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"Estabilidade e disciplina": jovens contam porque decidiram se alistar nas Forças Armadas

Alistamento voluntário para mulheres foi aberto pela primeira vez neste ano

Publicado em: 26/10/2025 às 08h:50 Última atualização: 26/10/2025 às 08h:50
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Entre tantas carreiras disponíveis hoje no mercado de trabalho, as mulheres ganharam mais uma opção no início deste ano. As Forças Armadas abriram o alistamento militar feminino pela primeira vez, e de forma voluntária. Agora, as jovens nascidas em 2007, que completam 18 anos em 2025, passam por diversas avaliações.

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Bárbarah de Oliveira se alistou para ingressar no Exército | abc+



Bárbarah de Oliveira se alistou para ingressar no Exército

Foto: Paulo Pires/GES

Na manhã desta sexta-feira (24), a canoense Bárbarah de Oliveira, 18 anos, era uma das candidatas presentes na Comissão de Seleção Permanente das Forças Armadas, no Centro Histórico de Porto Alegre. A estudante do ensino médio conta que é um sonho de infância vestir a farda verde oliva.

“Eu decidi me candidatar porque tenho essa vontade desde criança. Inicialmente, eu tinha a ideia de fazer uma prova para a Marinha, mas surgiu essa oportunidade agora e eu me candidatei. Eu me recordo da primeira vez que eu tive essa vontade foi num dos eventos que acontece na Base, o Portas Abertas. Eu me apaixonei por aquilo e quero isso desde então.”, afirma.

A moradora do bairro Rio Branco está concluindo os estudos e espera ser seleciona nessa primeira tentativa. A vontade de estar na corporação passa por uma das características mais marcantes das Forças Armadas.

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“Essa questão da disciplina é algo muito bonito, acho que isso me atrai. Eu me considero uma pessoa disciplinada”, completa.

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Estabilidade para uma vida nova

Outra jovem que se alistou foi a Eduarda Mendia, 18 anos, moradora do bairro Cavalhada, em Porto Alegre. Para ela, conquistar uma vaga no Exército é uma oportunidade de crescer na vida.

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“Estar aqui significa muita coisa. Tem a questão da carreira que é uma coisa que ninguém na minha família teve. Não tem ninguém com carreira, nenhum tipo de formação. E isso é uma coisa que me chama bastante atenção desde muito nova”, conta.

Candidatas preencheram documentos e passaram por exames na Comissão de Seleção em Porto Alegre | abc+



Candidatas preencheram documentos e passaram por exames na Comissão de Seleção em Porto Alegre

Foto: Paulo Pires/GES

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Eduarda está concluindo o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) para ingressar na força. A estabilidade, desde a rotina até a remuneração, também é um ponto que chama atenção de quem busca a corporação.

“Eu fui criada de um jeito meu difícil, então a estabilidade a disciplina são coisas que me atraem. Para mim seria bom e eu gosto também. Eu vejo o meu primo no Exército e acho que isso serve para mim”, destaca.

Todas as candidatas selecionadas ingressam no Exército como soldado. O serviço tem duração de 12 meses, podendo ser prorrogado ano a ano. O tempo máximo é de oito anos.

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A Eduarda já tem seus planos caso seja escolhida. “Eu quero seguir carreira e me especializar. Eu não quero ficar só os oito anos, quero mais”, conclui.

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Mais de 700 inscritas

Entre todas as 1,5 mil vagas abertas em todo o Brasil, Canoas e Porto Alegre possuem 92 a serem preenchidas. O processo seletivo segue até o final de novembro e o resultado será divulgado até a metade de 2026.

Segundo a comissão, são 185 jovens de Canoas e 519, de Porto Alegre que se alistaram – totalizando 704 inscritas. Elas concorrem a 25 vagas na Base Aérea de Canoas (Baco); e 67 vagas na capital divididas entre: Hospital Militar de Área de Porto Alegre, Colégio Militar e 3º Batalhão de Comunicação e Guerra Eletrônica.

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As candidatas passam por avaliação de saúde e de odontologia; teste de força; e entrevista, como explica o 1ª tenente André Mendes Ribeiro, presidente da Comissão de Seleção Permanente das Forças Armadas.



“Nós vamos verificar se a menina tem condição de cumprir o serviço militar inicial. Estando apta hoje, ela vai para uma terceira fase que é a de designação. É uma convocação feita no site do alistamento que diz em qual organização militar ela tem que se apresentar.”

Na visão do 1º tenente Mendes, o alistamento feminino pode ir além de somente servir à força. “Eu vejo que é a oportunidade de mais uma profissão para elas, onde vai se qualificar e pode ter a chance de ser militar de carreira. Ou aproveitar esse período e se qualificar para a carreira que tanto deseja. Ela vai ter o aporte financeiro para um curso técnico, superior ou outro prestar outro concurso”, observa.

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Mulheres nas Forças Armadas

Diferente da obrigatoriedade aos homens, o alistamento militar é voluntário para as mulheres. O processo de inscrição começou no dia 1º de janeiro e seguiu até 30 de junho. As selecionadas vão reforçar a presença feminina nas Forças Armadas. Atualmente, são 37 mil mulheres, correspondendo a 10% do efetivo, segundo o Ministério da Defesa.

Essa história começou com Maria Quitéria de Jesus Medeiros, primeira mulher a participar de um combate e ser reconhecida como militar. Vestida de homem e sendo chamada pelo último sobrenome, ela lutou na Guerra da Independência do Brasil, entre 1821 e 1824.

Outra situação marcante, foi o serviço prestado pelas 73 enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1944 e 1945. Elas integraram o Quadro de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (QUEERE).

Mas foi na década de 1980, que a Marinha do Brasil autorizou o ingresso de mulheres. Elas foram designadas para áreas técnicas e administrativas. O ingresso de mulheres na Escola Naval, como aspirantes, começou em 2014.

Em 1981, foi a vez da Aeronáutica abrir suas portas para a presença feminina, também compondo um quadro com diversas especialidades. Mais tarde, em 1995, elas puderam ingressar como cadetes na Academia da Força Aérea.

No Exército, a oportunidade veio em 1992 com a abertura de um concurso público. Foram 49 mulheres selecionadas para a primeira turma na Escola de Administração do Exército.

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