Pescadores que atuam nas águas do Rio dos Sinos, na altura da Prainha do Paquetá, em Canoas, voltaram a relatar o surgimento das temidas palometas, espécie carnívora de piranha que se alimenta de outras espécies.
Os animais apareceram ainda no último final de semana, quando peixes e linhas começaram a sair das águas pelos trabalhadores, mastigados por pequenos, finos e cortantes dentes afiados.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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Um dos mais antigos pescadores em atividade no Paquetá, Marino Oliveira Lopes, explica que as palometas desceram e começaram a atacar o pescado, o que inviabiliza a venda do peixe tirado d’água.
“Elas mastigam tudo”, afirma. “Perdi linhas e peixes, que saíram roídos da água. É um problema, porque não tem o que fazer. Não dá para mandar embora. Enquanto elas quiserem, continuam atrás de comida.”
O pescador observa não saber de um ataque a banhistas que se aventuram no Paquetá. As palometas se alimentam de peixes como traíras, bagres e jundiás, mas não se sabe sobre alguém mordido.
“Final de semana estava cheio de gente na Prainha, mas ninguém sabe de alguém atacado”, confirma. “O que eles pegam é o peixe, porque chegaram há pouco e, pelo visto, estão com fome”, acrescenta o trabalhador de 51 anos.
E como notícia “ruim” corre, Celomar Silva, 52 anos, sendo um pescador de “final de semana”, chegou ao Paquetá nesta terça-feira (23) já com o receio de pegar alguma “piranha” no anzol.
“Tem que cuidar dos dentes, porque li que arrancam um dedo fora, se descuidar muito”, argumenta. “Cada bicho que tiro da água, dou uma conferida, porque não dá para brincar.”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Mudança
Também pescador no Paquetá, Clóvis Lima, 39 anos, aponta que as palometas não são o único peixe a descer para as águas do Rio dos Sinos nesta época do ano.
Além das piranhas, surgiram surubins e linguados que não eram comumente vistos durante outros períodos para quem está acostumado com a área.
“A gente já notou vários peixes que não estão no habitat normal”, defende. “O surubim, que a maioria conhece como pintado, ninguém daqui imaginava que pescaria um dia.”
Começo
Foi a partir de 2022 que os pescadores que vivem às margens do Rio dos Sinos, em Canoas, passaram a observar a presença das palometas. Na época, os prejuízos eram com o pescado tirado destroçado das redes.
Marino Oliveira Lopes foi um dos primeiros a fisgar a piranha gaúcha. Não satisfeito em exibi-la aos amigos e colegas de pesca, empalhou o peixe, que desde então exibe para quem quiser ver.
“Parece brincadeira, mas não é”, defende. “São peixes grandes e com dentes que rasgam o que estiver pela frente. Tirei a prova do rio e mostrei para todo mundo olhar”, completou.
O que diz a Secretaria de Meio Ambiente
A Prefeitura de Canoas, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, recomenda que se evite o banho nas águas da Praia do Paquetá, principalmente em razão da estiagem do rio, situação em que os animais permanecem confinados em espaços menores, aumentando o risco de incidentes.
Também é recomendado evitar áreas próximas à vegetação, onde normalmente ocorre a desova das palometas, bem como não jogar alimentos na água, a fim de não atrair os animais para as margens.
A SMMA informa ainda que os animais citados pertencem a uma espécie invasora. Ataques não são comuns, porém podem ocorrer, inclusive mesmo sem que a pessoa possua cortes ou ferimentos no corpo. Os ataques tendem a acontecer quando os peixes se sentem ameaçados ou para proteção dos ovos, especialmente no período reprodutivo, que ocorre neste momento.
A Prefeitura ressalta que a Prainha do Paquetá é considerada área imprópria para banho, conforme orientações dos órgãos ambientais competentes, não sendo um ponto de balneabilidade.
Ibama
Foi no começo da década que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) passou a monitorar o problema das palometas no Rio Grande do Sul. Na época, o Ibama mapeou pontos de ataque dos peixes carnívoros no RS. A reportagem entrou em contato com o órgão, entretanto, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.