Luzes coloridas, personagens cativantes e diálogos para fazer pensar. Foi com essa proposta que o projeto Educar Colorido chegou a Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) André Leão Puente, no Centro, com teatro e seminário nesta quarta-feira (25). A iniciativa usa arte e educação para falar sobre diversidade sexual e de gênero, direitos e respeito à comunidade LGBTQIAPN+.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
Mais de 300 estudantes ocuparam o pátio da escola para assistir ao espetáculo Terapia Colorida – Tudo Junto e Misturado, que traz as histórias dos casais Gustavo e Eduardo e Mônica e Júlia. A narrativa não debate somente o relacionamento entre os namorados, mas também como a sociedade lida com casais homoafetivos.
A história aborda comunicação, compatibilidade, exposição nas redes sociais, respeito e reciprocidade. No final da apresentação, depoimentos de casais héteros, gays e lésbicos foram exibidos. Todo o projeto começou a circular em junho, mês da visibilidade LGBTQIAPN+, por escolas públicas como destaca a idealizadora Juliana Barros.
“Se não conversarmos com esse público, não mudamos nada. O ambiente escolar reflete o que acontece nas ruas. Temos situações de preconceitos que os adolescentes reproduzem das famílias, eles não trazem gratuitamente. Tem uma dificuldade grande de trabalhar com adolescente, mas eu acho que é muito por essa dificuldade que nós temos que trabalhar. Acho que esse é propósito.”
Conscientização
Junto com o teatro, o projeto também promoveu um bate-papo sobre os direitos da população LGBTQIAPN+ com o advogado Diego Cândido, membro da Comissão Estadual de Diversidade Sexual e Gênero da OAB/RS.
“A ideia é empoderá-los e trazer conhecimento para lidar com a situação. Não só quando acontece com vocês, mas com alguém que vocês conhecem”, disse para os estudantes. Além de tratar sobre a diversidade sexual e de gênero, Cândido também abordou o racismo e a gordofobia.
“Tem a questão da responsabilidade porque todos os atos têm consequências. Lembrar que são os responsáveis legais que são processados quando tem um menor de idade”, explica. O advogado ainda lembra que os atos cometidos pelas crianças e adolescentes são reflexos do ambiente em que estão inseridos.
Para Cândido, esses assuntos são complexos e podem ser difíceis de entender, mas é preciso ter respeito acima de tudo. “Quando trazemos um olhar de julgamento, já temos uma violência. Não precisa saber a lei. É sobre amor, empatia e respeito. Pratiquem o afeto. Quando isso ocorre, não tem crime”, declara.
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Oportunidade de se conhecer e ser quem é
Iniciativas como o Educar Colorido servem para levar informação até os jovens. Todo esse conhecimento é aplicado diariamente na convivência com o outro e consigo mesmo. Para a professora de Linguagens, Ingrid Teixeira da Silveira, é necessário abordar esses assuntos com os estudantes.
“Estamos falando de diversidade. É extremamente importante trabalhar essas questões com os jovens, do descobrimento de suas identidades. Facilita também tratar do respeito. Educamos os alunos para viver em sociedade. Quando e como ele sai daqui é o mais importante, como ele vai se comportar lá fora.”
Um deles é o João Vitor de Souza Mendes, 17 anos, aluno do 3º ano, que gostou da peça de teatro e do seminário. “Acho que passa uma mensagem muito boa, principalmente sobre LGBTfobia. No mundo de hoje, o ódio está impregnado. As pessoas estão violentas e infelizes”, comenta. Mas o estudante não perde o otimismo. “É difícil, mas não podemos desistir. Está tudo bem ser diferente e não podemos parar. Não podemos deixar de ser quem somos para agradar os outros”, frisa.
Sobre o projeto
O Educar Colorido atende no momento 10 escolas estaduais em Porto Alegre, Canoas e Cachoeirinha. Aqui no município, somente a EEEM André leão Puente está contemplada. Além das atividades desta quarta-feira, os alunos vão poder participar de uma oficina de teatro na sexta-feira (27).
Todo o projeto foi aprovado no edital nº 28/2024 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab) da Secretaria Estadual da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul (Sedac) que seleciona propostas de Cultura e Educação. A iniciativa também distribui uma cartilha sobe gênero, sexualidade, saúde mental, bullying, direitos e canais de denúncia.