Dois jornalistas que por anos acompanharam histórias do submundo do crime pela Região Metropolitana de Porto Alegre e os vales do Sinos, Caí e Paranhana também se aventuram no universo literário. Tanto Leandro Domingos, 45 anos, quanto Amilton (Tom) Belmonte, 57, cobriram ocorrências que chocaram a comunidade e conheceram policiais e criminosos que hoje também povoam o imaginário em suas obras.
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Domingos trabalha há 13 anos no Grupo Sinos, produzindo reportagens e integrando a redação do Diário de Canoas. “Trabalhar como jornalista garantiu bagagem para observar o Brasil com um olhar crítico para as mazelas. Tive a oportunidade de viajar um bocado. Um colega disse que passei tempo ‘demais’ na reportagem, o que torna fácil acreditar nos personagens que criei”, explica, destacando que os policiais e bandidos dos livros Bola no Chão e Enquanto Estamos no Escuro são inspirados em pessoas reais e vivas. “Então, o trabalho real como repórter nutre e enriquece a ficção”, acrescenta.
Tempero
Já Belmonte, que hoje mora em Santa Catarina, atuou por sete anos no Jornal NH. “É claro que o que vi, o que relatei e o que aprendi como repórter, principalmente policial, ajudou a dar um caldo, a temperar o molho da minha escrita ficcional. Foram vivências jornalísticas que ajudaram a lapidar as minhas percepções do mundo e principalmente das relações humanas. E no jornalismo policial a gente enxerga materializada a desigualdade social. E o quê, a partir dela, pode explicar em grande parte a violência nas suas mais diferentes faces”, analisa.
“Cresci cercado pela violência”, revela

Foto: PAULO PIRES/GES
Domingos, que nasceu em Gravataí e hoje divide seu tempo entre Canoas e São Leopoldo, recorda que sua origem humilde. “Tenho na memória minha mãe me mandando comprar leite e pão e, ao sair de casa, dar de cara com o vizinho limpando o revólver na frente do portão. Não era um policial. Era um bandido. Foi morto anos depois em um assalto. Então, cresci cercado pela violência”, conta.
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Ele se considera “livresco” e destaca que lia “compulsivamente”, principalmente sobre crimes. “Adorava livros envolvendo mistérios como os escritos por Arthur Conan Doyle, Agatha Christie, etc. E quando assumi o primeiro estágio como repórter, quis o destino que fosse a cobertura de um assassinato”, comenta.
Embora com lançamento previsto para feiras do livro neste segundo semestre, Bola no Chão está à venda no sebo Só Ler, em Canoas, e pela editora Beta Librum. Enquanto Estamos no Escuro pode ser adquirido com o autor, pelo telefone (51) 99504-0844. Ambos estão disponíveis no Kindle Unlimited, da plataforma Amazon. Domingos finaliza seu terceiro livro A bela e o diabo do cinema e prepara o quarto, que deve ser escrito em parceria.
“Imaginário fértil para romper as minhas próprias fronteiras”

Foto: Divulgação
Belmonte nasceu em São Borja e permaneceu no que chama de “velho oeste” até seus 16 anos. “Exercitar a curiosidade ao humano, suas belezas e contradições. As pessoas lá são mais à flor da pele, com menos filtro. No sentido da reatividade, da coisa não tão passiva. Uma pureza reativa. Historicamente foi uma área de guerras, de segurança nacional. E criou na minha mente e coração um imaginário fértil, para também atravessar essa linha divisória e romper as minhas próprias fronteiras”, destaca.
Seus livros Círculo de Sangue e Rincão do Inferno não são baseados em histórias reais, mas em pessoas que Belmonte conheceu.
As duas primeiras obras podem ser adquiridas através do site da Carta Editora, de São Leopoldo. Belmonte prepara Guerrilhas do Coração, obra que encerra a sua trilogia.
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Conheça os livros
- Enquanto Estamos no Escuro – narra uma caçada policial a um grupo de terroristas que ataca o sistema de distribuição de energia do País. É o Brasil sem luz, dia após dia, com todas as implicações, até sociais e políticas, que a situação poderia criar. Foi escrito durante a pandemia.
- Bola no Chão – Um massagista acaba morto instantes antes do começo de uma partida decisiva pela Segundona no interior do Estado. Ele cria um mistério para abordar um dos crimes que mais choca a sociedade atual. Tudo em meio ao universo que não é aquele dos boleiros milionários que a maioria acompanha pela TV.
- Círculo de Sangue – Na Porto Alegre do início do século um crime surpreende a Polícia e revela o ápice da desintegração moral e ética de uma família. Um passado de rupturas, abandono e misticismo, que leva as personagens a escolhas e rumos obscuros no presente.
- Rincão do Inferno – Obra disseca o universo fraturado da família Silveira. Emoções que podem levar o leitor a surpreender-se com a profundidade do pântano sentimental das personagens.
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