Professores e demais profissionais da educação municipal lotaram a Praça da Emancipação, no Centro de Canoas, nesta terça-feira (14). Uma manifestação da categoria fez barulho na frente da Prefeitura, solicitando que as demandas apresentadas sejam atendidas. Como parte do ato, também houve suspensão das atividades em diversas escolas.
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Foto: Leandro Domingos/GES-Especial
Com apitaço, bandeiras e cartazes, os profissionais reivindicaram reposição salarial, pagamento do piso nacional do magistério, aplicação da lei do “Descongela” e valorização profissional. A contratação de monitores, a agilização no processo de contratação dos professores concursados e a aplicação da Lei nº 15.326/2026 também estão na pauta.
A movimentação começou por volta do meio-dia e durou cerca de duas horas. Depois, centenas de manifestantes deram a volta no quarteirão e seguiram com palavras de ordem na frente do Paço Municipal. A solicitação é a apresentação de propostas concretas para os pedidos. A mobilização durou até o final da tarde.
O ato é organizado pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan). Para a presidente, Simone Riet Goulart, a manifestação reafirma a luta pelos direitos. “Queremos profissionais em sala de aula e condições de trabalho. Chega de promessas, nós queremos soluções”, destaca.
O que diz a Prefeitura de Canoas
Na tarde desta terça-feira, enquanto a manifestação ainda ocorria, a administração municipal de manifestou por meio de nota. Confira:
A Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal de Educação, manifesta seu apoio aos professores da Rede Municipal de Ensino, que aderiram à paralisação nacional, realizada nesta terça-feira (14). Um ofício, assinado pelo prefeito Airton Souza e pela secretária de Educação, Beth Colombo, foi enviado ao Sinprocan na segunda-feira (13) informando o posicionamento da Administração Municipal às pautas solicitadas pelos profissionais da rede, prezando pela manutenção de um canal de diálogo permanente, transparente e respeitoso.
A valorização dos profissionais da educação, em particular, é um pilar fundamental da nossa gestão, pois compreendemos que a qualidade do ensino ofertado à nossa comunidade está diretamente ligada às condições de trabalho e à justa remuneração dos nossos educadores.
“Os professores estão esgotados”
A manifestação ainda nem tinha começado, mas a técnica em educação básica Natália de Moura Azevedo já estava com o seu cartaz. A profissional aderiu à paralisação junto com as demais colegas da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Alcy Paulo de Oliveira (Cica), localizada no Mato Grande.
“Faltam muitos professores. Temos profissionais que estão cedidos de outras escolas. E nós que somos Tebs [técnica em educação básica] ficamos sozinhos com os alunos. São seis, sete alunos de inclusão para um monitor. Os professores estão esgotados porque é muita carga de trabalho”, relata.

Foto: Leandro Domingos/GES-Especial
Atualmente, a Emef Cica conta com cerca de 220 alunos, mas o número de professores não chega a 20. A demanda por mais profissionais também acontece na Emef Irmão Pedro, localizada no bairro Estância Velha, que tem cerca de mil alunos.
Segundo a professora Márcia Falk, são apenas dois monitores de inclusão. “E cada vez aumenta mais a demanda”, observa. Para ela, a manifestação é uma oportunidade. “A chance é agora. Já passou da hora de se mobilizar. Estamos aguentando isso há muito tempo”, desabafa.
Demandas
Os pedidos dos professores e demais profissionais da educação municipal não são novidades. As demandas já haviam sido encaminhadas ao Executivo há bastante tempo. Na pauta estão a reposição salarial, o pagamento do piso nacional do magistério e a valorização da categoria.
Ainda nas finanças, a categoria solicita a aplicação da Lei Complementar nº 226/2026, conhecida como a Lei do Descongela. A medida autoriza o pagamento retroativo de quinquênios, anuênios, triênios, sextas-partes e licenças-prêmios a servidores dos âmbitos federal, estadual e municipal.
Esses direitos haviam sido suspensos na pandemia de Covid-19. Agora, o funcionalismo municipal – não apenas os professores – pedem que a Prefeitura de Canoas garanta esses benefícios.
Outra legislação também sancionada neste ano entrou na pauta. A Lei nº 15.326/2026 inclui professores da educação infantil como profissionais do magistério. A mudança interfere pouco nas tarefas do dia a dia, segundo técnica em educação básica Carina Trindade Moreira.
“Nós temos magistério e assumimos a turma praticamente sozinha e cobrimos o planejamento dos professores. Nós trabalhamos fazendo a higienização e a comida, sendo que esses monitores que vão ser contratados não vão poder fazer isso. Então, essa leio veio para complementar isso.”
Na prática, solicita-se que a Prefeitura faça a equiparação salarial, segundo a profissional da Emei Tia Maria Lúcia, no Niterói. “Os municípios têm que se adequar à lei. A Prefeitura paga 30% do nosso salário e o restante é Fundeb. Só que o prefeito diz que não tem verba e que não reconhece a gente como trabalho docente”, ressalta.
Terça-feira sem aula
Antes da manifestação, a manhã desta terça-feira foi de aulas suspensas na rede municipal. De acordo com o Sinprocan, coube a cada instituição decidir como seria a mobilização. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Thiago Würth, no Mathias Velho, o dia foi de salas de aula fechadas para cerca de 1,3 mil alunos.
Logo depois das 9h30, um cartaz informando a paralisação foi colocado no portão. A escola informa que os motivos são a falta de monitores para inclusão e a falta de professores de Ciências, Educação Física, Português e Inglês.

Foto: Nicole Goulart/Especial
As Emefs Erna Würth, no Guajuviras; Rio Grande do Sul, no Mato Grande; e Castelo Branco, no Igara, são exemplos de instituições que também aderiram ao movimento. “Nosso corpo docente optou pela paralisação. Estamos somente com a equipe diretiva e secretária na escola”, informa a Castelo Branco.
Já na Emef Prefeito Edgar Fontoura, no Marechal Rondon, cerca de 450 alunos tiveram aula normal nesta terça-feira (14). “Não estamos parados”, afirmou a equipe da escola. Conforme o Sinprocan, apenas a Edgar Fontoura informou que não suspenderia as aulas. Não há informações sobre outras escolas não aderiram ao movimento do sindicato.
Ação nacional
O movimento feito pelo Sinprocan também se insere em um cenário mais amplo. A partir desta segunda (13) até sexta-feira (17) acontece a 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública. A iniciativa é comandada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Ao todo, 64 entidades filiadas em todo o Brasil estão mobilizadas – incluindo o Sinprocan e o Sindicato dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers). A proposta é promover reflexões sobre temas que atravessam a educação.
Na pauta estão temas como sustentabilidade, desigualdades, novas tecnologias, democracia e violência – principalmente feminicídio. A semana também busca debater políticas estruturantes da educação, acesso ao sistema educacional e a valorização dos profissionais que atuam na área.
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