Centenas de médicos que atuam no Hospital Universitário (HU), nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps) decidiram, por meio de Assembleia Geral Extraordinária, paralisar os atendimentos a partir dos dias 17 e 18 de setembro. Segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), a medida ocorre devido aos recorrentes atrasos na folha de pagamento e condições insuficientes de trabalho.

Foto: Paulo Pires/GES
Conforme o Simers, 320 médicos médicos contratados como Pessoa Jurídica (PJ) que prestam serviços para o HU cobram a regularização de honorários e melhores condições de trabalho.
“Haverá suspensão dos atendimentos eletivos a partir de 17 de setembro. O retorno ao atendimento integral está condicionado à quitação dos valores em aberto e à melhoria das condições de trabalho”, destaca o presidente do Simers, Marcelo Matias.
Para o presidente, a situação no hospital é classificada como extrema.
“A situação dos profissionais do HU é inadmissível. A decisão da categoria de paralisar é consequência dos problemas históricos da Saúde de Canoas.”
Espera sem fim
Luiz Carlos Francisco, 58 anos, conta que desistiu de esperar pelo procedimento de cateterismo no Hospital Universitário.
“Fiquei mais de duas semanas internado aguardando o procedimento, mas sem previsão para fazer o cateterismo porque a máquina estava estragada. No quarto tinha uma pessoa em estado terminal e outra que havia contraído uma bactéria. O ambiente estava insalubre. Vou procurar atendimento em Porto Alegre”, afirma.
UPAs e Caps
De acordo com o Simers, os médicos prestadores de serviço nas UPAs e Caps de Canoas devem suspender os atendimentos de fichas azuis e verdes a partir do dia 18 de setembro.
“O pagamento dos honorários de julho pela Dotmed, que assumiu as escalas no lugar da Fazedoria, além de problemas nas condições de trabalho são o motivo. Vamos tomar providências para que a Fazedoria retire o nome dos profissionais do contrato da empresa e devolva o valor pago para ingresso na sociedade”, explica o presidente do Simers.
O que diz a Prefeitura e o HU
Sobre a situação do Hospital Universitário, a Prefeitura de Canoas, informou que trabalha em conjunto com a Associação Saúde em Movimento (ASM), empresa gestora da casa de saúde, para garantir a manutenção da assistência da população atendida pelo hospital.
“A ASM se comprometeu a organizar um calendário de pagamento dos profissionais que atuam no HU e a Prefeitura trabalha para efetuar o pagamento dos serviços prestados pela empresa ao Município”, diz o comunicado.
Por meio de nota, a gestora do HU, afirmou que o equipamento utilizado para realizar procedimentos de cateterismo está inoperante desde 9 de agosto. A previsão de retorno, após conserto, é dia 9 de setembro.
Segundo a administração municipal, na UPA Niterói, uma parte dos profissionais não compareceram ao serviço na noite de terça-feira (2) e manhã de quarta-feira (3).
“A Prefeitura está trabalhando em conjunto com o IB Saúde, empresa gestora das UPAs, para restabelecer o atendimento integral na UPA Niterói. Notificamos a empresa para que reponha a escala e garanta o atendimento conforme estabelecido em contrato, o que ocorrerá ainda nesta quarta-feira (3). Os atendimentos nas demais UPAs estão ocorrendo normalmente”, diz a nota.