Embora não tenha sido considerado um acidente de trânsito, mas, sim, um homicídio, a morte de Guilherme Joaquim da Silva, 19 anos, na Avenida Boqueirão, no último dia 31, gerou manifestações de motociclistas e reacendeu a discussão em torno da segurança da categoria na cidade.

Foto: Bruna Ourique/PMC
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Recentemente, o prefeito de Canoas, Airton Souza, e o secretário de Mobilidade Urbana, Thiago Moyses, receberam representantes dos trabalhadores na sede da Prefeitura para debater temas pertinentes à classe. No centro da discussão, está a criação de faixas azuis de trânsito exclusivas para motociclistas.
A faixa azul para moto é uma sinalização específica utilizada para orientar o fluxo de tráfego de motocicletas. Implantada inicialmente em diversas ruas e avenidas de São Paulo, essa faixa tem como principal objetivo promover um trânsito mais seguro e organizado para os motoristas.
Segundo o secretário Thiago Moyses, o tema é relevante e deve ganhar um estudo sério. Em sua avaliação, os trabalhadores hoje movem marcas e empresas. São a “força motriz” por trás até mesmo de parte de indústrias, merecendo um olhar diferenciado.
“Na pandemia, nós estávamos em casa e eles estavam na rua. Hoje eles são a força motora do trabalho. Não dá para imaginar hoje sem um entregador em uma moto”, reforça. “Precisamos dar todo o apoio que a categoria merece.
O secretário confirmou ter conversado com representantes do Sindicato dos Motociclistas Profissionais (Sindimoto-RS), que defendeu uma série de pautas, sendo a faixa azul, sem dúvida, a mais importante delas.
“A Prefeitura de Canoas vai iniciar um estudo e irá tentar fazer, sim”, confirma. “A pauta é importante e há cidades no Brasil que se valem do recurso, porque é garantia da redução de acidentes”.
Avaliação
Ainda segundo o secretário, houve pedidos também para a criação de locais de descanso, instalação de bolsões exclusivos para motocicletas nos semáforos, além da criação de cursos que garantam à categoria profissionalização e identificação.
“Todas as demandas solicitadas visam atender aqueles profissionais que se valem da motocicleta para trabalhar ou mesmo para se deslocar de casa para o trabalho”, destaca Moyses. “Tudo está sendo estudado e cada assunto ganhará a atenção que a categoria merece”, garante.
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Uma basta na disputa entre carros e motos
Presidente do Sindimoto-RS, Valter Ferreira disse ter sido surpreendido com a atenção dada à categoria. Isso porque representantes do Sindicato vem tentando há anos conversar com a administração sobre as pautas.
“É importante deixar claro que a pauta discutida agora com a Prefeitura de Canoas não é nova”, afirma. “Acontece que apenas não havia abertura e ninguém estava interessado em ouvir o que tínhamos a dizer antes”.
Ferreira lamenta o trágico episódio que culminou na morte do motoboy Guilherme Joaquim da Silva. Ele defende que são necessárias mudanças para impedir que novas mortes como a que aconteceu no mês passado.
“Ninguém está trabalhando pautado por uma morte recente, mas, sim, por estatísticas horrendas no Estado não apenas de óbitos. Há igualmente mutilações severas, porque o motociclista perde braços e pernas no trânsito”.
Na avaliação do presidente, a faixa azul é uma realidade que vem ganhando suporte em grandes cidades do Brasil por ser, comprovadamente, uma iniciativa que reduz em, pelo menos, 50% o número de acidentes.
“São Paulo capital começou a trabalhar com a faixa azul e viu os números de acidentes envolvendo motociclistas despencarem pela metade”, aponta. “Temos que dar um basta na disputa que existe entre carros e motos no trânsito”.
Ideia que veio da Ásia
A faixa azul para moto foi criada após uma viagem de uma comitiva da Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) de São Paulo à Àsia. A ideia implementada na capital paulista foi adaptada para melhorar a segurança e a organização do tráfego de motocicletas.
Por meio do balizamento de orientação, a faixa azul direciona os motociclistas para áreas designadas, reduzindo o risco de acidentes e conflitos com outros veículos como acontece no dia a dia do trânsito.
A capital Porto Alegre já trabalha em um projeto para a implementação da faixa azul. A EPTC informou no final do ano passado o envio de ofício à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) solicitando autorização para iniciar uma pista piloto.
Ocorrências envolvendo motociclistas passaram de 1,5 mil em 2024
A preocupação do presidente do Sindimoto-RS com a segurança dos motociclistas está em expressa em números. No ano passado, foram 1.594 sinistros de trânsito envolvendo motos em Canoas. Os dados foram enviados pela Prefeitura de Canoas e fornecidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria de Segurança Pública (SSP), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) e Brigada Militar (BM).
Colisão – 1.144
Abalroamento – 200
Queda – 84
Choque – 78
Outros – 32
Atropelamento – 31
Tombamento – 23
Atropelamento de animal – 1
Capotamento – 1
Total – 1.594
As cinco vias com mais ocorrências são BR-116 (150); Avenida Boqueirão (115); Avenida Santos Ferreira (80); Avenida Getúlio Vargas (47); e Avenida Rio Grande do Sul (47). Em 2024, os órgãos também registraram dez mortes envolvendo motocicletas na cidade.