O anúncio sobre a revitalização do popular “esqueletão”, de Canoas, divulgado na última segunda-feira (22), pela empresa Caza Incorp, acabou movimentando a área central às vésperas do Natal.
À reportagem, moradores e comerciantes da área contaram que o local passou a ser mais “visitado” do que nunca. Isso porque a retomada da obra no antigo “prédio laranja” gerou interesse extra no local.

Foto: Paulo Pires/GES
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“A gente nem sabe quem são, mas volta e meia chega um carro grã-fino ali na frente, descem uns senhores grisalhos, olham e apontam, antes de ir embora”, contou a aposentada Gleice Nascimento, 61 anos.
Segundo Renan Zancanaro, diretor da empresa que adquiriu o imóvel, já era esperado que o anúncio geraria movimentação na área. Isso porque ocorreu o mesmo em outros empreendimentos da empresa.
“O retrofit do esqueletão representa mais do que recuperar um edifício. É um marco na retomada do desenvolvimento urbano na área em Canoas, historicamente degradada”, ressaltou o diretor.
Quem também gostou da novidade foi a responsável pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI) de Canoas, Patrícia Augsten, para quem a retomada do prédio representa um marco no coração da cidade.
“Vejo a revitalização deste prédio, que esteve abandonado por tantos anos no coração da nossa cidade, como um marco importante de virada para o Centro de Canoas. Trata-se de um investimento da iniciativa privada que encontra, no poder público, um parceiro comprometido em desburocratizar processos, dar segurança jurídica e criar um ambiente de negócios favorável a quem deseja investir e empreender”, defende.
Na avaliação da secretária, ao transformar o espaço, toda a área será impactada positivamente: novos investimentos serão estimulados, o comércio local se fortalecerá e o Centro passará a contar com um ambiente mais seguro, mais bonito e mais atrativo para quem vive, trabalha e empreende em Canoas.
“A requalificação urbana tem impacto direto no desenvolvimento econômico”, afirma. “Cada prédio recuperado gera movimento, atrai empresas, serviços e pessoas, além de reforçar a confiança de investidores e empreendedores no potencial da cidade. É um efeito em cadeia que contribui para a valorização do território e para o crescimento sustentável.”
Entenda o projeto
Foi na segunda-feira que saiu o anúncio de que o prédio abandonado mais popular de Canoas vai ganhar vida nova. Tudo graças a um empreendimento que garantirá a revitalização do edifício às margens da BR-116.
“Desde que a Caza Incorp iniciou os projetos de retrofit na cidade, o ‘esqueletão’ nos despertou o interesse e se tornou uma aspiração, um desejo de incorporar esse empreendimento e transformá-lo”, explicou Renan Zancanaro.
Com a negociação do “esqueletão” concluída, os empreendedores trabalham com ideias que incluem estudos em andamento que, por questões comerciais, ainda não podem ser revelados.
“Ainda não podemos anunciar o projeto ou a previsão de início de obras, considerando etapas anteriores a serem vencidas, como licenciamentos”, esclarece Zancanaro. “Afinal, são quase três décadas e a Caza é uma empresa que só inicia obras para entregá-las a seus clientes, investidores e à própria cidade”, acrescenta.
O que a equipe da incorporadora já adianta é que pretende fazer esse processo em conjunto com a comunidade, afinal, o prédio faz parte do imaginário do canoense.
Secretário de Desenvolvimento Urbano de Canoas, Marcos Daniel, está acompanhando o processo de requalificação e valorização dos centros urbanos com o retrofit, inclusive com futuros projetos de incentivo à prática na cidade.
“A retomada do chamado ‘esqueletão’ de Canoas representa não apenas a conclusão de uma estrutura que por anos simbolizou estagnação, mas também a reativação de um ponto central da cidade, com impactos positivos na paisagem urbana, na segurança, na vitalidade econômica e na ocupação qualificada do centro”, analisa.
História
Quando foi projetado, há quase trinta anos, a proposta da construção era inovadora e incluía até mesmo um heliponto no teto, lembra o arquiteto Deivis Brenner, que teve contato com o projeto original.
“Considerando a localização estratégica de Canoas em relação à capital, a movimentação de empresas e logística a partir da Base Aérea, da Petrobras e outros negócios, o prédio teria torres residenciais, áreas de comércio no amplo espaço do térreo e um heliponto no teto”, explica.
A obra foi iniciada entre o final de 1999 e o início do ano 2000. As paredes foram subindo e quem passava na BR-116, sobre o viaduto da Metrovel, podia vislumbrar a estrutura imponente que se tornaria uma referência eterna na cidade.
Com o passar dos anos, entretanto, a obra foi perdendo o fôlego. Passou a ser conhecida como “esqueletão” ou “prédio laranja” para os moradores que circulam nas imediações da Rua Cândido Machado, onde está situada a entrada.