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"Fomos mandados embora porque não tem médico": Pacientes relatam dificuldades nas UPAs de Canoas

Em frente às unidades Boqueirão e Liberty Conter, faixas estão expostas em apoio aos médicos que estão sem receber

Taís Forgearini
Publicado em: 10/09/2025 às 18h:44 Última atualização: 11/09/2025 às 15h:38
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A desassistência de médicos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Canoas tem gerado revolta e preocupação na população. A restrição nos atendimentos ocorre devido ao atraso nos pagamentos dos profissionais. A situação escalonou nos últimos resultando na paralisação de serviços.

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Nilson Rogério da Silva não conseguiu atendimento na UPA Rio Branco | abc+



Nilson Rogério da Silva não conseguiu atendimento na UPA Rio Branco

Foto: Paulo Pires/GES

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“Da porta, fomos mandados embora porque não tem médico na UPA Rio Branco”, relata o aposentado Mauro Sérgio Lopes, 68 anos.

Nesta quarta-feira (10), Lopes procurou atendimento para a cunhada, Suzana Campos Cunha, 55, que apresentava um quadro de paralisia nas pernas e pressão alta.

“Ela tem problema de coluna. Primeiro procuramos o posto de saúde [Unidade Básica de Saúde Fátima], chegando lá, estava lotado. A médica mandou ela embora mesmo com alteração na pressão. Falaram que tínhamos que procurar uma UPA. Fomos na UPA Rio Branco e não tinha médico para atender. Só conseguimos atendimento na UPA Niterói porque era emergência. Eles só estão distribuindo fichas amarelas e vermelhas”, lamenta.

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Nilson Rogério da Silva, 55, conta que tentou atendimento com um clínico-geral na UPA Rio Branco.

“Hoje [quarta-feira] só tinha um pediatra atendendo. Nada mais. Nenhum médico de outra especialidade. Eles disseram que eu deveria tentar atendimento em outro lugar porque lá não tinha médico. No último domingo, meu amigo tentou atendimento e também não conseguiu. A bolsa de colostomia dele rasgou, mas ele não conseguiu trocar. É muito triste toda essa situação. Estou com a suspeita de um furúnculo nas costas. Tenho problema na coluna cervical. Preciso de atendimento e não tem”, reclama o morador do bairro Rio Branco.

A falta de atendimento também ocorre na UPA Liberty (Caçapava), no bairro Mathias Velho. Andressa Nascimento, 35, levou a mãe, Elisângela Oliveira, 54, com fortes dores no corpo para a unidade.

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Elisângela Oliveira (à esquerda) voltou para a casa sem atendimento na UPA Liberty (Caçapava) | abc+



Elisângela Oliveira (à esquerda) voltou para a casa sem atendimento na UPA Liberty (Caçapava)

Foto: Paulo Pires/GES

“Só mediram os batimentos e a pressão dela e mandaram nós embora. Disseram que não estão pagando os médicos e por isso não tem atendimento. A saúde em Canoas está precária. Um caos. Minha mãe passando mal e ninguém para fazer uma consulta. Falaram para irmos no posto de saúde mais próximo. A Prefeitura precisa fazer alguma coisa. Não dá para continuar assim”, crítica.

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Após ter uma crise epiléptica, Jaqueline Alves dos Santos, 41, procurou atendimento na UPA Boqueirão. A moradora do bairro Guajuviras conta que é autista e possui baixa visão.

“Está muito ruim. Consegui atendimento porque era uma emergência. Tenho meu crachá de identificação do autismo e uso bengala verde [baixa visão] e mesmo assim é demorado para fazer exames, por exemplo. A saúde está pedindo socorro”, diz.

"Fomos mandados embora porque não tem médico": Pacientes relatam dificuldades nas UPAs de Canoas
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Faixas de protesto

Na frente das UPAs Boqueirão e Liberty Conter (Caçapava), faixas foram expostas em apoio aos médicos que estão sem receber os honorários.

“As pessoas chegam e na maioria das vezes não conseguem atendimento. Já vi grávida, cadeirante, idoso. Não adianta, se não estiver quase morrendo, eles mandam embora. Está lamentável a situação. Os médicos estão sem receber. São meses de atraso”, desabafa Priscila Del Rio, 41.

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Para Daniele Lopes, 29, o momento exige medidas urgentes.

“Não ter atendimento é fim. Vi uma moça chorando que também não conseguiu ser atendida. É difícil. A situação está cada dia pior e ninguém faz nada.”

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Atrasos recorrentes

Conforme o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) os atrasos no pagamento dos honorários médicos prestadores de serviço nas UPAs é recorrente.

“Por conta disso, há dificuldade no fechamento de escalas, mesma situação já verificada nos hospitais da cidade. Manifestamos profunda preocupação com o risco de desassistência à população”, enfatiza o presidente do Simers, Marcelo Matias. 

O presidente reforça que já comunicou oficialmente a situação ao Conselho Regional de Medicina (Cremers), ao Ministério Público, à Prefeitura de Canoas e a outros órgãos competentes.

“Até lá, o Sindicato permanece empenhado em buscar uma solução que evite a paralisação, mantendo abertos todos os canais de diálogo.”

O que diz a Prefeitura

Por meio de nota, a Prefeitura de Canoas informa que tem tomado todas as medidas necessárias para garantir a assistência da população e o atendimento integral em todas as UPAs do Município.

“A Secretaria Municipal da Saúde reforçou as equipes das unidades de saúde Mathias Velho e Caic, que atuam como retaguarda das UPAs Liberty Dick Conter e Boqueirão, respectivamente. Os hospitais Nossa Senhora das Graças (HNSG) e Universitário (HU) também têm atuado como retaguarda das UPAs, conforme a necessidade. A administração municipal segue em contato permanente com o IB Saúde, empresa gestora das UPAs da cidade, e com o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), para restabelecer o funcionamento correto destas unidades”, diz o texto.

A nota informa ainda que o Município não vem sendo informado com antecedência da falta de médicos nas unidades, o que resulta em mais demora na reposição destes profissionais nas escalas. “A administração municipal já notificou o IB Saúde, ainda na semana passada, para que garanta as escalas completas em todas as unidades e o atendimento da população, conforme estabelecido nos contratos com o Município.” O texto ressalta ainda que o pagamento dos profissionais que atuam nas UPAs é de responsabilidade da empresa, e o Município tem buscado garantir o repasse de recursos para o pagamento de todos os seus débitos junto ao IB Saúde.

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