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Histórico

"Sempre foi meu sonho servir": primeiras recrutas mulheres iniciam o treinamento na Base Aérea de Canoas

Um marco nas Forças Armadas, as primeiras 24 jovens ingressaram no serviço militar de modo voluntário em Canoas

Publicado em: 11/03/2026 às 08h:36 Última atualização: 11/03/2026 às 10h:06
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Corridas ao sol e longas marchas sob a chuva; centenas de flexões e abdominais; instrução de tiro e exercícios de campanha; serviços de guarda e estudos teóricos; comandos e hierarquia.

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Palavras e expressões que antes eram parte do vocabulário de homens de cabeça raspada após o ingresso nas Forças Armadas de modo obrigatório, agora estão em um contexto voluntário do militarismo para mulheres.

Grupo de jovens formado por 24 recrutas treina na Base Aérea de Canoas (Baco)  | abc+



Grupo de jovens formado por 24 recrutas treina na Base Aérea de Canoas (Baco)

Foto: PAULO PIRES/GES

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Em uma iniciativa inédita, as Forças Armadas permitiram o ingresso das primeiras recrutas da história do país na última segunda-feira (2), após um longo e criterioso processo de seleção.

A Base Aérea de Canoas (Baco) garantiu à primeira turma de recrutas fazer parte do quadro de soldados. São 24 jovens entre 18 e 19 anos selecionadas entre milhares de inscritas para o processo.

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Nicolly Tressi Helfenstell, 18 anos, conta que estudou durante a infância em uma escola que era rota dos caças F-5M da Baco. Cresceu sonhando em um dia fazer parte do serviço militar.

“Eu olhava para o céu e sabia que queria fazer parte do serviço militar. Ficava maravilhada olhando os caças passarem em cima da escola. É um sentimento de gratidão muito grande estar fazendo parte desta história”, disse.

Moradora do bairro Guajuviras, Nicolly quer dar o máximo durante o período de serviço obrigatório. Isso porque, já que a permitiram sonhar, ela sonha ir mais longe e planeja uma carreira militar para o futuro.

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“Este é um importante primeiro passo, mas eu quero seguir carreira militar, sem dúvida”, afirma. “Espero inicialmente completar o período de serviço militar obrigatório e posteriormente fazer curso para sargento e permanecer na Força Aérea.”

Ansiedade

Moradora do bairro Estância Velha, Maria Eduarda da Silva diz ter recebido todo o apoio em casa. Prepara-se psicologicamente agora para a rotina intensa de treinamentos que terá início na próxima semana.

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“Eu confesso que estou um pouquinho ansiosa e nervosa, mas estou muito feliz de estar aqui”, diz. “Minha família deu o maior apoio quando eu disse que queria me alistar e isso faz toda a diferença.”

A jovem de 18 anos recorda-se de parentes e amigos que serviram a Força Aérea, o que, para ela, sempre foi algo admirável desde a mais tenra idade.

“Sempre foi meu sonho servir, desde bem novinha”, conta Maria Eduarda da Silva. “Sempre achei muito lindo e quando surgiu a oportunidade, eu nem pensei duas vezes e me inscrevi no processo.”

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 Nicolly e Maria Eduarda integram a primeira turma em formação militar na Base Aérea de Canoas | abc+



Nicolly e Maria Eduarda integram a primeira turma em formação militar na Base Aérea de Canoas

Foto: Paulo Pires/GES

Impulso

A chegada das primeiras recrutas reforça a ampliação da presença feminina em todos os níveis da Aeronáutica, de Soldado a Oficial-General. Atualmente, a Força Aérea conta com 15.301 mulheres, o equivalente a 23% do efetivo total.

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Para isso, houve a necessidade de adaptações nos alojamentos e a inclusão de instrutoras para acompanhar todo o processo de preparação das recrutas nesta fase inicial de treinamento.

“Elas passaram por um processo de seleção bastante rigoroso e, a partir de agora, elas têm quatro meses de treinamento intensivo da parte militar e parte disciplinar, inclusive com aulas sobre valores e a ética militar”, explicou o brigadeiro do Ar Eduardo Miguel Soares, comandante do V Comando Aéreo Regional (V Comar).

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Por se tratar de um momento considerado um marco para as Forças Armadas, a expectativa é de que, após este primeiro processo, haverá novos ingressos de mulheres na luta pela defesa do país.

“Para a Força Aérea Brasileira, é uma satisfação muito grande. É um momento de transformação institucional e estamos muito felizes em receber as recrutas”, salienta o brigadeiro. “A sociedade tem demandado não apenas das Forças Armadas, mas de todas as instituições, esta inclusão.”

Obrigatório

É sabido que as recrutas que tomaram parte no serviço militar o fizeram de modo voluntário. Isso significa que se inscreveram para o processo sem a obrigatoriedade exigida para os garotos ao completarem 18 anos no Brasil.

O projeto que implementou o Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) prevê o alistamento voluntário para jovens mulheres de 18 anos, mas, uma vez aceitas e incorporadas, o serviço torna-se obrigatório.

Essa iniciativa permite que mulheres ingressem nas três Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) como recrutas, cumprindo as mesmas obrigações, treinamento e rotina dos homens, com duração inicial de um ano.

Assim como ocorre com os homens, as mulheres incorporadas recebem soldo, benefícios, alimentação e alojamento, atuando em áreas de operações militares, logística, saúde e tecnologia.

Primeiras recrutas mulheres iniciam o treinamento na Base Aérea de Canoas
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