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Com xadrez ou na biblioteca: estudantes encontram opções para passar o intervalo das aulas sem celular

Uso dos aparelhos em ambientes escolares foi proibido por lei federal no início da ano

Publicado em: 21/07/2025 às 14h:50
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Entre perguntas de semântica, trigonometria ou geopolítica, surgiu um questionamento ainda mais difícil nas escolas: o que fazer sem celular na hora do intervalo. Isso porque a presença do aparelho no ambiente escolar está proibida desde o início do ano por lei federal.

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Estudantes e escolas tiveram que resolver em conjunto esse desafio dentro de uma rotina e juventude tão conectadas. Mas a resposta carrega um mundo de opções. São jogos de cartas, cubo mágico, futebol, vôlei, pebolim, conversar, pegar sol, ler um livro, escutar música ou simplesmente só ver o tempo passar.

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Miguel e Rafael jogam xadrez no intervalo das aulas no Maria Auxiliadora | abc+



Miguel e Rafael jogam xadrez no intervalo das aulas no Maria Auxiliadora

Foto: Paulo Pires/GES

Outra opção encontrada é o xadrez. Em uma mesa com tabuleiro e peças no Colégio Maria Auxiliadora, no Centro, os amigos Miguel Fernandes e Rafael Brasil, ambos de 14 anos, refletiram sobre a mudança. Para eles foi positiva, apesar de ainda carregar um pouco do tédio.

“Tá sendo legal, mas, ao mesmo tempo, chato. Mas dá para fazer mais coisas no recreio”, conta Miguel enquanto jogava com o colega de turma no intervalo. “Podia ajudar nos estudos, mas também atrapalhava. Acho que é uma boa mudança, foi a coisa certa a se fazer”, opina Rafael.

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A ausência do celular permitiu aos estudantes do 9º ano praticar uma atividade diferente. “Eu aprendi faz tempo, mas comecei a jogar mais esse ano”, comenta Rafael. “Eu nunca tinha jogado. Fui aprender agora”, destaca o amigo sobre o xadrez.

Mas para as alunas do 7º ano Geovana Dutra e Micaela Saldanha, ambas de 12 anos, as conversas no recreio só tiveram uma diferença: sem registros. “Eu gostava de gravar, tirar foto para guardar esses momentos da escola, mas de resto está tudo bem. Não teve muitas mudanças”, observa Geovana.

“O celular também era bom para ver as horas”, frisa Micaela. Agora, o bate-papo fica guardado na memória da cabeça e termina quando toca o sinal. 

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Redescobrindo os espaços

Além das quadras esportivas, áreas de convivência e escadarias, os estudantes também estão redescobrindo um outro espaço que sempre esteve presente, mas que não frequentavam muito: a biblioteca.

É um lugar que sempre teve seu movimento, mas que ganhou uma atenção especial com a ausência dos celulares, destaca a diretora do colégio, Ana Margarida Chiavaro. “Aumentamos o consumo de livros na biblioteca. Está tendo mais empréstimos. E na hora do recreio eles vão para lá, está cheia.”

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Estudantes também estão frequentando mais a biblioteca | abc+



Estudantes também estão frequentando mais a biblioteca

Foto: Paulo Pires/GES

E ocupando as cadeiras, estavam as colegas do 8º ano, Nicole Sampaio, Geovanna Oliveira e Helena Lemos, todas de 13 anos. O trio costumava ficar no celular, mas começou a ir na biblioteca com mais frequência neste ano.

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Enquanto Nicole procura um novo livro, as amigas estão entretidas em uma saga. “Estou lendo O Verão Que Mudou a Minha Vida”, comenta Helena. “Já eu estou lendo a sequência do dela, Sem Você Não É Verão”, diz Geovanna.

LEIA TAMBÉM: Saem as diretrizes para uso do celular nas salas de aula; entenda os principais pontos

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Balanço do primeiro semestre é positivo

A aplicação da legislação passa pela direção e corpo docente das instituições. No Auxiliadora, os aparelhos são guardados em um armário chaveado pelo professor durante o turno. A medida teve apoio dos pais.

A psicopedagoga e orientadora educacional, Márcia Elisa Bertoglio Ribeiro, enfatiza que a escola buscou mostrar os benefícios para os alunos. “É claro que toda a mudança no início gera um certo de desconforto, principalmente com adolescentes. Mas os nossos alunos passaram por isso e eu avalio até uma forma bem tranquila. Não vimos situação de oposição, de rebeldia. Eles acataram.”

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A diretora Ana Margarida Chiavaro também nota uma escola com “mais movimento e vida” neste primeiro semestre. “Eles lotam as quadras esportivas. Interagem mais, conversam e trazem jogos de casa, e a escola também oferece. Eles mesmos já estão verbalizando que estão se sentindo mais livres, mais leves, mais tranquilos. Conseguem prestar mais atenção e reter as informações”, ressalta.

E relembra como o cenário era bem diferente antes da proibição. “A tecnologia foi muito para a sociedade, nós sabemos dos avanços. Mas, nos últimos anos, estávamos percebendo o quanto os alunos estavam cada vez mais ansiosos, com dificuldade de interagir, de se relacionar. E com a nova legislação, mesmo que nós trouxéssemos estratégias para dentro da escola, oferecesse jogos, uma aula diferente, os alunos já estavam viciados.”

Como vai ser no retorno das férias?

O uso celular, exceto em atividades pedagógicas, está proibido nas escolas. Mas da porta para fora das instituições, cada família lida de uma forma. “Eu uso bastante em casa, acho que aumentou na verdade”, relata o estudante do 9º ano, Rafael Brasil.

E com o período de recesso se aproximando, também varia como cada um vai passar o tempo. “Nas férias eu acho que vou fazer outras coisas, mas vou ficar no celular”, indica Rafael. “Acho que vou usar bastante, mas não tanto. Vou querer aproveitar mais com os meus amigos”, afirma seu colega de turma Miguel Fernandes.

A preocupação com retorno às aulas podem trazer novos desafios e já é uma preocupação da escola, segundo a psicopedagoga. “Nós vamos ter um seminário interno com os professores. Já vamos trabalhar alguns comportamentos nas nossas palestras, justamente para habilitar os nossos professores para este retorno. É como um desmame. É um período de férias e os pais vão acabar cedendo. Eles precisam se readaptar e vamos precisar retomar todo o trabalho que foi feito no início”, explica Márcia Elisa.

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