Entrou em vigor às 11 horas desta sexta-feira (20) a interdição ética parcial do Hospital Universitário de Canoas, medida adota pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers). Com a medida, os médicos que atuam na UTI Neonatal, no Centro Obstétrico e na Internação Pediátrica não poderão trabalhar nessas alas. A medida proíbe novas internações e atendimentos, afetando a assistência aos recém-nascidos, mães e crianças.

Foto: Paulo Pires/GES
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O vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, explicou que fiscalizações realizadas pela entidade apontam que não há condições para o exercício adequado da medicina no hospital. “Faltam escalas médicas incompletas em setores críticos, tais como a UTI Neonatal. Nós não podíamos permitir o funcionamento pelo risco assistencial à população, aos novos pacientes”, disse.
Segundo Trindade, o Cremers revisa de forma contínua seus atos, mas, infelizmente, Canoas, em muitos momentos, mostrou no papel as respostas, mas não confirmou na prática. “Nós vamos manter essa interdição até que seja provado do ponto de vista in loco, ao longo de vários dias, que realmente a estrutura foi mantida e foi melhorada com aqueles apontamentos que nós fizemos.”
Atendimento garantido, diz secretária de Saúde
A secretária municipal de Saúde de Canoas, Ana Boll, reafirmou que o atendimento aos pacientes internados nos setores interditados será mantido e garantiu que as escalas médicas estão completas. “Vamos dialogar com a Secretaria Estadual da Saúde para que não venham novos pacientes enquanto perdurar essa situação”, comentou.
Ana disse ainda que o Município vai se movimentar para conseguir uma solução na Justiça para garantir que as portas fiquem abertas.
Na UTI Neonatal, na manhã desta sexta-feira (20), havia 17 bebês internados – o número de leitos é 18. No alojamento conjunto, há 15 mulheres em atendimento.
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Comissão temporária
Durante coletiva de imprensa na tarde de quinta-feira (19), a Prefeitura de Canoas anunciou a criação de uma comissão temporária para acompanhar a gestão do Hospital Universitário. “Acabei de instaurar uma comissão para fazer o acompanhamento e fiscalização das ações aqui dentro do HU que terá prazo de 30 dias para apresentar os seus resultados. Inclusive, convidamos o Cremers para fazer parte. Essa comissão vai servir para apurar as eventuais falhas e propor as soluções”, disse o prefeito Airton Souza.
O decreto nº 44/2026, de criação da comissão, foi publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira (19). O colegiado será formado por representantes do gabinete do prefeito, SMS, Fundação Municipal de Saúde (FMSC), Secretaria Municipal Geral de Governo, Secretaria Municipal de Projetos e Captação de Recursos e Secretaria Municipal de Comunicação.