Os trens estão operando, mas a Trensurb ainda trabalha na recuperação de sua infraestrutura após a enchente do ano passado. Uma das frentes de trabalho prevê a modernização de três das cinco subestações de energia elétrica de tração: Fátima e São Luís, em Canoas; e Farrapos, em Porto Alegre. A primeira delas deve ser entregue em fevereiro.
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Foto: Paulo Pires/GES
A Subestação (SE) Fátima, localizada na Avenida Guilherme Schell, ficou alagada em maio de 2024 e ainda não voltou a operar. As marcas da água podem ser vistas no prédio, enquanto os operários montam a nova estrutura do lado de fora.
O espaço conta com um eletrocentro que funciona dentro de um contêiner, elevado a dois metros de altura para evitar novos alagamentos. Dentro, os equipamentos são os mais modernos, como disjuntores, retificadores, controles, telecomunicação e baterias. Fora, a subestação é complementada com as estruturas de alta-tensão que recebem a energia elétrica.
Ao todo, são 118 funcionários envolvidos na reconstrução, sendo 40 diretamente no local. As obras estão previstas para se encerrarem em janeiro. Depois, é feito um período de testes. A SE Fátima deve ser entregue e começar a operar na segunda semana de fevereiro de 2026.
Em seguida, a Subestação Farrapos também passará por reformas com conclusão prevista para junho de 2026. Em novembro, a modernização da Subestação São Luís deve ser entregue. Assim, a operação da Trensurb será totalmente normalizada no final do ano que vem.
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Como funciona a estrutura?
A subestação de energia executa o seguinte trabalho: recebe a energia elétrica da RGE em corrente alternada em 69.000 volts (V), retifica para corrente contínua em 3.000 V, distribui para a rede área que alimenta os trens – os fios em cima dos trens. São cinco subestações ao longo da linha: Farrapos, Fátima, São Luís, Sapucaia e Liberdade.
O diretor de operações, Ernani da Silva Fagundes, e o coordenador da obra, José Cláudio da Silva Sicco, chamam a atenção para os retificadores – equipamentos que transformam a corrente e que são essenciais para a operação.

Foto: Paulo Pires/GES
“E retificadores não existem no Brasil a produção. Isso que demandou mais tempo. Então a nossa recuperação dependeu de fazer uma licitação, vinha os equipamentos que são produzidos na República Tcheca. É uma empresa suíça que tem a planta industrial na República Tcheca. Chegou agora o primeiro eletrocentro que foi montado em Santa Catarina”, relata Ernani sobre o processo.
A modernização já estava prevista, mas teve que ser antecipada em razão dos alagamentos. “Essa revitalização já estava prevista, mas a enchente nos precipitou. Ai a modernização se tornou obrigatória”, observa o diretor. “Essa obra aqui é de 1984. Os equipamentos são daquela época. Então, tivemos que mudar tudo”, completa Sicco.
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Investimento passa de R$ 80 milhões
Após a entrega da Subestação Fátima, a Trensurb planeja a reestruturação da Subestação Farrapos, em Porto Alegre, que também foi fortemente atingida pela enchente. A entrega está prevista para junho de 2026 e também passará por testes.
“Depois que aqui [Fátima] estiver ativa mesmo, em março nós vamos começar a mobilizar os equipamentos que estão na Farrapos. Aquela subestação vai ser desativada e vamos levar o eletrocentro, que já está pronto. A questão é que não conseguimos fazer tudo de uma vez para não interferir na operação”, detalha Sicco.
Atualmente, a subestação funciona com os retificadores extras “emprestados” de Sapucaia e Liberdade. Cada subestação funciona com três desses equipamentos, sendo dois em operação e um de reserva.
“É o que nos permite operar. A gente está trabalhando sempre no limite. Hoje, se nós tivéssemos um problema, nós teríamos que parar a operação. Se parasse um desses retificadores de funcionar. Temos uma restrição de energia ainda em virtude de estar reconstruindo essas duas subestações”, Sicco.
O cronograma ainda prevê a modernização da Subestação São Luís, em Canoas, prevista para novembro de 2026, além de três cabines de seccionamento e paralelismo. (Leia mais abaixo na matéria).
Essa reestruturação é o maior contrato em andamento, de acordo com a Trensurb, totalizando R$ 84,2 milhões destinados a essa frente de trabalho. Os recursos são do governo federal. Outras frentes de trabalho envolvem sinalização, drenagem, reformas estruturais e aquisição de equipamentos, máquinas e ferramentas.
“Se vier outra enchente, estamos resilientes. O nosso prejuízo passou de R$ 300 milhões. Com a inundação, tivemos que reconstruir Mercado e Rodoviária. Foram mais de R$ 40 milhões para recuperar a via permanente. Ficamos operando com ônibus mais de seis meses, ai foram R$ 100 milhões para oferecer o transporte para o nosso usuário. É um somatório”, calcula Ernani.
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Outra subestação também passará por reforma em Canoas
Conforme já citado na matéria, a Subestação São Luís também será modernizada. A estrutura, também está localizada na Avenida Guilherme Schell, opera com dois retificadores e um transformador atualmente.
“A São Luís, durante a inundação, teve um princípio de incêndio. Nós perdemos um retificador lá. Então, é uma recuperação, mas com altura menor que esse aqui, entorno de 1 m de altura para proteger da enchente”, explica o engenheiro eletricista José Cláudio Ricco.
O plano de recuperação também prevê três cabines de seccionamento e paralelismo. “As cabines atuam como proteção do sistema para não desarmar quando tem algum problema na rede ou no trem. Já o paralelismo é quando as linhas estão em paralelo e é preciso fazer uma ligação de proteção das linhas para a tensão ficar com potências iguais”, esclarece.
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50% de capacidade hoje, 100% da capacidade no final de 2026
Todas as intervenções que estão sendo feitas é para que o sistema volte a operar com total capacidade. A previsão de normalidade é final de 2026.
Hoje, os trens operam com metade do potencial, afirma a Trensurb. “Nós estamos com 50% do nosso sistema de energia funcionando. Estamos chegando na Estação Mercado, mas cheios de restrições. A gente não consegue botar velocidade total no trem, nem fazer um intervalo menor”, observa Sicco.
A principal demora está no fornecimento das estruturas, conforme já informado pela empresa. “É importado. Foram produzidos na Europa e montados em Santa Catarina. São equipamentos que não tem aqui no Brasil”, complementa.
“Após todo esse processo, que envolve as subestações Fátima, Farrapos e São Luís, tudo estará concluído no final de 2026”, conclui o diretor de operações.