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CULTURA

Com futebol e polícia, Leandro Domingos prende leitor do início ao fim em Bola no Chão

Obra que mistura assassinato com as categorias de base tem presença garantida na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre

Publicado em: 29/10/2025 às 13h:45 Última atualização: 29/10/2025 às 13h:46
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“As arquibancadas tremiam; as bandeiras ondulavam. Era tarde de clássico entre os maiores rivais da pequena Santa Marina. O ano é 2011 e o que está em jogo no gramado é mais do que futebol: é a honra. Algumas horas depois, aquele meio de tarde de domingo se transformaria em noite e a segunda-feira não tardaria em chegar com toda a carga do início de semana. Caberia aos homens, reunidos entre quatro linhas, decidir quem começaria o dia seguinte de cabeça em pé.”

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Mas a segunda-feira não chegou para o Alcemir Ivan Nunes, 55 anos, conhecido como Bola. O massagista do Clube Esportivo Santa Marina morreu no gramado minutos antes de começar o clássico com o Esporte Clube Verde e Branco.

O corpo estendido no centro do campo é o pontapé do livro Bola no Chão, escrito pelo jornalista Leandro Domingos, repórter do Jornal Diário de Canoas, e lançado em junho deste ano pela editora Beta Librum. A obra de 148 páginas põe o futebol nas páginas policiais do jornal da cidade fictícia de Santa Marina.

Leandro Domingos é autor do livro Bola no Chão | abc+



Leandro Domingos é autor do livro Bola no Chão

Foto: PAULO PIRES/GES

Quem matou Bola? Como? E por quê? São questionamentos que permeiam a história protagonizada pela jornalista Mariana e pelo delegado Rodrigo: uma que está de olho em tudo e outro que não sabe nem por onde começar.

A dupla encara as suas diferenças e age para solucionar um caso nada simples. E nada simples mesmo. Se engana quem acha que vai resolver o mistério desse livro antes de chegar às últimas páginas. A história só se completa mesmo no final.

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E o craque Romarinho brilha

A trama é conduzida e protagonizada por Mariana e Rodrigo. Mas é o menino Romarinho, um jogador promissor, que enlaça a trama nos bastidores. O personagem vai aparecendo ao longo do livro, com capítulos próprios intercalados com a trama da investigação, até ter o seu momento de brilhar.

“Tinha um passe perfeito e colocava a bola na área como ninguém.” Mas isso se perdeu com o trauma. A raiva pelo abuso que sofreu foi descontada em colegas e Romarinho virou o menino que recolhe as bolas e os coletes após o treino. Rebaixado e invisível.

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Ele é vítima e seu próprio salvador. O menino de 9 anos não queria terminar assim, nem deixar de viver seu sonho que já era realidade. A promessa prometeu e entregou vingança: denunciou.

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É sim sobre futebol

Dentro da redação, o Leandro costuma comentar os feedbacks que recebe do livro. E muitos dizem que pensavam que a história era sobre futebol – por imaginarem o jogo em si, campeonatos, disputas e títulos. Mas é sim sobre futebol. É o seu lado do sonho, do talento; do pesadelo, do crime.

Assim como tem o seu lado racista e discriminatório, o futebol também é abusivo. O esporte não está descolado nem deslocado da realidade do nosso país e do mundo. Casos como o do livro acontecem sem ninguém ficar sabendo e, ainda sim, fazem parte deste universo que move paixões.

Tratar como algo à parte não ajuda a avançar em nenhuma das lutas. Por isso, o livro acerta quando mantém toda a trama e os envolvidos próximos ou dentro do estádio de futebol – este lugar místico e encantador, mas que também pode ser traiçoeiro.

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Mas toda a reflexão está nas entrelinhas. Na obra, temos o mistério, a investigação, o romance, o drama e a comédia. Tem de tudo um pouco, assim como uma partida de futebol.

Obra na Feira do Livro de Porto Alegre

O jornalista Leandro Domingos é uma das presenças na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre. O evento acontece entre os dias 31 de outubro e 16 de novembro, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico. A sessão de autógrafos será no dia 3 de novembro, a partir das 19 horas.

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