O município de Canoas promoveu nesta quinta-feira (5) o 1º Fórum de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Realizado no Teatro Sesc, o evento debateu o aumento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul e o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.

Foto: Paulo Pires/GES
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Promovido pela Secretaria da Mulher, Cidadania e Inclusão, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o fórum, com o tema “Violência contra a mulher: um olhar através da educação”, contou com painéis temáticos com autoridades e profissionais que atuam na rede de proteção às mulheres.
Com o intuito de conscientizar por meio da educação, alunos das escolas municipais Tiago Wurth, Paulo VI, Guajuviras e Nancy Panseira participaram do encontro.
“Se a violência começa na formação, é na formação que precisa ser enfrentada. A educação não é um acessório, é uma estratégia de sobrevivência. O feminicídio não é uma tragédia inevitável; é uma consequência de escolhas sociais. A verdadeira revolução contra a violência doméstica começa dentro da sala de aula e através do esforço conjunto de todos”, destacou a secretária municipal da Mulher, Cidadania e Inclusão, Maria Beatris Conter Arruda.
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Durante o encontro, a vice-presidente Cultural da Ajuris e titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Porto Alegre, Madgéli Frantz Machado, abordou o enfrentamento da violência no âmbito da reeducação dos autores de violência contra as mulheres.
“Temos grupos reflexivos de gênero no âmbito dos juizados de violência doméstica de Porto Alegre. Desde 2011, o Projeto Borboleta, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul [TJRS], atua na reeducação de agressores através de grupos reflexivos e realiza ações preventivas em escolas, visando romper o ciclo de violência.”
Madgéli também reforçou como objetivo do projeto a erradicação da violência contra a mulher, oferecendo acolhimento psicológico e jurídico, além de grupos de arteterapia, oficinas e cursos profissionalizantes para resgatar a autoestima e promover a autonomia financeira.
A delegada de carreira e diretora do Departamento de Articulação, Cuidado Integral e Promoção e Autonomia Econômica da Secretaria Estadual das Mulheres, Márcia Scherer, enfatizou a importância de que os municípios tenham secretarias de suporte às mulheres.
“Acreditamos que fortalecer as políticas de enfrentamento nos municípios é essencial para termos uma resposta a curto prazo e efetiva. Ainda há muito a ser feito. Tudo isso que vemos é resultado de uma cultura secular do machismo. Temos que desconstruir os valores do patriarcado, que não fazem bem à sociedade.”
O Fórum também recebeu a advogada Gisele Uequed, que atua na área de Família pelo Programa Por Mim; a juíza Andréa Pinto Goedert, titular do Juizado da Violência Doméstica de Canoas; a soldado Suzamara Muller Lages, integrante da Patrulha Maria da Penha; e o depoimento da ex-secretária municipal Camila Nascimento Nunes. Além da participação do prefeito Airton Souza e vereadores de Canoas.
Tipos de violência
A coordenadoria do CRM de Canoas chama a atenção para o fato de quem nem sempre a violência é uma agressão física. Por isso, o centro produziu um folheto com os cinco tipos de violência elencados na Lei Maria da Penha. Confira:
- Violência física: bater, arremessar objetos, sacudir, apertar os braços, estrangular/sufocar, cortar/perfurar, queimar.
Violência psicológica: ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, limitação do direito de ir e vir.
Violência sexual: obrigar a mulher a fazer ou presenciar atos sexuais, forçar o aborto ou a prosseguir com uma gestão, impedir o uso de métodos contraceptivos.
Violência moral: expor a vida íntima, desferir críticas mentirosas, rebaixar a mulher com xingamentos sobre sua índole, desacreditar de uma vítima pela sua vestimenta. - Violência patrimonial: retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens ou valores da mulher.
Como denunciar
Disque Mulher – (51) 99275-8146
Brigada Militar – ligue 190
Guarda Civil Municipal – ligue 153
Central de Atendimento à Mulher – ligue 180
Disque Mulher Canoas – (51) 99275-8146
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) – Plantão (51) 99859-0943
Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) – 3425-9000 – atendimento 24 horas, todos os dias.
Canais de apoio
Localizado na Rua Siqueira Campos, 321, Centro, o Centro de Referência da Mulher (CRM) Patrícia Esber disponibiliza um serviço de acolhimento e acompanhamento, com equipe multidisciplinar, para atendimento às mulheres em vulnerabilidade social e vítimas de todas as formas de violência contra as mulheres.
O espaço atende mulheres adultas de todas as faixas etárias e adolescentes a partir de 14 anos completos. Todos os serviços oferecidos são gratuitos. O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, e aos sábados, das 8 às 12 horas. Telefones para contato: (51) 3464-0706 – WhatsApp: (51) 99815-3503.
SILÊNCIO APRISIONA. INFORMAÇÃO LIBERTA. DENUNCIE! LIGUE 180.
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