abc+

PREVENÇÃO

El Niño forte à vista: RS lança plano e define cidades da região como prioritárias contra as cheias

Municípios do Vale do Sinos, Paranhana e Caí receberão diagnósticos de vulnerabilidade e terão papel central nas ações preventivas previstas pelo programa Prepara RS

Dário Gonçalves
Publicado em: 17/06/2026 às 12h:21 Última atualização: 17/06/2026 às 14h:50
Publicidade

Com o fenômeno El Niño já oficialmente configurado no Oceano Pacífico e previsão de intensificação nos próximos meses, o governo do Rio Grande do Sul lançou nesta quarta-feira (17) o Programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS).

Publicidade

A iniciativa busca fortalecer a capacidade de resposta do Estado e dos municípios diante de possíveis desastres climáticos, com foco em prevenção, monitoramento, planejamento e mitigação de riscos.

“A preparação não deve ser uma resposta improvisada a eventos iminentes”, afirmou o chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira.

CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Estado anuncia plano para enfrentar impactos do El Niño no Rio Grande do Sul  | abc+



Estado anuncia plano para enfrentar impactos do El Niño no Rio Grande do Sul

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Entre os 25 municípios considerados prioritários na Região Metropolitana, 15 pertencem à área de cobertura do Grupo Sinos: Bom Princípio, Campo Bom, Canoas, Esteio, Feliz, Igrejinha, Montenegro, Novo Hamburgo, Pareci Novo, Rolante, São Sebastião do Caí, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Taquara e Três Coroas.

Publicidade

Essas cidades receberão análises preliminares de suscetibilidades e vulnerabilidades elaboradas pela Defesa Civil Estadual. O material reúne informações meteorológicas, hidrológicas, geológicas, sociais e históricas para auxiliar o planejamento local e a preparação para possíveis eventos extremos.

O programa foi estruturado como uma mobilização dos órgãos que compõem o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil (Siepdec), além de outras instituições parceiras. Segundo o governo, o objetivo é fortalecer as capacidades institucionais do Estado e dos municípios diante dos potenciais impactos associados ao fenômeno El Niño 2026/2027.

Super El Niño no inverno: “Pode atingir intensidade muito forte e até histórica”, adverte meteorologista sobre potência do fenômeno até 2027

Publicidade



Preparação antes da emergência

A proposta do Prepara RS é atuar antes que os desastres aconteçam. O programa foi organizado em 11 eixos estratégicos, que incluem fortalecimento da governança, capacitação municipal, monitoramento climático, comunicação de risco, logística humanitária, proteção de infraestruturas críticas, voluntariado e preparação da capacidade de resposta.

Publicidade

“Digo com absoluta certeza: Sim! O Rio Grande do Sul está preparado E estará cada vez mais preparado”, garantiu o governador Eduardo Leite.

Entre as iniciativas em andamento está a construção do Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres, em Porto Alegre. Com investimento superior a R$ 70 milhões, a estrutura deve reunir tecnologias de monitoramento, análise de cenários e coordenação de respostas a emergências.

Publicidade

Ao justificar obras de longo prazo e investimento em tecnologia, Leite afirmou que o Estado será referência mundial de combate às cheias.

Também estão previstos nove centros regionais de gestão integrada. Os quatro primeiros devem atender regiões consideradas mais vulneráveis aos eventos climáticos recentes, como a Região Metropolitana, Serra, Vale do Taquari e Sul do Estado.



“Portanto, quando criticam o cronograma que prevê a conclusão dos novos sistemas de proteção para 2031, reafirmo: ao persistirmos neste caminho técnico e responsável, o Rio Grande do Sul se tornará uma referência mundial na entrega de um sistema de proteção contra cheias. Realizar tais obras em um intervalo de sete a nove anos, considerando a complexidade e o padrão internacional de grandes projetos de engenharia, é uma meta notável comparável ao que outras nações levaram mais de uma década para consolidar.”

