Há mais de 50 anos vivendo em Canoas, Bráulio José Silva ainda se recupera do impacto causado pela enchente no ano passado. Acabou acordando, na manhã desta quarta-feira (18), com a casa alagada novamente, um ano após a tragédia.

Foto: PAULO PIRES/GES
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“Não é possível que não fizeram nada e o povo, mais uma vez, precisa sair de casa com uma muda de roupa debaixo do braço”, diz o trabalhador com 58 anos. “Será que a gente já não sofreu o bastante?”
O sentimento de revolta, no Mathias Velho, perdura. Isso porque, um ano após o bairro se tornar o epicentro da tragédia, durante as cheias, a população novamente se viu precisando sair de casa.
Segundo a Secretaria Municipal de Defesa Civil e Resiliência Climática, Canoas registrou choveu 69 milímetros de chuva em apenas 4 horas, nesta quarta-feira, o que teve como consequência alagamentos também no Rio Branco, Fátima, Mato Grande, Cinco Colônias e Harmonia.
“Desde o início, tínhamos previsão de que, na madrugada desta quarta, seria o ponto mais crítico desta semana”, explica o secretário da Defesa Civil, Vanderlei Marcos. “Segundo as estações meteorológicas, choveu da meia-noite até quatro da manhã, só no bairro Matias Velho, 68 milímetros”.
Para piorar a situação, ainda na parte da manhã, houve uma queda de energia elétrica que resultou em uma parada em curto período – cerca de meia hora -, conforme a Administração, nos motores da Casa de Bombas de número 6.
Também moradora do Mathias, Sandra Regina Alves, 57 anos, observava a água avançar dentro de casa com o coração na mão. Ela cuidava de duas crianças e um bebê no momento em que o alagamento tomou a Avenida Rio Grande do Sul.
“Eu não sei se vão escoar esta água ou encaminhar algum barco para tirar a gente de casa, mas a situação é complicada, porque não tenho para onde ir e a água não para de subir”, lamentou.
Prejuízo
Comerciantes e lojistas que trabalham na Avenida Rio Grande do Sul, principal via do Mathias Velho, também sofreram duro golpe nesta quarta-feira.
Diante de novas perdas no negócio devido à água que ameaçava invadir a loja, Dener Bisso, 27 anos, criou uma barreira com casos de areia e brita.
“Dá aquele sentimento ruim de passar todo o pesadelo de novo”, lamentou. “Improvisei os sacos, mas se água continuar subindo, vai invadir de novo.”
Trabalho
Ao circular pelos bairros atingidos, a reportagem do DC pode constatar as máquinas da Prefeitura de Canoas em ação. Havia escavadeiras e caminhões de hidrojateamento nos bairros Mathias Velho e Harmonia desde cedo.
Segundo o prefeito Airton Souza, equipes da Prefeitura trabalharam noite adentro, visando dirimir o impacto causado pelo excesso de chuva, principalmente, no lado oeste da cidade.
“As ações preventivas estão sendo feitas. Passamos a noite trabalhando, todo mundo na rua, sem dormir”, garantiu. “Os nossos hidrojatos estão desobstruindo a nossa rede de esgoto em alguns pontos.”