Como um momento de terapia e de aprendizado, os estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Prof. Dr. Rui Cirne Lima visitaram a exposição “Águas de Maio: Memórias…” nesta quarta-feira (10). A mostra do fotógrafo Paulo Pires, que retrata a enchente de maio de 2024, está exposta na Casa dos Rosa, no Centro.
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Foto: Paulo Pires/GES
Depois de olharam foto por foto e identificarem os pontos da cidade que estavam alagados, os alunos da turma do 3º ano relembraram o acontecimento que marcou a cidade e suas vidas. A escola, que fica no bairro Mato Grande, foi danificada pela água, assim como as casas de muitos estudantes.
A Ana Clara dos Reis da Cunha, 9 anos, viu em uma das fotos a placa da rua onde morava, no bairro Mathias Velho. “Era uma casa azul”, afirma a menina que residia na Candelária. Ao ver as fotos, a aluna se emocionou. “Eu achei a exposição muito boa, mas também me senti muito triste porque eu perdi a minha casa e meus gatinhos”, conta.

Foto: Paulo Pires/GES
Além de lembrarem das ruas, os estudantes chamaram a atenção para uma “ponte”. Na verdade, era o viaduto da Estação Mathias Velho, onde muitos canoenses, incluindo os visitantes da exposição, foram resgatados.
Ali, naquele maio de 2024, ficou a Débora Ribeiro, 9 anos. “Eu andei de barco e depois eu e a minha mãe ficamos na passarela de noite. Ficamos esperando o meu pai que estava ajudando a salvar”, conta a estudante que também gostou da exposição.
“Eles chamam de ponte, e eu sempre fico ‘mas que ponte?’. Quando vejo, eles estão falando do viaduto. Olha só como eles entendem, como que a enchente mudou a paisagem”, destaca a professora Maluquinha, organizadora e guia da visita dentro do projeto Turistando. A atividade leva os estudantes a lugares marcantes da cidade para conheceram um pouco mais da história de Canoas.
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Conversa com o fotógrafo
Os estudantes puderam se identificar porque o olhar do fotógrafo Paulo Pires permitiu. A exposição é formada por fotos inéditas do profissional do Diário de Canoas que captou toda a catástrofe. Em uma conversa com o estudantes, Paulo contou um pouco do seu trabalho.

Foto: Nicole Goulart/Especial
“As fotos não eram para a exposição, era para o jornal. Todo dia nós tínhamos o compromisso de mostrar para as pessoas o que estava acontecendo. Não é uma exposição de coisas bonitas, mas de que aconteceu”, relata.
Para ajudar os alunos a assimilarem esse evento, a Professora Maluquinha destaca que a arte é uma forma expressar os sentimentos e os acontecimentos, mesmo que sejam tristes. “Todo artista, todas essas coisas que acontecem, nós colocamos para fora. Assim também se expressa a tristeza. A arte ajuda a superar.”
Sobre a exposição
A exposição “Águas de Maio: Memórias…” traz uma seleção de 27 fotografias inéditas do fotógrafo Paulo Pires. Todas elas foram tiradas em Canoas no período de maio de 2024 e retratam o caos do desastre e, ao mesmo tempo, a solidariedade dos canoenses. A exposição fica no segundo andar da Casa dos Rosa, no Museu Hugo Simões Lagranha. A visitação é gratuita e segue aberta até dezembro.