Em agosto, quando o dia a dia dela com os animais acabou na internet, por meio de reportagem do DC, as doações explodiram. Porém, voltaram a minguar.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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“No começo, quando saiu a reportagem, apareceu muita gente para ajudar. Recebia sacos de ração, mas, nas últimas semanas, esqueceram de mim e dos meus filhos.”
Conforme Alice, além das doações com sacos de rações contendo entre 5 e 10 quilos, houve muito material entregue, que hoje é usado com os animais.
“Apareceram para doar muita coisa boa, que uso no dia a dia, mas com o passar dos dias, as doações minguaram. Agora, nunca mais veio ninguém ajudar.”
Ressentida pela ausência de atenção de outrora, a aposentada afirma trabalhar em dobro. Isso porque recebeu duas ninhadas novas que exigem atenção.
“As gatas não sabem cuidar e são até cruéis com os filhotinhos”, salienta. “Acabou dando leitinho na boca daqueles que são esquecidos na hora da alimentação.”
Organizada, ela separou alguns cômodos da casa, localizada a poucos metros da sede da Prefeitura de Canoas, para os animais.
“Pessoal da Prefeitura esteve aqui e vistoriou”, lembra. “Eles orientaram aqui e ali, mas, em geral, continua igual. Meus gatos estão sendo muito bem cuidados.”
Gastando, em média, entre R$ 600 e R$ 800 por mês somente com medicação, Alice defende que a necessidade maior é por ração, que está acabando.
“Eu entendo que custa caro um saco de cinco ou dez quilos, mas não tem mais ninguém aqui na volta que possa cuidar. Sigo cuidando, mas preciso de ajuda com ração”, conclui.
Entenda o caso
Foi no começo de agosto que comerciantes que atuam nas imediações da Rua Cândido Machado, no Centro de Canoas, entraram em contato com a redação do DC.
Na época, eles estavam assustados com a quantidade de gatos que podiam ser vistos na área, sobre telhados, em cima dos muros ou andando de um lado para o outro da via.
Ao se deslocar até o local, uma pequena casa de alvenaria que pertence à professora aposentada Alice Goulart Fernandes.
A história de Alice mudou em 2023, quando uma vizinha querida morreu, deixando órfãos nada menos que 15 gatos. Ela passou a cuidar e tratar os animais.
Durante as enchentes de 2024, entretanto, este número triplicou. Tudo por conta de moradores que deixavam gatos no endereço em que ela mora.
“Eles vinham e traziam dois, cinco ou 12 gatos de uma só vez”, lembra. “Só que na época eu recebia muita ração também. Então conseguia cuidar direitinho e alimentar.”
O problema é que, com o passar do tempo, pessoas que ajudavam doando quilos de ração sumiram, algo que voltou a acontecer desde o começo do mês.
Para ajudar
Quem estiver disposto a ajudar a Alice com ração ou na adoção dos animais que ela mantém em casa, pode procurá-la pelo WhatsApp. O telefone para contato é o (51)99182-9090.