LEIA TUDO SOBRE O EL NIÑO CLICANDO AQUI

Estado anuncia plano para enfrentar impactos do El Niño no Rio Grande do Sul  | abc+



Estado anuncia plano para enfrentar impactos do El Niño no Rio Grande do Sul

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

A estratégia integra um conjunto de ações que vêm sendo desenvolvidas pelo Estado desde as enchentes de 2024. Entre elas estão a implantação de estações hidrometeorológicas, aquisição de radares meteorológicos, elaboração de estudos hidrológicos e fortalecimento das estruturas de Defesa Civil.

“O objetivo é descentralizar a capacidade técnica e operacional, garantindo suporte mais rápido às regiões”, pontuou o coordenador da Defesa Civil, Luciano Boeira.

No monitoramento, o Estado já colocou em operação 129 das 130 estações hidrometeorológicas previstas. Os equipamentos transmitem informações em tempo real sobre chuva, nível dos rios e condições atmosféricas.

Além disso, o governo pretende ampliar a cobertura da rede de radares meteorológicos. Atualmente, um equipamento instalado em Porto Alegre monitora a Região Metropolitana, parte da Serra e o Sul da Lagoa dos Patos. Outros três radares estão em processo de contratação. “Isso colocará o Rio Grande do Sul na vanguarda do monitoramento meteorológico no Brasil”, disse Boeira.



LEIA TAMBÉM: Com 80% de chance de um El Niño muito intenso, governo federal se prepara para eventos extremos em 2026

O governo também informa que realizou diagnósticos das capacidades municipais de Defesa Civil em 483 cidades gaúchas. Desse total, 270 já tiveram pareceres concluídos e outros 227 seguem em elaboração.

Outra frente de trabalho envolve a análise dos planos municipais de contingência. Segundo o Estado, 497 documentos foram recebidos, avaliados e devolvidos aos municípios com recomendações para aperfeiçoamento.

Segundo Boeira, a meta é avançar além das previsões sobre subida ou descida dos rios e fornecer estimativas mais precisas sobre áreas que podem ser atingidas por inundações. “Após o que vivemos, a população precisa de dados práticos: saber se a água atingirá sua residência e a que altura chegará.”

Municípios terão responsabilidades

Além do apoio estadual, o programa prevê uma série de responsabilidades para as prefeituras.

O Estado pretende auxiliar os municípios na elaboração e atualização de seus Planos de Contingência (Plancon), documentos que definem protocolos para situações de emergência, mapeiam áreas de risco e estabelecem responsabilidades entre órgãos públicos e equipes de resposta.

Serão destinados R$ 32,9 milhões para ações de preparação e mitigação de desastres nos municípios gaúchos. Segundo o Estado, 141 municípios poderão ser contemplados. Os valores variam conforme o porte populacional de cada cidade, com repasses de R$ 200 mil, R$ 250 mil ou R$ 300 mil.

As equipes regionais da Defesa Civil também já iniciaram visitas aos municípios para verificar locais indicados para abrigamento, estruturas para instalação de gabinetes de gerenciamento de desastres, áreas destinadas à logística humanitária e mobilização das forças locais de resposta.

LEIA TAMBÉM: Conta de luz vai subir quase 15% para clientes residenciais da RGE Sul; veja as novas tarifas

Estado anuncia plano para enfrentar impactos do El Niño no Rio Grande do Sul  | abc+



Estado anuncia plano para enfrentar impactos do El Niño no Rio Grande do Sul

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Treine seu cérebro: Caça-palavras e Sudoku grátis no ABCmais Jogos. Acesse agora!

Para acessar recursos do novo Fundo a Fundo de Preparação e Mitigação, os municípios precisarão apresentar plano de aplicação dos recursos, manter o Plano de Contingência atualizado e preencher integralmente o diagnóstico das capacidades municipais.

Os recursos poderão ser utilizados em ações como sistemas de monitoramento e alerta, obras de drenagem de pequeno porte, estabilização de encostas, reforço de estruturas públicas, sinalização de rotas de evacuação, campanhas de orientação à população e aquisição de equipamentos para resposta a emergências.

As equipes regionais da Defesa Civil também já iniciaram visitas aos municípios para verificar locais indicados para abrigamento, estruturas para instalação de gabinetes de gerenciamento de desastres, áreas destinadas à logística humanitária e mobilização das forças locais de resposta.

