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CULTURA

Entre histórias e ensinamentos, ator Paulo Betti realiza oficina sobre interpretação em Canoas

Encontro foi no Teatro do Sesc Canoas nesta quarta-feira (24)

Publicado em: 25/09/2025 às 18h:46 Última atualização: 25/09/2025 às 18h:47
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De forma simples e descontraída, o ator Paulo Betti dividiu a suas experiências, conhecimentos e histórias com aspirantes ao universo da atuação nesta quarta-feira (24). A oficina sobre interpretação para teatro e televisão foi no Teatro do Sesc Canoas, no Centro.

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Ator Paulo Betti realiza oficina sobre interpretação no Teatro do Sesc Canoas | abc+



Ator Paulo Betti realiza oficina sobre interpretação no Teatro do Sesc Canoas

Foto: Nicole Goulart/Especial

Horas antes de subir ao palco com a peça “Autobiografia Autorizada”, o ator desceu as escadas e se sentou no nível da plateia para conversar cara a cara. Betti trouxe relatos de construções de personagens icônicos como o Timóteo, em Tieta; e o Téo Pereira, em Império – este conhecido pelo bordão “cruzes”.

“Não existe somente uma forma ou um ponto de vista na construção dos personagens. Tem muitas pessoas que trabalham pensando em casa detalhe. É a roupa, o cabelo, a maquiagem”, conta.

E nisso, o autor trouxe a própria construção da peça que foi apresentada na cidade. Em “Autobiografia Autorizada”, Betti interpreta a trajetória da sua família, passando por mãe, pai e avós. Se engana quem pensa que um texto apresentado há uma década não sofre alterações. “Até hoje eu mexo, eu mudo, altero o texto para diminuir. Até para ser melhor recebido.”

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“Mas confesso que, no início, senti muitos pudores de escrever porque estou expondo minha mãe, minha avó, meu pai. Mas eu tive puder de ver se a minha história é suficientemente importante, interesse, para mobilizar as pessoas, o público. Acho que é, faz dez anos que estamos rodando. Este é o dilema da autobiografia”, destaca.

LEIA MAIS: “Eu quis contar a história dessa gente que sai da roça para viver na cidade”, diz ator Paulo Betti sobre apresentação na próxima semana

Ver de perto um grande ator

Não é todo dia que se tem a oportunidade de ver de perto um grande nome da televisão e do teatro brasileiro. Para o morador de Porto Alegre, Wesley Queiroz, 27, foi um momento de aprendizado.

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“Já fiz curso de atuação, mais ainda não tenho DRT [registro obrigatório para artistas e técnicos]. Estou trabalhando mais com produção e stand up. E ela falou sobre isso, sobre essa diferença entre o texto e a improvisação. É legal ouvir alguém assim com tanta experiência”, comenta.

Para a professora de teatro Sandra Motta, 56, o momento foi de emoção. “É essa coisa de tietar mesmo, de ver de perto um grande ator brasileiro”, frisa.

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“O que mais me chamou a atenção foi essa simplicidade dele e a simplicidade do ator em cena. Às vezes, tem essa aura que se cria e pensamos que o processo criativo dele é uma coisa mirabolante, mas não. Ele simplifica muito: não bate no cenário e decora o texto. E estar em cena sem frescura”, observa a canoense.

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Quem ensina também aprende

Depois de tirar foto com todo mundo, Paulo Betti sentou na primeira fileira e contou que gosta exatamente de passar essa simplicidade, destaca pela professora Sandra.

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“Eu gosto de colocar o pé no chão. Desglamourizar, desmistificar e tornar possível e me aproximar deles. Eu gosto de dizer para eles que não tem isso de ficar perseguindo os sonhos porque a coisa é aqui e agora”, ressalta.

O ator já deu aulas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, entre 1977 e 1984. E o professor nunca deixa de aprender com os seus alunos. “Toda hora eu estou percebendo coisas nas observações deles. Estou sempre tomando notas. Eu gosto de passar alguma coisa que eu aprendi. Decorar o texto e não esbarrar no cenário não é uma coisa tão complicada assim”, comenta.

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A apresentação da peça faz parte da turnê do projeto “De Carona com a Cultura”, do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet via Transpetro. Os recursos garantem que o acesso seja totalmente gratuito.

“Eu estou gostando de fazer esse projeto e acho importante. E ele só é possível por causa da Lei Rouanet. Acho necessário que as pessoas entendam que a cultura é importante e que não é nada muito exagerado. São coisa dentro de padrões modestos e econômicos de uma forma correta. As pessoas estão demonizando, mas na verdade ela é muito transparente”, completa.

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