abc+

EDUCAÇÃO

Estudantes canoenses se destacam em competição de tecnologia da Seduc

Grupos da EEEM Margot Giacomazzi apresentaram protótipos de aplicativo voltados para mulheres e pessoas trans no HackaTchê 2025

Publicado em: 18/11/2025 às 18h:18 Última atualização: 19/11/2025 às 08h:50
Publicidade

Já pensou em denunciar violência contra mulher dentro de uma calculadora? Ou quem sabe um aplicativo que concentra vagas para pessoas trans? Pois essas ideias foram propostas por estudantes de Canoas no Desafio HackaTchê 2025, dentro da Expo Favela RS, na última semana em Porto Alegre. As iniciativas ficaram em terceiro e quarto lugar.

Publicidade

FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Alunas da EEEM Margot Giacomazzi se destacam no Desafio HackaTchê 2025 | abc+



Alunas da EEEM Margot Giacomazzi se destacam no Desafio HackaTchê 2025

Foto: Nicole Goulart/Especial

Os dois projetos desenvolvidos por alunos da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Margot Terezinha Noal Giacomazzi, no bairro Estância Velha, se propõem a resolver problemas do cotidiano de forma realista e viável. “Trouxemos trabalhos de impacto muito latentes, necessários”, define o professor Eduardo Rosa que acompanhou os grupos.

O primeiro deles, chamado de Elas por Elas, foi criado pelas alunas Keyzhi Amaral da Rocha, 18 anos, Gustavo Langher do Amaral, 18, e Nicolly dos Santos da Silva, 17. O protótipo do aplicativo é uma calculadora. Ela até calcula, mas digitando o código 123 abre uma página para denunciar a violência.

“Essa área de denúncia é bem escondida. O agressor não vai desconfiar. E segurando o botão da porcentagem, ele grava áudio e vídeo para a mulher ter isso como prova”, explica Keyzhi. Uma ideia como essa não partiu apenas da preocupação com os números da violência contra a mulher, mas também da convivência com esse crime.

Publicidade

“É um trabalho que é significativo para toda uma comunidade. Paramos para ouvir as mulheres do Guajuviras, que o bairro que eu moro, saber das demandas”, ressalta a estudante. Além da aba de denúncia, o protótipo informa contatos de emergência e a polícia sobre a ocorrência.

Calculadora para denunciar violência ganhou terceiro lugar | abc+



Calculadora para denunciar violência ganhou terceiro lugar

Foto: Nicole Goulart/Especial

O aplicativo ficou em terceiro na competição do Desafio HackaTchê 2025, promovido pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc). O evento foi em Porto Alegre, entre os dias 6 e 8 de novembro, dentro da programação do Expo Favela RS.

Publicidade

Como premiação, o grupo ganhou ingressos para participar do South Summit 2026. “Estamos esperando para ver como vai ser, o que vão nos passar. Mas com certeza vai ter muita coisa para ver e aprender”, afirma o professor Eduardo com muito orgulho do grupo.

LEIA MAIS: Emef David Canabarro recebe projeto “Contenções que falam: cidade que ensina e preserva”

Publicidade

“Que funciona e não é utópico”

Com a proposta de ajudar a população trans, as estudantes Ana Luyza Cattani, 16 anos, Mahysa Fontoura, 16, e Bianca Rodrigues, 18, tinham uma preocupação: que o protótipo fosse viável. Ou seja, fácil de pôr em prática para realmente auxiliar esse grupo a entrar no mercado de trabalho.

“A gente queria que funcionasse, mas que não fosse utópico. O mais pé no chão possível. Sabemos das dificuldades que essas pessoas enfrentam, então queríamos fazer um trabalho que ajudasse de verdade”, destaca Ana Luyza.

O aplicativo reuniria vagas em empresas parceiras, cursos profissionalizantes e os caminhos para concluir os estudos pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Assim como o protótipo de violência doméstico, o projeto para pessoas trans também parou para ouvir a população.

Publicidade

“Visitamos o Ambulatório T, no Centro, e fomos muito bem recebidos. Divulgamos formulários e QR Codes para também entender as demandas, o que precisam”, ressalta o professor Eduardo.

Projetos desenvolvidos pelas alunas Margot Giacomazzi tratam de problemas reais, destaca o professor Eduardo Rosa | abc+



Projetos desenvolvidos pelas alunas Margot Giacomazzi tratam de problemas reais, destaca o professor Eduardo Rosa

Foto: Nicole Goulart/Especial

Publicidade

Na apresentação do produto para os mentores e jurados da competição, as estudantes começaram exatamente com o artigo 6º da Constituição Federal que diz que trata dos direitos sociais, como educação, saúde, alimentação e moradia.

Mas no slide seguinte, o grupo chama atenção para os dados que retratam a vida da população trans no Brasil, como índices de conclusão dos estudos e presença no mercado de trabalho. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feito em 2023, somente 25% das pessoas trans possuíam um trabalho formal.

Publicidade

“O diferencial do nosso trabalho seria não só levar essa educação para essas pessoas, mas também integrarem elas na sociedade mesmo, porque a gente sabe o quanto elas são exiladas disso. Então, esse é o diferencial do nosso trabalho”, destaca Ana Luyza. “Fomos atrás de sites parecidos, até achamos algumas coisas, mas que não tinha realmente isso, esse abraço social com essas pessoas”, complementa Mahysa.

O próximo passo para os dois grupos é tornar os projetos uma realidade. “Vamos atrás das pessoas que se interessam para concretizar”, completa Ana Luyza. 

LEIA TAMBÉM: “É hora de vender”: Sebrae reúne empreendedores visando qualificar atendimentos ao público neste final de ano

A potência das periferias

O HackaTchê aconteceu entre os dias 6 e 8 de novembro, dentro da programação da Expo Favela RS. Essa foi a quarta edição do evento que convida estudantes da rede estadual a desenvolverem soluções tecnológicas para problemas do dia a dia. Essas propostas também seguem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

Instituições de Viamão e Maquiné ficaram em primeiro e segundo lugar na competição, respectivamente. E além da Margot Giacomazzi, outras cinco escolas estaduais canoenses também apresentaram seus projetos no evento. São elas: Cônego Leão Hartmann, Jussara Maria Polidoro, Nelson Mandela, Guilherme de Almeida e São Francisco de Assis.

Para participar, é necessário ser uma escola localizada na periferia ou que atenda alunos periféricos, como observa o professor Eduardo. “É uma oportunidade que nos deram e foi uma vivência emocionante. Foi mostrar que essa geração está interessada, que tem futuro. Era também a chance de dar orgulho para essa comunidade e mostrar que a gente representa eles”, frisa. 

Publicidade