Em 1937, o 3º Regimento de Aviação do Brasil mudou de lugar. Saiu de Santa Maria e foi instalado em Canoas, então um distrito de Gravataí, no aeródromo onde, dez anos depois, no dia 24 de março de 1947, seria criado o 1º Esquadrão do 14º Grupo de Aviação e a Base Aérea de Canoas (Baco).
Considerado um dos mais importantes do país, o Esquadrão Pampa é fruto da reformulação pela qual passava na época a Força Aérea Brasileira (FAB). Passou a operar, desde então, as aeronaves mais modernas, com a missão de servir como ponta de lança para defesa no sul do Brasil.

Foto: Paulo Pires/GES
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“É com profundo orgulho que celebramos o aniversário do Esquadrão Pampa”, afirmou o tenente-coronel Ângelo Maciel Florença, comandante do esquadrão. “Essa trajetória de 79 anos do nosso 14 é fruto da dedicação e trabalho conjunto e silencioso de homens e mulheres que compreenderam o significado de servir ao país.”
Durante a solenidade, enquanto militares marchavam, os caças F5-M rasgavam o céu. Houve um dedicado tempo às homenagens dos profissionais que se destacaram em serviço ao longo do último.
Além disso, a cerimônia guardou uma singela e bonita homenagem aos veteranos que atuaram no passado do Esquadrão Pampa, sedimentando o popular 14 como uma das unidades mais tradicionais da Força Aérea Brasileira.
“Faço questão de me dirigir aos nossos veteranos presentes”, disse o comandante. “Cada um aqui representa a história viva desta unidade. Enfrentaram dificuldades, consolidaram doutrinas, elevaram os padrões e forjaram a excelência do Pampa.”

Foto: Paulo Pires/GES
História viva
Durante a homenagem aos veteranos, chamou a atenção do público presente um veterano grisalho, sentado em uma cadeira de rodas, que fez questão de ignorar o sol forte para participar da marcha organizada na pista de voo.
Aos 98 anos, o subcomandante Durval Santos de Oliveira dedicou cinquenta anos à aviação como mecânico, montando quadros de comando e sistemas elétricos que inovaram aeronaves.
“Projetei modelos que são usados até hoje”, revela. “Depois que deixei a Base, me dediquei à aviação civil, mas nunca esqueci da minha história aqui. A camaradagem, as brincadeiras e mentiras que uns contavam aos outros.”
Um homem que viu Zé Carioca ser estampado pela primeira vez nos uniformes do Esquadrão Pampa, Durval deve se tornar parte do livro que está sendo montado alusivo aos 80 anos da unidade.
“Faço questão de contar o que sei e aquilo que me contaram sobre o serviço militar”, salienta. “Porque já perdi 67 amigos de farda nestes anos todos, mas sigo firme. Faço 99 anos em julho. E continuarei contando.”

Foto: Paulo Pires/GES
Renovação
Sob o código rádio “Pampa”, o Esquadrão, desde 2005, atua com caças F5-M da FAB. O F5 “Mike”, como é conhecido o jato, garantiu simulador de mísseis entre os aparelhos de combate, o que representou uma renovação na estratégia militar aérea.
Embora a carne estivesse sendo assada nos pavilhões da Base Aérea durante a solenidade, os caças, após aterrizarem, chamaram a atenção dos convidados devido à proximidade com um público acostumado a vê-los somente a 15 mil metros e a 1.600 km/h.