Em meio aos temporais, as 82 escolas municipais de Canoas retornaram às aulas nesta segunda-feira (17). Mas a chuva não desanimou alunos, professores e equipes diretivas para começar mais um ano letivo.
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Foto: Paulo Pires/GES
Na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Carmem Ferreira, no bairro Harmonia, as turmas de berçário, maternal e jardim foram recebidas com lembrancinhas feitas pelas professoras. Todo o espaço passou por troca de piso e pintura para o retorno das atividades.
O pequeno Vicente, 4 anos, que gosta de brincar de avião e de comer arroz e feijão, está feliz em voltar. “Eu gostei da escola porque ela está nova”, conta, enquanto brinca com os colegas Lucas e Bianca na turma do Jardim II.
Para a diretora Pauline Conceição Marinho, que está na instituição há 13 anos, a reforma foi importante para todos. “Isso nos motivou porque já estávamos esperando há um tempo. Preparamos uma recepção para eles terem um aconchego. Nós sabemos que quando eles ficam longe acabam desacostumando”, afirma.
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Foto: Paulo Pires/GES
A escola recebe cerca de 140 crianças, entre 1 mês e 6 anos, que moram no Harmonia e no Mathias Velho. “É uma escola que está no meio dos dois bairros, então contempla os dois lados”, observa. Por sua localização, a instituição foi atingida pela enchente e agora busca ter um ano melhor.
“Um dos nossos desafios é recomeçar, tentar esquecer o máximo o que aconteceu. É tornar a escola mais acolhedora. Se recuperar é um desafio”, ressalta a diretora.
“Ainda temos lacunas para preencher”
Os desafios também vão ser enfrentados pela comunidade da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Gonçalves Dias, também no bairro Harmonia, que recebe 415 alunos. Segundo o diretor Josué Schumacher, as questões pedagógicas e de infraestrutura vão ditar o andamento do ano letivo.
“Tem a retomada da aprendizagem. Eles vêm de uma defasagem desde a pandemia e com a enchente ficaram três meses sem aula. Tem o desafio de retomar isso, fazer eles estarem de acordo com o ano que estão estudando”, explica.

Foto: Paulo Pires/GES
Na parte estrutural, a escola chegou a ter 2,30m de água durante a enchente. Com isso, todo o primeiro andar foi danificado, entre salas de aula e setor administrativo. As reformas do ano passado e de janeiro ajudaram a escola a se restabelecer. “Ainda temos lacunas para preencher. Temos salas para serem reformadas. Mas, conseguimos salvar os chromebooks e telas interativas, o que é muito importante”, conta.
Um dos espaços que ainda voltou às atividades é a biblioteca. O diretor mostra que uma das salas está abrigando livros doados, já que todo o acervo foi perdido. Mas, o mais importante está ao alcance das mãos. “Os alunos fizeram um livro ano passado com relatos da enchente. As professoras organizaram, corrigiram. São histórias da noite da enchente, algumas maiores ou menores. É para ficar registrado o que aconteceu.”

Foto: Paulo Pires/GES
Além das doações de livros, os estudantes receberam kits da Secretaria Municipal de Educação (SME) e de uma empresa. São mochilas com materiais escolares para todos. “A doação veio ano passado, mas foi tão grande que conseguimos dividir e também distribuir neste início de ano. Sabemos que muitos não têm condições de estar comprando”, relata Josué.
Para esta volta às aulas, fica a expectativa de um ano melhor. A aluna do 9º ano A, Kerolin da Silva Moraes, 16 anos, está contente com o retorno. “Empolgante. Que seja um ano melhor que o anterior. A escola está bem legal, tem coisas novas. Espero que todos possam cuidar para continuar assim”, comenta.
Recepção com música
Para os estudantes nesta retomada, a Emef Gonçalves Dias recebeu o projeto Trilha Sonora nas Escolas, que apresenta músicas de filmes, jogos e animais de forma instrumental. Teclado, guitarra, baixo, violino e bateria tocaram canções como We Will Rock You, do Queen, e o medley de Star Wars.

Foto: Paulo Pires/GES
O projeto é financiado pelo Programa de Incentivo à Cultura (PIC) e pela Prefeitura de Canoas. Nesta tarde, será a vez da Emef Max Oderich receber os músicos.
Sem celular nas escolas
As reformas não são a única novidade neste início de ano letivo. Os 29.896 alunos da rede municipal precisam agora seguir a regra de não usar o celular durante as aulas e no horário de intervalo. A ordem vem de leis municipal e federal.
Conforme informado pela secretária de Educação (SME), Beth Colombo, a determinação é seguir o que diz a lei. Na Emei Carmem Ferreira, o não uso de celular já é uma prática. “Evitamos ao máximo a questão das telas. É fazer eles brincarem, terem contato com a natureza e socializar com as diferentes turmas. O que queremos é fazer uma atividade com os pais sobre isso”, diz a diretora Pauline.
Falar com os pais também é uma proposta na Emef Gonçalves Dias. “Vamos fazer valer a lei, cumprir o que foi definido. Concordo que atrapalhava. Como falei antes, precisamos retomar o aprendizado e usar o celular atrapalha. E temos tecnologia para uso pedagógico. Não é pela falta do celular que eles vão deixar de ter tecnologia na escola”, reforça.