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Cultura

"Aqui Lana Del Rey e Gal Costa têm o mesmo espaço": Prisma Discos está prestes a completar 40 anos

Aos 72 anos, Cláudio Berzagui celebra vendas dos antigos discos de vinil em plena era digital

Publicado em: 13/10/2025 às 12h:57
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Décadas antes do surgimento do Spotfy, a população valia-se do rádio, da compra de discos de vinil e de fitas cassete para ouvir música. Não bastavam alguns cliques no aparelho celular para escutar um som predileto.

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Assim, era preciso esperar que um sucesso tocasse na rádio ou tentar comprar o disco, o que significava uma busca que nem sempre garantia resultado. Às vezes, havia a necessidade de garimpar em várias lojas até encontrar o álbum ou artista almejado.

Cláudio Berzagui desafia o tempo ao vender os anacrônicos bolachões em sua loja no Centro de Canoas | abc+



Cláudio Berzagui desafia o tempo ao vender os anacrônicos bolachões em sua loja no Centro de Canoas

Foto: PAULO PIRES/GES

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Tudo isso é passado, mas Canoas possui uma loja que é sinônimo de nostalgia. Prestes a completar 40 anos, a Prisma Discos garante uma viagem de volta ao passado em que homens e mulheres precisavam cuidadosamente colocar um bolachão na vitrola se quisessem curtir a boa música em casa.

Proprietário da loja, Cláudio Berzagui explica que há anos a Prisma deixou de ser um simples ponto comercial e entrou no roteiro cultural de muitos gaúchos, já que recebe pessoas vindas várias partes do Estado.

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“A Prisma é uma das poucas lojas no Rio Grande do Sul que se mantém aberta, vendendo o mesmo material que era vendido há 40 anos”, explica. “As pessoas vêm de longe, então, nem que seja para circular e lembrar como era antigamente”.

Os colecionadores, entretanto, são público à parte. Isso porque, como apreciadores da boa música, entram na loja com tempo e dinheiro para gastar em álbuns que consideram essenciais para uma coleção.

“O movimento é maior sempre aos sábados, porque é quando colecionadores e interessados têm mais tempo para vir na loja, vasculhar tudo, conversar”, aponta. “Atendo a todos, é claro, sempre com o maior prazer. Porque são pessoas que, assim como eu, não se contentam com o som metálico que sai do aparelho celular”.

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Enciclopédico

Aos 72 anos, o ex-professor Cláudio Berzagui é uma verdadeira enciclopédia musical. Cita músicos, cantores, discos e datas de lançamento de cor, o que em si já é atrativo para muitos clientes que procuram a loja.

“Não montei uma loja de discos pensando em ficar milionário”, brinca. “Não vou negar, então, que há muitos que só entram para conversar sobre rock antigo. Por mim, está tudo bem. Por isso, ao longo dos anos, mais que conquistar clientes, fiz muitos amigos”.

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Se a Prisma Discos soma sucesso há décadas, por que Cláudio nunca mudou de endereço? Permanece no segundo andar da Rua Tiradentes 130, a poucos metros do Calçadão, no Centro de Canoas.

“Muitos clientes disseram, ao longo dos anos, que eu poderia ter mais visibilidade, caso levasse a loja para um prédio na altura da calçada”, observa. “Mas continuo no mesmo lugar. Tenho um público-alvo que conhece bem o endereço. Recebo somente quem gosta e se interessa”.

Peregrinação

Quem está acostumado ao acesso rápido à cultura por meio on-line hoje em dia, deve estranhar saber que, há pouco mais de quatro décadas, não era fácil se aventurar na venda de discos.

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Cláudio lembra que, no começo da década de 80, época em que era professor, saía da capital Porto Alegre em direção a países vizinhos para buscar discos que fomentassem o pequeno negócio de venda que arquitetava.

“Hoje, com um mínimo de esforço, consigo garantir um álbum importado de um artista internacional”, afirma. “Porém, na época, eu dava aulas durante a semana e aos sábados e domingos virava mochileiro para ir buscar discos em países vizinhos na América Latina”.

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Com o tempo, o negócio prosperou. A abertura da loja em Canoas acabou sendo uma consequência do enorme acervo montado com novidades, clássicos e raridades da música brasileira e internacional.

“Os caras vinham a Canoas buscar coisas que eles não encontravam em nenhuma loja do Rio Grande do Sul”, explica. “Estou falando de outro tempo, quando o lançamento de um disco gerava ansiedade, com os fãs de determinada banda ou música batendo na porta da loja antes mesmo que ela abrisse”.

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Público jovem

Cláudio diz que, nos últimos anos, uma mudança chamou a atenção, com jovens na faixa etária entre 14 e 17 anos procurando discos de divas pop como Taylor Swift, Olivia Rodrigo, Lana Del Rey e Ariana Grande.

“Eu já vendi três discos somente do novo álbum da Olivia Rodrigo”, aponta. “São discos caros, porque todos são importados. Não são produzidos no Brasil. Então, há clientes que encomendam. Entram na loja pedindo a Taylor Swift”, brinca.

Os mesmos adolescentes interessados em divas da cultura pop possuem um conhecimento que os leva a questionar o dono da loja sobre Chico Buarque, Caetano Veloso e Gal Costa, atualmente ouvida na novela Vale Tudo.

“O jovem de hoje está mais esclarecido e seleto ao que vai ouvir”, observa. “Como o acesso à informação é rápido, acabam buscando aqui na loja aquilo que não está na internet. Perguntam por uma cantora americana e brasileira, às vezes, ao mesmo tempo. Isso não é problema porque aqui Lana Del Rey e Gal Costa têm o mesmo espaço”.

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