalho. Tudo é aprendizado. “Como eu estou na Manutenção, fala sobre câmera, alarme. Então, eu aprendi como funciona o painel, como uma câmera funciona, puxa sinal, passa a transmissão. Eles ficam conversando e eu acabo perguntando. Já explicaram sobre IP, localização, rádio. É legal, muito legal. Aqui é muito corrido. Eu estou sempre aprendendo e eles estão sempre me ensinando”, conta.
Agrega no currículo
Iniciado em novembro de 2024, o programa do governo estadual, feito em parceria com a parceria com a Demà Aprendiz — tecnologia social da Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi) — é destinado a alunos que foram atingidos pela catástrofe climática. São jovens com idades entre 14 e 22 anos em situação de vulnerabilidade social, matriculados ou egressos da rede pública de ensino e inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
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Foto: Paulo Pires/GES
Uma delas é a Maria Eduarda Drago da Silva, 18 anos, estudante de Administração em uma universidade privada, e que trabalha no setor administrativo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Recentemente, a jovem esteve envolvida na organização dos editais da pasta. “Eu tive uma grande colaboração que foram as planilhas. Chegavam as inscrições e ai eu tinha que ver os documentos, se estava tudo certo. Checar o e-mail da pessoa se era verídico. Foi bem tranquilo. Tem uma planilha financeira que também faz parte”, relata a sua rotina de trabalho.
“Foi uma oportunidade muito boa porque realmente o programa é muito bom e agrega muito na vida profissional. Na secretaria que eu trabalho, mexo muito com Excel, planilhas, e isso no mercado de trabalho de hoje é o que precisa”, frisa.
Oportunidade de ajudar em casa
Os jovens aprendizes trabalham 20 horas semanais, tendo direito a uma bolsa-auxílio de R$ 828,26, vale-alimentação de R$ 550 e todos os benefícios garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O programa também oferece acompanhamento psicológico, orientação jurídica, reforço escolar, serviço de telemedicina e seguro.
Para William, estar trabalhando é um meio de contribuir com o bem-estar da sua família, principalmente após o período da enchente. O morador do bairro Mathias Velho vive com a mãe e com a irmã mais nova.

Foto: Paulo Pires/GES
“O meu principal objetivo com o trabalho é ajuda em casa financeiramente. Com os benefícios, isso ajuda bastante. A carga horário não é muito pesada. E é uma coisa que contribui porque incentiva bastante a pessoa trabalhar. Tem o dinheiro e tudo é movido ao dinheiro. Não tem muito o pai presente e temos que ser o pai da família. Essa é a razão”, ressalta.
Na casa da Laura, no bairro Harmonia, uma parte da bolsa vai também para as contas básicas. “O meu salário em si fica um pouco para mim, mas eu ajudo em contas. Uma conta aqui, uma outra ali, e vou ajudando durante o mês. Temos o cartão alimentação que ajuda bastante e dou para os meus pais”, explica.
Mas a recompensa também alimenta a independência desses jovens. “Eu falo que todo o dinheiro que eu tenho, eu visto ou como, brinca”, brinca a jovem. “É roupa, comida, cosmético, creme para cabelo. Mas eu gosto muito de gastar o meu dinheiro comigo mesma”, reflete.
Se para William e Laura a responsabilidade dentro de casa é como filhos, para Maria Eduarda é como mãe. “Eu moro sozinha e tenho uma bebê de um ano. O que eu faço com o dinheiro são as contas básicas do dia a dia, aluguel, luz, água. Recebemos o cartão do vale-alimentação também que é um valor de R$ 550 que ajuda também, é um diferencial”, observa a moradora do Mathias Velho.
Maturidade
Acompanhando os estudantes desde o início, a gerente da Renapsi, Andrea Alves, nota a mudança de comportamento dos jovens nesses seis meses de programa. “É um balanço muito positivo. Nós vemos que não é fácil, mas o saldo é positivo. Nós conseguimos ver uma transformação de postura dos jovens muito grande e comprometimento”, afirma.
Andrea relembra que no início os estudantes acham que era mais iniciativa comum, mas foram se dando da dimensão com o tempo. “Eles veem que é um programa de verdade, um trabalho de verdade e começam a internalizar e trabalhar como profissional mesmo. Vestir a camisa dos órgãos, ter comprometimento, responsabilidade e querer aprender. Eu acho isso muito bonito.”
“A questão da postura, da comunicação verbal, comunicação corporal. Tudo isso nós conseguimos perceber uma evolução muito grande no jovem. É aos poucos. É uma sementinha que vamos plantando e regando para eles florescerem lá na frente”, completa.
Impacto em números
Desde o início do Partiu Futuro Reconstrução, já foram realizados diversas ações de assistência aos estudantes e suas famílias. O programa oferece auxílio jurídico e de saúde, conforme citado anteriormente.
- 1.573 atendimentos psicossociais
- 348 consultas via telemedicina, abrangendo especialidades como Clínica Geral, Endocrinologia, Ginecologia, Dermatologia, Ortopedia e Gastroenterologia
- 100 atendimentos jurídicos, envolvendo temas como pensão, benefícios e direitos sociais
Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Social (Sedes), Beto Fantinel, o impacto é notável neste primeiro semestre do programa. “Tenho plena convicção de que, ao final dessa jornada, esses jovens sairão mais preparados para ingressar no mercado de trabalho. Sabemos que uma das maiores barreiras enfrentadas pela juventude em situação de vulnerabilidade é justamente a falta da primeira oportunidade. Agora, eles têm a chance real de se desenvolver, adquirir experiência e se qualificar para enfrentar os desafios da vida profissional com mais segurança e autonomia.”
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