Conforme o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, o Estado mantém contato diário com as prefeituras para auxiliar as equipes locais, coletar informações e assegurar a integração das políticas públicas.

“É fundamental que essas obras sejam coordenadas entre si, considerando a abrangência das bacias hidrográficas. Por essa razão, atuamos sempre em conjunto com o órgão ambiental e o Ministério Público, instituições que compreendem e zelam por esse sistema há longa data. Essa articulação é essencial para garantir a segurança da população”, afirma.

LEIA TAMBÉM: Com aproximação do El Niño, entidade empresarial cobra ações mais efetivas do governo do RS

Voluntariado e reforço das estruturas

Outra novidade apresentada pelo governo é a criação da Plataforma de Voluntariado da Defesa Civil do RS.

A ferramenta permitirá o cadastramento de voluntários conforme habilidades, disponibilidade e localização, além de oferecer capacitação básica para atuação em situações de emergência. A proposta é organizar e direcionar a mobilização espontânea observada durante as enchentes que atingiram o Estado nos últimos anos.

O programa também prevê investimentos em equipamentos, drones, conjuntos operacionais, caminhões-cisterna e estudos de vulnerabilidade, além da criação de estruturas permanentes para coordenação de riscos e desastres em âmbito estadual e regional.

El Niño já está formado e deve ganhar força nos próximos meses

A preparação do Estado ocorre em meio ao avanço do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico.

Segundo a meteorologista da Defesa Civil Estadual, Cátia Valente, o fenômeno já está oficialmente configurado após o aquecimento das águas do Pacífico atingir os parâmetros utilizados internacionalmente para seu monitoramento. “O El Niño já está formado e em processo de rápida intensificação”, afirmou.

De acordo com a especialista, o aquecimento das águas ocorreu de forma acelerada nas últimas semanas. Atualmente, o fenômeno é classificado como fraco, mas a expectativa é que alcance intensidade moderada nas próximas semanas e possa atingir níveis fortes ou muito fortes entre outubro e dezembro.

Governador Eduardo Leite lançou o programa Prepara RS durante encontro com prefeitos e representantes da Defesa Civil no Palácio Piratini, em Porto Alegre | abc+



Governador Eduardo Leite lançou o programa Prepara RS durante encontro com prefeitos e representantes da Defesa Civil no Palácio Piratini, em Porto Alegre

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

“O pico do fenômeno deve ocorrer durante a primavera. No entanto, os primeiros impactos já deverão ser sentidos no Rio Grande do Sul a partir da próxima semana, com o início do inverno”, explicou.

Segundo Cátia, o El Niño costuma potencializar padrões climáticos já característicos da estação. Durante o inverno, isso significa o fortalecimento das frentes frias que normalmente provocam chuva no Estado. Já na primavera, período em que o fenômeno deve atingir sua maior intensidade, aumenta a probabilidade de precipitações acima da média e de ocorrência de tempestades severas.

A meteorologista ressaltou que a intensidade do fenômeno não determina automaticamente a magnitude dos impactos, mas destacou que episódios moderados e fortes costumam elevar significativamente o risco de eventos extremos. “Quando o fenômeno atinge intensidade moderada a forte, a probabilidade de eventos climáticos extremos tende a dobrar”, observou.

 CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Apesar das projeções de longo prazo, ela destacou que o acompanhamento contínuo seguirá sendo fundamental. Conforme a Defesa Civil, a definição dos impactos mais específicos depende do monitoramento realizado por modelos meteorológicos de curto prazo, capazes de indicar com maior precisão os riscos para cada região do Estado nas semanas que antecedem os eventos.

“Qualquer evento climático extremo, seja enchentes, tempestade, saberemos com no mínimo 15 dias de antecedência. Nós conseguiremos alertar e agir com muita antecedência”, reforçou a meteorologista. “É um El Niño muito intenso e estamos nos preparando para isso”, acrescentou.

El Niño forte à vista: RS lança plano e define cidades da região como prioritárias contra as cheias
Publicidade